Perseguição a mulheres aumenta 120% em quatro anos
Somente nos três primeiros meses deste ano foram registrados 460 casos de stalking. Já em 2022 foram 208 registros no período
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Sem deixar marcas visíveis no corpo, mas com impactos profundos na vida das vítimas, os registros de crimes de perseguição e violência psicológica contra mulheres cresceram 120% nos últimos quatro anos no Espírito Santo.
Dados do Observatório Estadual de Segurança Pública mostram que somente nos três primeiros meses deste ano foram registrados 460 casos. Já em 2022 foram 208 registros no mesmo período.
Advogada criminalista e presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil seccional capixaba (OAB ES), Layla Freitas explicou que o crime de stalking (ou perseguição) se caracteriza pela conduta de perseguição reiterada.
“Isso ocasiona à vítima a limitação de seu direito de ir e vir, inviabilizando sua privacidade e liberdade. Além disso, resulta em violências psicológicas e riscos à integridade física, emocional e psicológica da vítima”.
Segundo a advogada, a violência pode ocorrer tanto no mundo real quanto virtualmente. “E é um dos crimes que mais tem crescido”.
A advogada Nágila Zardini, especialista em Direitos Humanos e Direito Público, destacou que o stalking não exige ameaça explícita, basta que o comportamento insistente cause medo ou perturbação à vítima.
“A internet tem funcionado como facilitador para a prática deste crime, pois permite contato instantâneo e insistente através de mensagens, comentários e perfis falsos”, ressaltou.
Ela salientou que os dados apontam que a grande maioria das vítimas desse crime é mulher, especialmente em casos de relacionamentos abusivos e ex-companheiros inconformados com o término. “Tais fatos estão relacionados à violência de gênero e, em muitos casos, pode evoluir para outras formas de violência”.
O delegado-adjunto da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Ícaro Olimpio, observa que o aumento expressivo dos registros se deve a diversos fatores.
“Não se pode descartar que a internet tem ajudado nessas perseguições. Porém, o aumento do expressivo dos registros tem ocorrido também porque as mulheres têm reconhecido cada vez mais os sinais desse crime e procurado a polícia”.
Ele acrescentou que muitos criminosos acreditam que, por trás de perfis falsos, estão escondidos – o que não é verdade. “A investigação chega até eles. O que existe é uma falsa sensação de impunidade. Por isso é importante que as vítimas denunciem ao se sentirem ameaçadas ou perseguidas”.
Modelo desabafa após mensagens de seguidor
A modelo Mariana Goldfarb usou seu perfil no Instagram nesta semana para expor mensagens abusivas que vem recebendo de um stalker. Ela publicou um print com abordagens insistentes enviadas por um perfil desconhecido.
Na imagem, a pessoa por trás das mensagens afirma repetidamente que terá um relacionamento com a modelo e apresentadora.
Ele escreve coisas como “você será minha mulher!”, “não vou me cansar de dizer: você será minha, para sempre” e “eu serei o homem que vai te fazer feliz”.
Depois da publicação, alguns seguidores da modelo reagiram com risadas. Mariana, porém, não achou a situação engraçada e desabafou sobre o caso. “Estou recebendo mensagens de vocês rindo, mas não estou achando engraçado”.
“Dizem que remédio para maluco é um maluco e meio. Só que em alguns casos, a gente não alcança. Eu o denuncio? Como faço isso? Já bloqueei, mas ele cria outra página”, continuou.
No desabafo, ela disse que não iria iniciar uma discussão mais ampla sobre a violência contra a mulher, mas que esse tipo de ameaça está presente em todos os ambientes. “A principal forma de violência acontece dentro de casa, mas vou falar que em todos os nossos ambientes, seja de trabalho, academia, na rua, na internet”.
“A gente vive com medo, aprendeu a viver nesse estado de hipervigilância, de atenção, para minimizar os riscos e se proteger ao máximo possível”, prosseguiu.
Pouco tempo depois, a modelo compartilhou novos stories com pesquisas sobre o termo “stalker cibernético”.
Saiba Mais
Perseguição e violência psicológica contra mulheres
- 460 casos foram registrados este ano entre janeiro e março.
- 284 foram de perseguição.
- 176 de violência psicológica.
- A maioria das vítimas tem entre 35 e 39 anos.
O que diz a lei
Stalking
- O crime de stalking, ou perseguição reiterada, foi tipificado no artigo 147-A do Código Penal em 2021. A pena prevista é de 6 meses a 2 anos de prisão, além de multa.
- A conduta se caracteriza por perseguições que geram perturbação da liberdade ou integridade psíquica da vítima, podendo ocorrer tanto presencial quanto por meios digitais.
Violência Psicológica
- É reconhecida pela Lei Maria da Penha (art. 7º, II) como uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher.
- Ela é frequente em relações íntimas, como no casamento, namoro ou dentro do ambiente doméstico.
- Se manifesta por meio de humilhações, manipulação, controle, isolamento e chantagem emocional.
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