Pacto pela competência no ES
Com ciclo de investimentos bilionários, Estado enfrenta o desafio de qualificar a mão de obra e propõe pacto para sustentar o crescimento econômico
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Nos próximos três anos, o Espírito Santo receberá grandes investimentos que, somados, chegam a quase R$ 140 bilhões, considerando a expansão da infraestrutura portuária e logística, a retomada da Samarco para 100% de sua capacidade e a chegada da montadora chinesa GWM.
Haverá forte ampliação da demanda de mão de obra qualificada, o que hoje já representa um grave gargalo para a nossa produtividade: diversos setores de nossa economia registram dificuldade de preencher vagas. Esse quadro tende a se agravar nos próximos anos. Somente a GWM vai gerar cerca de 10 mil empregos.
O Espírito Santo há anos vem crescendo acima da média nacional, com desemprego abaixo da média. No ano passado, crescemos 3,9%, contra 2,3% do PIB nacional, e com o desemprego a 2,4%, metade da média do País.
Os dados são mais do que positivos, mas representam também um enorme desafio. A formação de capital humano e a empregabilidade hoje são temas centrais para garantir a sustentabilidade do nosso crescimento nos próximos anos.
A qualificação profissional já é um gargalo para nossas empresas. Quase dois terços (61%) das ocupações no Estado exigem atualmente ensino médio ou formação técnica, e empresas de diversos setores enfrentam dificuldades de contratação. Precisamos fazer algo a respeito.
Dias atrás, o movimento empresarial ES em Ação promoveu um amplo debate sobre o assunto, com a presença de lideranças empresariais e de autoridades estaduais, como o governador Renato Casagrande e o vice-governador Ricardo Ferraço. Pude participar de um dos painéis, com o vice-presidente da Fecomércio, José Carlos Bergamin, o diretor-geral da Findes, Roberto Campos de Lima, e a economista e consultora Silvia Varejão.
Defendi, na ocasião, a formação de um pacto capixaba pela competência, para preparar a nossa mão de obra para este ciclo de desenvolvimento que vivemos. O pacto pela competência deve unir o setor produtivo e o governo do Estado, numa agenda com articulação nacional, observando alguns pilares.
O primeiro pilar é inteligência de mercado, para mapear a demanda existente, identificando quais ocupações e competências vão crescer nos próximos meses e observando também as necessidades por setor e por região.
Em segundo lugar, vem a formação modular, com cursos mais curtos, para competências específicas, e, em terceiro, grande foco em requalificação de quem já está no mercado. A maior parte da necessidade não virá de novos trabalhadores, mas sim da transformação dos atuais postos de trabalho.
Diante de um cenário tão promissor na economia, o grande desafio do Estado hoje é converter o nosso potencial humano em capacidade produtiva real, em escala e com velocidade.
Dados sobre o mercado de trabalho no Estado mostram que cerca de 40% da mão de obra ocupada segue na informalidade e cerca de 130 mil pessoas estão em situação de subutilização da força de trabalho. Ou seja: o Estado não pode tratar empregabilidade como tema periférico. Precisamos nos mobilizar em torno desse pacto pela competência.
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