Pesquisa aponta que 48% das famílias do ES são chefiadas por mulheres
O “Atlas da Mulher”, que traz o índice de qualidade de vida das mulheres, mostrou exaustão e sobrecarga do público feminino
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Uma pesquisa feita com mais de 1,4 mil mulheres em 19 segmentos sociais, entre 2024 e 2025, revelou que 48,14% das mulheres no Estado afirmam ser as principais provedoras do lar.
Este é o caso da auxiliar de saúde bucal Maria de Fátima dos Santos Couto, de 54 anos, que ficou viúva há uma década, quando a filha, Caroline, tinha 14 anos. Ela conta que enfrentou o cansaço para criar a menina como única provedora do lar.
“Foi muito difícil, tive depressão, crises de ansiedade e problemas de pressão. Fui desacreditada e enganada financeiramente por homens que se aproveitavam porque eu era sozinha criando minha filha. Como eu, existem ainda muitas outras mulheres lutando sozinhas para criar os filhos”.
Histórias como a de Maria de Fátima podem ser encontradas no “Atlas da Mulher”, um documento feito pelo governo do Estado, por meio da Secretaria das Mulheres (SESM).
O “Atlas” foi lançado em formato de livro de capa dura com 594 páginas, em cerimônia na Praia do Canto, ontem. Estiveram no lançamento a ministra das Mulheres, Márcia Helena Carvalho Lopes, o governador Renato Casagrande, a secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes, e outras líderes políticas.
“Foram mais de 16 mil quilômetros rodados ouvindo mulheres em todo o território do Espírito Santo. O 'Atlas' traz o índice de qualidade de vida das mulheres, e mostrou a exaustão e sobrecarga delas, que independente de terem companheiros ou não, são provedoras do lar”, declarou a secretária de Estado das Mulheres.
O documento reúne ainda dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de outras bases nacionais. A abrangência das pesquisas para o documento foi importante para construir um panorama das condições em que vivem as mulheres no Espírito Santo, destaca a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
“As pesquisadoras do 'Atlas' se encontraram com 19 grupos de mulheres. Indígenas, quilombolas, catadoras de recicláveis, profissionais rurais, as mais diferentes profissões. Isso foi importante para criar um instrumento de planejamento para atender às necessidades das mulheres capixabas, que trabalham, cuidam dos filhos e da casa, cumprindo jornada dupla e até tripla de trabalho”, destacou.
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Provedoras do lar
48,14% das mulheres afirmaram, em pesquisas para o “Atlas da Mulher”, que são as principais provedoras do lar.
Esse panorama converge com as informações do Censo de 2022, cujo resultado de mulheres responsáveis pelos domicílios particulares chega a 45,5%.
Três segmentos apresentaram a maior proporção de mulheres sendo as principais provedoras: Mulheres Trabalhadoras Domésticas (76%), Mulheres Idosas (75%) e Mulheres Periféricas (64,4%).
Mulheres pardas e pretas compõem a base da pirâmide social, enfrentando as maiores dificuldades de inserção qualificada no mercado de trabalho e as menores remunerações.
“Atlas da Mulher”
O Livro, lançado em Vitória ontem em formato de capa dura com 594 páginas, articula dados estatísticos com pesquisa qualificada para orientar a formulação de políticas públicas mais eficazes e alinhadas à realidade das mulheres.
O documento ouviu mais de 1,4 mil mulheres em 19 segmentos sociais, como quilombolas, indígenas, catadoras de recicláveis, profissionais rurais, dentre outras.
Rodas de conversa foram realizadas com essas mulheres em diversas regiões do Estado, entre 2024 e 2025.
O “Atlas” apresenta o índice de qualidade de vida das mulheres, panorama das mulheres no Espírito Santo e diversos relatos de mulheres de todo o território capixaba.
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