Petrobras vai investir R$ 30 bilhões até 2030 no Espírito Santo
Presidente da estatal disse que aporte entre este ano e 2030 inclui gás, energia e logística e prevê abertura de 21 mil postos de trabalho
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A Petrobras anunciou que planeja investir R$ 30 bilhões entre este ano e 2030 no Espírito Santo em exploração e produção, projetos de gás e energia, e também logística, com criação de 21 mil postos de trabalho.
O anúncio foi feito ontem pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no Fórum Internacional de Descomissionamento no Estado. O evento teve ainda participação de Paulo Baraona, presidente da Findes; do governador Renato Casagrande; de Márcio Félix, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP); além de Shozey Jafferi, representante do governo do Reino Unido.
“(Os investimentos são) para projetos de exploração e produção, para projetos de gás e energia e para a logística, aqui no Espírito Santo. Nós vamos entregar 75 novos poços de produção, e vamos criar cerca de 21 mil postos de trabalho”, afirmou Magda.
Ela disse que o Estado tem hoje 11 plataformas, 126 poços e duas unidades de tratamento de gás, e que o navio-plataforma Maria Quitéria vai receber novos recursos.
“Em relação aos investimentos futuros, pretendemos alocar recursos em projetos, incluindo a plataforma Maria Quitéria, que produz mais de 100 mil barris de petróleo por dia no pré-sal capixaba e é capaz de processar 5 milhões de metros cúbicos de gás por dia”.
Segundo Magda, a plataforma contribui para aumentar a produção e, assim, reduzir o custo do gás para a população. A capacidade de produção de gás no geral já subiu de 44 milhões para 50 milhões de metros cúbicos por dia. Do mesmo modo, houve picos de 52 milhões.
A estratégia é aumentar a oferta para reduzir custos e estimular a atividade econômica. “Estamos aumentando a produção de gás porque ajuda a reduzir o preço”.
O governador Renato Casagrande, ao falar dos investimentos anunciados, disse que o Estado possui um enorme potencial no setor e que fortalece a indústria.
“Diversas empresas capixabas desenvolvem métodos e equipamentos inovadores para otimizar a exploração, proteção e outras atividades relacionadas ao petróleo e gás. Reconhecemos, portanto, a importância estratégica desse setor”, avaliou.
Seatrium produzirá 2 plataformas
Projetos ligados à construção de plataformas somam investimentos estimados em R$ 45 bilhões, como a P-84 e P-85, com contratos com a Seatrium, de Aracruz, para a fabricação dos módulos de topside – parte superior de plataformas de petróleo e gás.
Segundo a presidente da Petrobras, essas unidades são fundamentais para sustentar o crescimento da produção no País nos próximos anos.
“A previsão de horizonte desses investimentos é para o finalzinho de 2026, 2027 e 2028. Então tudo isso diz respeito a bens que estão sendo fabricados no Seatrium, onde nós chegamos a ter, no ano de 2025, 7.500 trabalhadores para a conclusão do topside da plataforma P-82”, afirmou.
As duas unidades serão próprias e instaladas, respectivamente, nos campos de Atapu e Sépia, em águas ultraprofundas, no pré-sal da Bacia de Santos, com início de produção previsto entre 2029 e 2030.
As duas novas plataformas são do tipo FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência) e serão instaladas em profundidade de água superior a 2 mil metros. As plataformas P-84 (Atapu) e P-85 (Sépia) terão, cada uma, capacidade de produção diária de 225 mil barris de óleo por dia e processamento de 10 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
R$ 3,7 bilhões em novos contratos
Com o novo ciclo, a Petrobras já assinou R$ 3,7 bilhões em novos contratos com a indústria local, com expectativa de criar mais 7 mil empregos nos próximos dois anos. Do mesmo modo, a cadeia de fornecedores locais deve ter ainda mais demandas.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse no Fórum Internacional de Descomissionamento que em 2025 a Petrobras movimentou R$ 3,3 bilhões no Estado, por meio de mais de 500 empresas contratadas. Nesse sentido, esse volume sustentou cerca de 12 mil empregos diretos e indiretos.
“São mais de 9 mil empresas e fornecedores cadastrados na Petrobras aqui no Estado do Espírito Santo. Empresas e fornecedores de todos os portes, desde o pequeninho até o grande”, disse.
Magda destacou que entre as empresas locais, estão Prysmian, Imetame, Tenaris e Tecnip, que fornecem, por exemplo, umbilicais submarinos, equipamentos submarinos e estruturas móveis.
“O Espírito Santo está hoje ranqueado na 6ª posição entre todos os estados brasileiros, em termos de despenhos de bens e serviços da Petrobras”.
Retirada das unidades deve começar em dois anos
O descomissionamento offshore, indústria de desativação, montagem e reciclagem de plataformas de petróleo no mar deve começar em cerca de dois anos, segundo Paulo Baraona, presidente da Findes. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que portos do Estado podem ser usados como “acostamento” para iniciar o processo.
Baraona afirmou que a demanda da Petrobras exige o descomissionamento e que “acostamento” significa levar plataformas a portos do Estado, citando o Porto Central, ainda em construção, e o da Vports, na Barra do Riacho, acrescentando que a Vports trabalha para isso, demonstra interesse e participou de viagem com a comitiva à Noruega e ao Reino Unido.
Avaliou que a efetivação deve levar de um a dois anos.
O governador Renato Casagrande disse que Magda demonstrou interesse no Porto Central, em Presidente Kennedy, e que, em almoço com a presidente e sua equipe, trataram do tema e de outros assuntos, incluindo o porto, cujos investimentos já começaram, conforme visita com Ricardo Ferraço.
Casagrande recebeu homenagem de Baraona durante o evento.
Saiba mais
Descomissionamento
O Estado entrou de forma pioneira na rota global do descomissionamento offshore — indústria responsável pela desativação, desmontagem e reciclagem de plataformas de petróleo marítimas no fim da vida útil.
O Espírito santo tem 26 projetos de descomissionamento aprovados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Com isso, a expectativa é que sejam movimentados R$ 5,4 bi no Estado nos próximos anos, com criação de empregos cujos salários chegarão a R$ 40 mil, conforme reportagem de A Tribuna do último domingo.
Participam do Fórum Internacional de Descomissionamento no Espírito Santo 10 empresas da região do Mar do Norte (Noruega e Reino Unido), que pretendem investir e estabelecer conexões no setor.
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