Força-tarefa para conter coral invasor em Guarapari
Mergulhadores iniciaram ações após Iema constatar avanço do coral-sol em áreas de preservação ambiental de Guarapari
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O avanço de uma espécie de coral invasor no litoral de Guarapari acendeu o alerta de ambientalistas no Estado. O coral-sol se proliferou na região da Área de Proteção Ambiental (APA) de Setiba e nas ilhas Rasas e Escalvada, comprometendo o equilíbrio natural desses ecossistemas.
Para conter a expansão da espécie, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) montou uma força-tarefa com 14 mergulhadores, que atuam na remoção das colônias do coral invasor.
Nativo da região do Oceano Indo-Pacífico, o coral-sol foi identificado no Espírito Santo em 2011, inicialmente em Vitória. Em Guarapari, os primeiros registros são de 2013, no Victory 8B, considerado o maior recife artificial da América Latina, explicou a bióloga e agente de desenvolvimento ambiental e recursos hídricos do Iema, Sandra Ribeiro.
“Acredita-se que essas espécies vêm incrustadas em cascos de navios, especialmente de petróleo, que possuem deslocamento mais lento. As larvas têm preferência por superfícies metálicas, mais lisas, e se proliferam rapidamente.”
Monitoramento
O monitoramento da espécie é realizado pelo Iema desde 2015. Com o avanço para áreas de preservação ambiental, como a APA de Setiba e as ilhas – que abrigam grande biodiversidade marinha –, o órgão identificou a necessidade de intensificar as ações de controle.
Após autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a operação foi estruturada. “O Ibama foi muito cuidadoso e propôs as melhores estratégias para evitar que o problema se agrave. É um processo rigoroso e controlado”, destacou Sandra.
Na semana passada, os 14 mergulhadores participaram de treinamento teórico e simulações para retirada das colônias, com o objetivo de padronizar os procedimentos que serão adotados em campo. O treinamento foi ministrado pela oceanógrafa Carolina Ferreira Candido, instrutora do ICMBio.
“Todo o trabalho é muito cuidadoso. O Ibama solicitou que as colônias retiradas sejam colocadas em sacos plásticos, pois, sob estresse, elas liberam ainda mais larvas no mar. Estamos trabalhando para retirar as colônias da forma mais íntegra possível e garantir o isolamento”, explicou Sandra.
As primeiras operações começaram na última semana e devem seguir até junho, totalizando 22 ações.
SAIBA MAIS
Força-tarefa
> O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) iniciou uma força-tarefa para conter o avanço do coral-sol no litoral de Guarapari. A espécie é invasora e compromete o equilíbrio dos ecossistemas marinhos da região.
> Ao todo, 14 mergulhadores profissionais foram mobilizados e passaram por treinamento específico para a remoção das colônias.
> As ações começaram na última semana e seguem até junho, com previsão de 22 operações. Em três expedições, já foram retiradas 530 colônias, cerca de 18kg.
> O coral-sol foi registrado pela primeira vez no Espírito Santo em 2011, em Vitória. Dois anos depois, a espécie foi identificada também no Victory 8B, maior recife artificial da América Latina, em Guarapari.
> Especialistas apontam que a espécie pode ter chegado ao Brasil incrustada em cascos de navios, especialmente petroleiros.
> Segundo Sandra Ribeiro, servidora do Iema, a proliferação em Guarapari passou a ser mais evidente a partir de 2023, possivelmente influenciada por fenômenos climáticos que elevaram a temperatura do mar e favoreceram o crescimento das colônias.
> Após a retirada, as colônias são acondicionadas em sacos plásticos, levadas até embarcações e encaminhadas ao Parque Estadual Paulo César Vinha, onde passam por triagem e permanecem submersas em água doce por cerca de seis horas. Em seguida, são destinadas a aterro sanitário.
Fonte: Iema e especialistas consultados
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