ES negocia para a instalação de mais duas montadoras de veículos
Governo do Espírito Santo está em diálogo com o Grupo Caoa e a Shineray para atrair novos investimentos na produção de veículos
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Mais duas fabricantes de veículos iniciaram conversas com empresários e o governo do ES, com o objetivo de instalar montadoras no Espírito Santo, que receberá, ainda, uma unidade da chinesa GWM em Aracruz.
Agora, as empresas são o grupo Caoa e a Shineray. Os diálogos ocorrem em etapa inicial, afirma Danilo Pescuma, diretor de Negócios da Nova ES, agência de atração de investimentos do Espírito Santo.
Nesse estágio, diz ele, são apresentadas as potencialidades da região e os incentivos fiscais, com a proposta de fortalecer a competição frente a outros estados.
Representantes da Shineray estiveram no ES para discutir “possíveis modelos de operação”, em um “processo em avaliação em especial pelo investidor”, contou Pescuma: “Sabemos que o Espírito Santo se apresenta naturalmente como uma alternativa muito competitiva. Nosso papel é justamente apresentar, com consistência, as condições que o Estado oferece”.
Já para a Caoa, um novo parque fabril é alternativa para atingir a capacidade produtiva de 200 mil veículos ao ano, disse o presidente da empresa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, segundo o jornal Estado de S. Paulo.
A empresa enfrenta limitações com a linha de pintura, que atende a uma produção de 160 mil veículos e está em busca de alternativas com parceiro do setor para tentar “desbloquear” essa limitação.
Uma aproximação institucional com a Caoa foi iniciada pela Nova ES para apresentar as condições e diferenciais competitivos do Estado, comenta o gerente-executivo de Marketing, Comunicação e Inovação da NovaES, Carlos Bittencourt. “Seguimos avançando nessa agenda e esperamos compartilhar novas atualizações em breve”.
Esses investimentos prometem estimular o comércio e criar empregos não só nas cidades em que se instalarem, mas em toda a região, comenta o novo diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Antônio Rocha.
“Pode ser necessário trazer mão de obra de municípios próximos. Isso mexe com toda a economia da microrregião e até do Estado, como um todo”, analisa.
Promessa para Sooretama
O projeto da construção de uma montadora de carros elétricos e híbridos 100% brasileiros em Sooetama também é uma promessa para o mercado automobilístico no Espírito Santo.
Em desenvolvimento pelo empresário Flávio Figueiredo, a Lecar anunciou, no ano passado, diferentes parcerias com marcas nacionais, incluindo a WEG e a Horse — fabricante de motores —, para a fabricação de pelo menos três modelos no ES.
A empresa, porém, enfrenta desafios em relação aos prazos. A previsão era de iniciar a construção ainda em 2025, o que não ocorreu. O início das operações era previsto para agosto deste ano.
A fábrica, de acordo com os planos da empresa, terá área total de 440 mil metros quadrados e vai empregar cerca de 600 profissionais na fase inicial, com previsão de chegar a 1.200 no pico de produção — a produção de 10 mil veículos por mês.
A Tribuna antecipou em 2021 negociação com GWM
A confirmação da chinesa Great Wall Motors (GWM) de que investiria em uma fábrica de veículos em Aracruz, no Norte capixaba, ocorreu em fevereiro deste ano. Mas a disputa do Espírito Santo pelo investimento foi antecipada por A Tribuna em maio de 2021, como mostra a reprodução da página com a reportagem ao lado, que indicava ainda diálogo com a Keyton Motor, outra chinesa.
Análise
“Diversificação da economia capixaba”
“A chegada da indústria automobilística no Espírito Santo é muito importante, pois atende um dos principais objetivos da nova política industrial do Espírito Santo, que é a diversificação.
Precisamos mudar mais nossa matriz atual, já que estamos centralizados no aço, celulose e pelotas, para produtos com maior transformação. Além do mais, ela está se instalando no interior, permitindo uma desconcentração na economia.
Isso também vai permitir a diversificação da cadeia de abastecimento, trazendo empresas que possam formar esse cluster, fabricante de peças e componentes, como pneus e rodas, além de serviços como transporte, vestuário e alimentação.”
Saiba Mais
Marcopolo e Agrale já produzem no Espírito Santo
Fornecedores
A criação de uma cadeia de fornecedores locais é uma necessidade para a atração de investimentos do setor automobilístico que criem oportunidades robustas no mercado de trabalho, destaca o especialista em atração de investimentos Luiz Fernando Lorenzoni.
Sem fornecedores, a fabricação completa de veículos no Estado acaba sendo dificultada, sendo possível apenas o modelo CKD — ou seja, a importação de partes e peças para a montagem no País.
Fabricantes de componentes eletrônicos, partes e peças, vidro, borracha e outros tipos de indústrias devem ser atraídos nos próximos anos para permitir uma qualificação local para os investimentos.
Parque automobilístico
A presença da Marcopolo e da Agrale, duas empresas do setor, reforçam a visão da criação de um parque automobilístico no Espírito Santo, estimulando a atração dos fornecedores para o Espírito Santo.
Hoje, a Marcopolo produz ônibus urbanos, inclusive elétricos, em uma fábrica instalada em São Mateus, no Norte do ES.
Para isso, desenvolve os próprios chassis, mas também compra da Agrale e da Mercedes-Benz.
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