Com Guerra no Oriente Médio, petróleo pode superar R$ 1.000 o barril?
Analistas de instituição financeira australiana dizem que sim, caso o conflito se estenda até junho deste ano, devido ao estreito fechado
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O preço do petróleo pode ultrapassar US$ 200 (R$ 1.053, na cotação de segunda-feira (30)) por barril se a guerra no Irã continuar até junho, avaliam analistas da instituição financeira global australiana Macquarie Group.
A informação foi divulgada pela Bloomberg, citando análise do grupo australiano.
Os analistas afirmam que se o Estreito de Ormuz — por onde passa 20% da oferta global de petróleo — continuar fechado, esse valor deixará de ser uma fantasia. Na segunda-feira (30), os preços do petróleo Brent chegaram a ultrapassar US$ 115 (R$ 602) por barril.
“Se o estreito permanecesse fechado por um período prolongado, os preços precisariam subir o suficiente para destruir uma parcela historicamente grande da demanda global de petróleo”, escreveram os analistas da Macquarie Group no relatório.
Acrescentaram ainda que, se o conflito se estender pelo segundo trimestre, isso significaria “preços historicamente elevados”.
“O momento da reabertura do estreito e os danos físicos à infraestrutura energética são os principais fatores determinantes do impacto a longo prazo sobre as commodities”.
Para eles, a probabilidade para que isso aconteça é de 40%. Outro cenário analisado, com 60% de chances de ocorrer, sugere que a guerra pode acabar em abril.
Segundo informações da Macquarie, antes da guerra, passavam diariamente pelo Estreito de Ormuz cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto e outros 5 milhões de barris de derivados.
O conflito no Oriente Médio, entre Estados Unidos, Israel e Irã, completou um mês no último sábado. Na sexta-feira (28), o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que o Irã sofreria graves consequências caso não aceitasse seu plano de paz, de acordo com reportagem publicada em A Tribuna também na sexta-feira (28).
“Se não concordarem, seremos o pior pesadelo deles. Enquanto isso, vamos continuar a explodi-los, sem impedir, sem parar”, disse o presidente norte dos Estados Unidos durante reunião de gabinete.
O governo iraniano teria dito que a proposta oferecida é injusta e unilateral.
Acrescentou ainda que um caminho a seguir ainda poderia ser encontrado se o realismo prevalecesse em Washington.
Inflação ampla e desabastecimento
Em um cenário em que o barril de petróleo ultrapassa os R$ 1.000, os danos para a economia global vão da inflação ampla até a possibilidade de desabastecimento, afirmam especialistas.
“Isso pode levar o Brasil a uma “tempestade inflacionária” caso esse cenário seja mantido por meses”, explica Marcelo Loyola Fraga, economista e diretor-geral da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan).
Ele explica que esse cenário representa um tipo de crise na oferta — ou seja, falta de produtos no mercado — em uma escala rara.
“Isso pode afetar a economia de várias formas, com impacto direto nos juros, que tendem a subir, e no crescimento do País, que pode desacelerar”, analisa.
No Espírito Santo, entretanto, a situação é paradoxal. Por um lado, o preço elevado do petróleo poderia aumentar a arrecadação de royalties e turbinar o Produto Interno Bruto (PIB) capixaba. “O Estado é um dos maiores produtores de petróleo do Brasil”, destaca.
Por outro lado, o ES depende “intensamente” do transporte rodoviário e, “com o diesel nas nuvens, encarece todo o setor de transporte de cargas (café, rochas ornamentais, celulose), reduzindo a margem de lucro das empresas locais e aumentando o custo de vida capixaba”, afirma.
O economista Ricardo Aguilar acrescenta que todo o preço do transporte de cargas seria elevado, incluindo aviação, o que acabaria sendo repassado para toda a cadeia de produção.
Em último caso, isso poderia gerar desabastecimento. “Mais depende do preço continuar alto por muito tempo. Hoje a gente fala que há uma volatividade no preço”.
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