Maioria dos brasileiros, incluindo jovens, prioriza a CLT ao buscar emprego
Pesquisa da CNI revela que busca por direitos resiste após reformas que flexibilizaram leis trabalhistas
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O emprego com carteira assinada (CLT) é a escolha prioritária para 36,3% dos brasileiros que buscam uma vaga no mercado de trabalho - a maioria. O dado consta em levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta sexta-feira (10).
A preferência pelo modelo formal resiste ao cenário de precarização e perda de garantias iniciado em 2017, com a Reforma Trabalhista da gestão Michel Temer, que ampliou a flexibilização das contratações.
Com o crescimento da informalidade no Brasil e o aumento de contratações via MEI (mesmo sem a pessoa ser microempresário), a CLT é vista como um atrativo porque garante conquistas históricas dos trabalhadores: veja pontos abaixo
Benfícios da CLT
- Férias remuneradas: direito a 30 dias de descanso após 12 meses de trabalho, com o acréscimo de 1/3 do salário.
- 13º Salário: gratificação natalina que injeta um salário extra na economia ao final de cada ano.
- Jornada delimitada: limite de 44 horas semanais, com pagamento de horas extras (mínimo de 50% de acréscimo) para o tempo trabalhado além do contrato.
- Seguro-Desemprego: assistência financeira temporária para o trabalhador dispensado involuntariamente, fundamental para a transição entre empregos.
- Licença-Maternidade e Paternidade: garantia de afastamento remunerado para cuidados com o recém-nascido, preservando o vínculo empregatício.
- Seguridade Previdenciária: Garante o direito à aposentadoria por tempo de contribuição ou idade, além de auxílio-doença e pensão em caso de morte.
- Fundo de Garantia (FGTS): depósito mensal de 8% do salário em uma conta vinculada, que serve como reserva de emergência em caso de demissão sem justa causa.
- Aviso prévio e multa: proteção financeira no desligamento, incluindo a multa de 40% sobre o saldo do FGTS
Para Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o trabalhador ainda enxerga o regime formal como um porto seguro.
“Apesar de novas modalidades de trabalho estarem crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em um contexto de maior flexibilização das relações de trabalho” Cláudia Perdigão, Especialista em Políticas e Indústrias da CNI
Números da preferência nacional
O levantamento detalha como o trabalhador se posiciona diante das novas modalidades de ocupação:
- 36,3% preferem a carteira assinada (CLT);
- 18,7% optam pelo trabalho autônomo;
- 12,3% consideram o emprego informal atrativo;
- 10,3% buscam trabalho via plataformas digitais;
- 9,3% preferem abrir o próprio negócio
- 6,6% preferem atuar como PJ.
- 20% não encontraram oportunidades atrativas
Segurança também é prioridade para nova geração
A busca por proteção social é maior entre os jovens. Na faixa de 25 a 34 anos, 41,4% preferem o regime CLT. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice é de 38,1%. O interesse pelo trabalho formal supera o desejo de abrir o próprio negócio (9,3%) ou atuar como Pessoa Jurídica (6,6%).
Renda complementar
A pesquisa indica que o trabalho por aplicativos, como motoristas e entregadores, é visto como fonte principal de sustento por apenas 30% dos que atuam no setor. Para a maioria, a modalidade serve como complemento de renda em um mercado onde as garantias previdenciárias tornaram-se escassas após as reformas da última década.
Satisfação e estabilidade
Apesar da busca por novas modalidades, 95% dos brasileiros empregados declaram satisfação com a ocupação atual. Desse total, 70% afirmam estar muito satisfeitos. O índice de insatisfação é de 4,6%, o de muito insatisfeitos chega apenas a 1,6%.
A mobilidade é maior - a busca por um novo emprego - entre quem tem menos tempo de casa. Cerca de 36,7% dos trabalhadores com menos de um ano na função buscaram nova vaga recentemente. Entre aqueles com mais de cinco anos no mesmo emprego, o interesse em mudar cai para 9%. Os jovens são os que mais buscam uma nova vaga de trabalho, o que mostra que eles não se adequam de imediato com o local onde estão.
A mobilidade no mercado é limitada:
- 20% buscaram outro emprego recentemente;
- 35% dos jovens (16 a 24 anos) procuraram nova vaga;
- 6% dos trabalhadores com mais de 60 anos fizeram o mesmo.
- A influência do tempo:
- 36,7% com menos de um ano no trabalho buscaram nova vaga;
- 9% com mais de cinco anos na mesma função fizeram o mesmo.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI. Foram ouvidas 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país. As entrevistas ocorreram entre 10 e 15 de outubro de 2025, com consolidação dos dados para divulgação em abril de 2026, mas a CNI só divulgou nesta sexta-feira..
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