Líder de facção vai para presídio federal em Rondônia
Segundo o MPES, mesmo preso em Viana, “Frajola” transmitia ordens para integrantes do Primeiro Comando de Vitória nas ruas
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Apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando de Vitória (PCV), Cleuton Gomes Pereira, o Frajola, foi transferido ontem para a Penitenciária Federal de Porto Velho, Rondônia, unidade de segurança máxima.
A transferência foi solicitada à Justiça pelo Ministério Público do Estado (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A inclusão no sistema penitenciário federal foi requerida pelo prazo de até três anos, renovável por igual período.
Cleuton estava preso desde 2017 na Penitenciária de Segurança Máxima II de Viana (PSMA II). Segundo o MPES, mesmo recolhido ao sistema prisional estadual, as investigações apontaram que ele conseguia transmitir ordens para integrantes da facção nas ruas, influenciando diretamente a prática de crimes.
“Esse comando ocorria, por exemplo, por meio de recados levados durante visitas, inclusive com a atuação de intermediários, além do uso de estratégias para manter a comunicação com membros da organização fora do sistema prisional”, informou o MPES.
De acordo com as apurações realizadas no âmbito da Operação “Telic”, o réu é uma das principais lideranças do PCV, organização criminosa com atuação na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
O grupo é investigado por envolvimento com tráfico de drogas e armas, homicídios, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos, além de atuar de forma estruturada, com divisão de funções e hierarquia definida.
Segundo o MPES, a atuação da facção envolve o controle de diversos pontos de tráfico de drogas e a disputa por território, “o que tem impacto direto na segurança da população local”.
As investigações identificaram o uso de redes sociais para divulgação de ações criminosas, recrutamento de novos integrantes e fortalecimento da influência do grupo, inclusive com referências diretas à liderança de Frajola.
Cleuton tem condenações que somam mais de 70 anos de reclusão, além de responder a outras ações penais.
Alianças entre facções já atingem 17 estados
Ao menos 17 estados registram a atuação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) em alianças entre si ou com grupos regionais.
O levantamento foi feito pela Folha de S.Paulo e aponta que, no Espírito Santo, o crime organizado se estrutura por meio de alianças entre facções nacionais e grupos locais. A principal organização é o Primeiro Comando de Vitória (PCV), aliado ao Comando Vermelho.
Como PCC e CV controlam as rotas internacionais, facções regionais dependem dessas organizações para se abastecer. Nesse arranjo, o CV fornece droga e logística, enquanto o PCV mantém autonomia local.
“Algumas pessoas não queriam se aliar ao PCC porque a adesão implica em perda de autonomia. Parte desses grupos se aproximou do TCP, que funciona como intermediário para acessar a droga do PCC sem se submeter integralmente à sua hierarquia”, disse o delegado Guilherme Eugênio.
Ages Macedo, coordenador do Centro de Inteligência e Análise Telemática, afirmou que as investigações têm como foco não apenas os executores, mas principalmente as lideranças do crime organizado.
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