"Herdeiros" de Chico Anysio e Lúcio Mauro: “Nossos pais estão se divertindo"
Bruno Mazzeo diz acreditar que Chico Anysio e Lucio Mauro, “onde quer que estejam”, devem estar felizes com parceria dele com Lucio Mauro Filho
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Ícones da comédia brasileira, Chico Anysio (1931-2012) e Lucio Mauro (1927- 2019) não estavam mais vivos quando seus filhos, Bruno Mazzeo e Lucio Mauro Filho, finalmente tiraram o espetáculo “Gostava Mais dos Pais” do papel.
Em três anos, a comédia já levou mais de 85 mil espectadores ao teatro. Mas será que essa parceria nos palcos arrancaria boas risadas da dupla? Essa é uma pergunta que um desses herdeiros confessa se fazer constantemente.
“Penso nisso direto! Papai ainda viveu para ver nossa homenagem na 'Escolinha', ficou muito emocionado!”, confessa Lucio Mauro Filho, de 51 anos, ao AT2. Já Mazzeo, 48, é direto: “Nossos pais estão felizes e se divertindo muito com a gente, onde quer que estejam”.
Através da comédia, que chega a Vitória no próximo fim de semana, os dois celebram não só esse legado deixado pelos saudosos artistas, como também uma amizade iniciada na adolescência.
“Frequentamos a casa um do outro desde crianças, em função dos nossos pais. Tenho foto do Lucinho em festinha minha, eu vestido de Batman. Mas a amizade foi crescendo independentemente deles. Foi coisa nossa, que foi acontecendo naturalmente durante a vida”, diz Mazzeo.
A primeira parceria profissional entre os amigos comediantes foi há duas décadas, em uma publicidade. Mais tarde, eles se encontraram na televisão e no cinema, e também passaram a ter conversas sobre levar essa conexão para os palcos.
“Em 2016, estivemos juntos no espetáculo '5X Comédia', mas não contracenávamos, pois eram cinco monólogos. No camarim que dividíamos, começou a surgir a ideia de, finalmente, fazermos uma peça onde nos encontrássemos em cena. Nossas parceiras Monique Gardenberg e Clarice Philigret entraram em ação e juntos começamos a bolar o espetáculo”, lembra Lucio.
“Gostava Mais dos Pais” vai muito além do humor com o “peso” de dar sequência aos legados de Chico Anysio e Lucio Mauro – e as inevitáveis comparações com eles. Eles também falam sobre a dificuldade de entender seus lugares no mundo moderno e o esforço para se manterem relevantes na faixa da meia-idade.
O encontro da dupla com os capixabas aconteceria inicialmente em março, mas precisou ser adiado depois que Lucio Mauro Filho sofreu um pequeno acidente, que resultou em uma fratura no pé.
Serviço
“Gostava Mais dos Pais”
O quê: Espetáculo com Bruno Mazzeo e Lucio Mauro Filho.
Quando: Próxima sexta-feira (10/04) e sábado (11/04), às 20h, e domingo (12/04), às 17h.
Onde: Teatro da Ufes, Goiabeiras.
Ingressos (meia): Mezanino a R$ 30, Plateia B a R$ 70 e Plateia A a R$ 80.
Venda: No teatro, de terça a sexta, das 14h às 19h, e no site sympla.com.br.
Classificação: 14 anos. Menores de 16 anos só acompanhados dos pais ou responsáveis.
Lucio Mauro Filho e Bruno Mazzeo humoristas
“Conseguimos criar nossa história”
AT2 — Há quanto tempo vocês não vêm ao Espírito Santo?
Lucio — Estive em Vitória um pouco antes da pandemia, ou seja, estava na hora de voltar, fala sério! É um lugar onde tenho muitos amigos e onde sempre sou feliz me apresentando, seja no teatro ou também nos eventos, como o Festival de Cinema de Vitória, que tive a honra de apresentar por três vezes.
Bruno — Minha última vez foi com meu monólogo, faz uns 10 anos! Queria voltar porque sempre fui muito bem recebido. Inclusive, tenho um grande ídolo que mora em Vitória: Geovani, o Pequeno Príncipe do Vasco. Vou tentar convidá-lo para ir nos assistir!
Como foi a aceitação por parte de seus pais quando decidiram que iriam encarar a carreira artística e no humor?
Bruno — Meu pai sempre apoiou a ideia. Nunca foi uma questão. Apesar dele sempre falar da sua preocupação com a instabilidade do meio artístico. Ele estava certíssimo!
Lucio — O meu tinha mais receio. Ele foi rígido com a possibilidade e esperou que eu procurasse o meu caminho. Agradeço até hoje por sua postura!
Como filhos de dois ícones, já sentiam a pressão de dar continuidade a esse legado numa época em que o termo “nepo baby” ainda não existia?
Lucio — Nunca senti essa pressão, talvez pela diferença de idade, meu pai já tinha 50 anos quando nasci. E o título é baseado em uma constatação verídica. Escutamos variações desse título quase que diariamente.
Bruno — Nunca senti pressão, sempre foi muito natural porque logo cedo, aos 19 anos, comecei a trabalhar em coisas minhas, independentes do meu pai.
Quais são os prazeres e os desafios de dar continuidade a esse legado?
Lucio — No nosso caso, é mais prazer e orgulho do que qualquer outra coisa. E responsabilidade, claro! Somos sortudos. Conseguimos criar nossa própria história.
Bruno — Durante os últimos anos, sem perceber, acabei vivendo uma trilogia sobre meu pai. Que começou com a nossa versão da “Escolinha”; seguiu com essa peça; e culminou com a série documental que dirigi sobre Chico Anysio, que está no Globoplay. Tenho muito orgulho dessa trilogia. Foi tudo feito - a peça continua sendo - com muito amor.
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