Censo Imobiliário: falta de mão de obra já é problema maior que juros
Escassez de mão de obra supera juros e trava novos projetos imobiliários na Grande Vitória
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Um dado chama a atenção no 46º Censo Imobiliário: a escassez de mão de obra aparece entre os principais fatores que limitam novos projetos imobiliários, tornando-se um entrave ainda maior que a própria taxa de juros.
“Os juros elevados ainda são um dos principais problemas, mas a escassez de mão de obra se destacou neste ano como um dos principais entraves para o crescimento do segmento de incorporação”, afirmou o diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, Eduardo Borges.
Há outros entraves apresentados pelos empresários, como escassez de terrenos, instabilidade econômica e política nacional.
Entre os obstáculos citados, também estão a falta de infraestrutura urbana e a burocracia nos processos de aprovação e licenciamento junto às prefeituras.
Outro ponto de destaque é a insegurança jurídica, especialmente relacionada às diretrizes dos Planos Diretores Municipais (PDM).
A escassez de mão de obra e os juros elevados não são problemas pontuais. Pelo contrários, outros setores enfrentam a mesma dificuldade.
“Falta de mão de obra qualificada, juros elevados e Custo Brasil são os principais desafios que precisamos enfrentar”, destacou Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
O vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, ressalta que a escassez de mão de obra existe, é relevante e atinge todos os níveis da economia — desde o trabalho simples, operacional ao trabalho de média e alta qualificação.
“Todavia, apesar de já inibir a expansão das empresas de comércio e serviços, ainda não deve ser o principal entrave inibidor do crescimento para o comércio e serviços. O verdadeiro limitador hoje é o baixo poder de compra da população”.
Segundo ele, o Brasil não sofre por falta de demanda — sofre por incapacidade de consumo.
“As pessoas precisam consumir, querem consumir, mas não conseguem. E não conseguem porque o custo Brasil é alto: carga tributária excessiva, baixa produtividade, atraso tecnológico e juros que encarecem tudo”, afirma Bergamin.
“Portanto, atuamos com as dificuldades ampliadas: falta de trabalhador e de consumidor. Por isso, mesmo que houvesse abundância de mão de obra, ela não seria absorvida. O gargalo está do outro lado — na falta de demanda real para sustentar o crescimento”, conclui.
Saiba Mais
Em construção
19.469 unidades estão sendo construídas na Grande Vitória, cerca de 14% a mais que o censo anterior, sendo 18.969 residenciais, o maior número de unidades dos últimos cinco anos, e 500 na categoria comercial.
Por municípios
Vila Velha
Segue concentrando o maior número de empreendimentos e de unidades em obra. Há 127 canteiros de obra no município, totalizando 9.801 unidades em construção, o que equivale a 50,3% do total de unidades em construção.
Serra
Vem em segundo lugar, com 4.776 unidades em construção, seguida de perto pela capital, com 4.455 unidades.
Cariacica
Tem cinco empreendimentos, que totalizam 437 unidades. No levantamento anterior, eram 729 unidades.
Curiosidade
O percentual de vendas no segundo semestre de 2025 manteve-se estável. Do total de 19.469 unidades em construção, 74,9% já estão vendidas.
De julho a dezembro de 2025, foram lançadas 3.822 unidades na Grande Vitória e 1.626 foram concluídas.
Valor Geral de Venda (VGV)
Esta edição do Censo Imobiliário traz uma informação nova: o Valor Geral de Venda (VGV) do mercado primário. No segundo semestre de 2025, o VGV residencial relativo aos lançamentos foi de R$ 3,2 bilhões.
O que isso significa?
Para o diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, Eduardo Borges, isso significa que o mercado imobiliário movimentou em torno de R$ 500 milhões por mês na Grande Vitória (imóveis novos).
A pesquisa novamente demonstra que os preços médios de imóveis residenciais em oferta no mercado primário são, de modo geral, mais altos em Vitória, seguidos de Vila Velha e Serra.
Preço médio
O preço médio do metro quadrado chegou a R$ 22.713 em Vitória, na tipologia de quatro quartos ou mais.
Em Vila Velha, a mesma tipologia registrou o preço médio de R$ 19.939.
Já o menor preço médio foi registrado na tipologia de dois quartos, no município de Cariacica: R$ 6.152. São imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida.
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