Executivo da Globalsys: “Inteligência Artificial vai criar o supervendedor”
Executivo da Globalsys, Beto Yunes rejeita a ideia de que profissional possa deixar de existir. Prevê que, ao contrário, atividade saia fortalecida
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A Inteligência Artificial não vai substituir o vendedor no futuro, mas sim transformá-lo em um “supervendedor”, com mais informação e capacidade de encantar os clientes. A avaliação é do CTIO (sigla em inglês para Diretor de Tecnologia e Inovação) da Globalsys, Beto Yunes.
Ele falou sobre o tema com o jornalista Rafael Guzzo durante o programa Histórias Empresariais, da Rede Tribuna. Segundo Yunes, o uso de dados e ferramentas tecnológicas tende a ampliar a eficiência das vendas, sem eliminar o papel humano na relação com o cliente.
Com 16 anos de história, a Globalsys tem cerca de 447 colaboradores e clientes em diferentes estados e fora do País. A empresa planeja ampliar sua presença internacional, com foco em mercados como Portugal e EUA.
Assista a entrevista completa com Beto Yunes
A Tribuna — Com o avanço da IA nas empresas, a figura do vendedor humano pode ser substituída no futuro?
Beto Yunes — Acho que não vai ter o vendedor... vai ter o supervendedor, com muito mais insumo. O vendedor tem os seus atributos, ele é carismático, ele sabe fazer, ele sabe falar com o cliente, isso é muito difícil para a tecnologia substituir. Esse contato humano é importante, ele precisa existir.
No trabalho humano em geral, substituição eu acho pouco provável. A gente vai ter um empoderamento. As pessoas que tendem a usar a IA ao próprio benefício vão ser mais empoderadas, vão produzir mais. Isso não quer dizer que a empresa vá cortar custos com pessoal, mas sim que vai produzir mais, em grande escala.
Na prática, o que é esse “supervendedor”? Como ele atua?
Imagine que eu acabei de entrar aqui e você tivesse todas as minhas informações: o que eu gosto, o que eu faço, hobbies, qual minha área de atuação, última viagem que fiz, se tenho filho, esposa. Quem é a pessoa que sentou na sua frente? Se você tivesse todas essas informações, você não precisaria de um bate-papo prévio. Você já chegaria dizendo: “Eu já te conheço”.
Já ia encantar...
Isso. “Eu gosto da forma que você faz, já vi isso em você, aquilo que você fez semana passada me encantou”. Ou seja, a pessoa vai se sentir mais acolhida. Imagina um vendedor fazendo isso. Ele já chega com todas as informações, entendendo o perfil do cliente.
Em alguns casos, até com afinidade, com o mesmo tipo de comportamento. Hoje a gente fala que você tem que estar onde o seu cliente está. Quantas pessoas fazem atividades não só pelo objetivo em si, mas para fazer conexões? Você vai antecipar esse processo. Vai ter todas as informações antes mesmo de acontecer.
Então você vai estar munido de informação. É como fazer uma prova com o gabarito. Esses vendedores vão ser muito mais qualificados, porque vão entender melhor o cliente e usar essa informação.
Qual é o tamanho da Globalsys hoje e onde ela atua?
A Globalsys tem 16 anos. Hoje, temos clientes praticamente em todos os estados e também fora do País. Temos 447 colaboradores. Atendemos diversos segmentos — a gente costuma dizer que só não atua no setor aeroespacial (risos).
Temos clientes como Wine, Pets, Grupo Arezzo Reserva, Aramis, Grupo CRM, com Kopenhagen e Brasil Cacau, Nespresso, Boca Rosa, além de empresas de saúde, como a Unimed. A tecnologia hoje está embarcada em todas as áreas, e a gente tem atuação praticamente em todas.
Já atua fora do Brasil?
Sim. Temos colaboradores em outros países, como Angola, França, Argentina e Portugal. O nosso tipo de serviço é muito demandado, e o brasileiro é bem visto nesse mercado. A principal barreira ainda é a língua.
E quais são os planos da empresa para o futuro?
A gente tem planejamento estratégico de longo prazo. A expansão territorial é uma prioridade. Portugal está muito avançado e a ideia é avançar com estrutura. Estados Unidos ainda está em avaliação, mas é uma tendência. Alguns clientes, inclusive, demandam que a gente esteja fisicamente nos mercados onde eles atuam.
O avanço da IA exige adaptação das empresas. Quem não se adaptar, corre o risco de ficar fora e encerrar atividades?
Sim. Hoje é necessário entender esse cenário. A tecnologia já ajuda e vai ajudar ainda mais. É uma tendência que não volta. O que a gente ainda não consegue medir é o tempo dessa transformação. Quem não adotar tende a ficar defasado em relação a quem adotou. As empresas que não estiverem nesse circuito tendem a perder espaço.
E como deve ser feita a adoção da Inteligência Artificial?
A principal questão é o planejamento. Existe hoje uma corrida para usar Inteligência Artificial, mas muitas vezes sem saber onde aplicar. É preciso entender o nível de maturidade da empresa, onde a tecnologia faz sentido e como ela pode ajudar. Sem isso, o investimento pode ser aleatório.
A Globalsys atua nesse processo?
Atua. A gente avalia o nível de maturidade, propõe cenários e faz provas de conceito para mostrar onde a tecnologia pode gerar resultado antes de escalar.
O que mais pesa hoje na hora de contratar e por que há tanta dificuldade em encontrar profissionais para a área?
O desafio não é só técnico. A tecnologia muda muito rápido. Hoje você está falando de uma ferramenta, daqui a duas semanas já é outra. Então, mais do que dominar uma tecnologia específica, a pessoa precisa ter capacidade de se adaptar, de aprender sozinha, de se atualizar o tempo todo.
Quem tem essa mentalidade acaba se desenvolvendo rápido. Quem não tem, fica para trás, mesmo tendo conhecimento técnico inicial.
Curiosidades
Ensinando profissão
A Globalsys mantém um programa próprio de formação para atrair e desenvolver profissionais interessados em tecnologia. A academia busca candidatos com interesse, disposição para aprender e alinhamento com a cultura da empresa, independentemente do nível técnico. Segundo Beto Yunes, a prioridade é o “brilho no olho”, já que a capacitação é interna. Informações e inscrições estão no site www.globalsys.com.br e nas redes sociais da empresa.
Entre as 100+
A Globalsys teve uma solução desenvolvida para a Braveo reconhecida no ranking “As 100+ Inovadoras no Uso de TI” 2025, do IT Forum. O projeto contribuiu para que a distribuidora alcançasse a primeira colocação no setor de distribuição, ao estruturar o uso de dados para decisões operacionais e comerciais. A premiação destaca iniciativas que utilizam tecnologia para aprimorar processos, ampliar eficiência e fortalecer a competitividade das empresas.
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