Vitória tem a maior alta no valor do aluguel de imóveis
Capital registra alta de 18,99% em 12 meses, acima da média nacional, mas setor diz que índice não reflete contratos fechados
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Vitória tem a maior alta de preços no aluguel de imóveis do País, segundo o Índice FipeZap. A capital capixaba registrou aumento de 18,99% no acumulado de 12 meses até fevereiro — acima da média nacional, de 8,96% —, com o metro quadrado custando, em média, R$ 54,16.
E o motivo? Para o economista Eduardo Araujo, “a leitura mais plausível é que há mais gente disputando um estoque relativamente escasso de imóveis”.
Ele explica que o índice acompanha os valores anunciados para novos aluguéis e não considera os reajustes de contratos em vigor. Isso ajuda a entender por que, mesmo com o IGP-M em queda, com variação negativa de 2,67%, esse movimento não se reflete nos preços atuais das locações.
“O avanço do aluguel em Vitória acima da média nacional sugere um mercado mais pressionado, com forte demanda diante de uma oferta que não cresce no mesmo ritmo”, acrescenta.
Segundo o economista, “a pressão de demanda pode ser reforçada pela boa posição em rankings de competitividade e pela qualidade institucional”, diz. Por outro lado, ele destaca limitações estruturais da cidade.
“Vitória tem um problema sério de falta de imóvel para alugar. Há uma escassez que faz com que os preços subam”, complementa Erivelton Moreira, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Espírito Santo (Sindimóveis-ES).
Ele acrescenta que outros fatores, como taxas de juros elevadas e falta de informação sobre financiamentos, também contribuem para a alta.
Charles Bitencourt, vice-presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário e do Sindicato das Empresas de Administração e Comercialização Imobiliária do Espírito Santo (Ademi-ES), afirma que a realidade pode ser diferente da apontada pela pesquisa, com reajustes na capital ocorrendo em torno de 10%.
Ele ressalta que o índice considera valores anunciados, que nem sempre correspondem ao que é efetivamente fechado em contrato.
Outro ponto, segundo ele, é que, em outras capitais, a pesquisa contempla uma faixa mais ampla de imóveis, de diferentes padrões de renda — o que não ocorreria da mesma forma em Vitória.
“Há pouca oferta em comparação, e a pesquisa acaba não condizendo com a realidade do mercado em termos de reajuste”, afirma o vice-presidente da Ademi-ES.
Custo de vida no Espírito Santo está acima da média nacional
O custo de vida no Espírito Santo está acima da média nacional, de acordo com uma pesquisa do Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. Enquanto a média mensal no País é de R$ 3.520, no ES chega a R$ 3.780.
Entre os itens analisados, a moradia — que inclui aluguel, condomínio e financiamento — aparece como um dos principais fatores de peso no orçamento. Nesse quesito, o Estado ocupa o 4º lugar entre as capitais brasileiras.
O movimento acompanha a alta recente dos aluguéis, especialmente em Vitória, onde os preços têm avançado acima da média nacional. Segundo o índice FipeZap, a alta tem se mantido constante desde março do ano passado.
A valorização dos imóveis tem chamado atenção até de profissionais do setor. Segundo Erivelton Moreira, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Espírito Santo (Sindimóveis-ES), os valores na capital vêm surpreendendo.
Diante dos preços mais elevados, parte da população tem buscado alternativas fora de Vitória. A Serra, por exemplo, tem atraído moradores em busca de um custo de vida mais baixo, segundo ele.
“Acredito que o mais importante é a pessoa pensar se vale mais a pena alugar um imóvel ou adquirir um direto da construtora. É sempre bom conversar com um corretor ou gestor imobiliário para fazer essa conta”, orienta.
Nesse caso, o programa Minha Casa, Minha Vida, que oferece melhores condições dependendo da faixa de renda, também pode ser uma opção. O governo federal está analisando aumentar o teto de R$ 500 mil para 600 mil.
No mercado imobiliário, o momento também é de ajuste. De acordo com Charles Bitencourt, vice-presidente da Ademi-ES, muitos contratos firmados durante a pandemia estão sendo renegociados. “Agora, na renovação, você acaba tentando trazer o valor do imóvel para o valor de mercado”, afirma.
Saiba Mais
FipeZap
Indicador nacional de preços de imóveis, cujas variações são calculadas com base em informações de amostras de anúncios de imóveis para venda e locação veiculados nos portais do Grupo OLX (Zap, Viva Real e OLX).
36 cidades foram monitoradas pelo índice, sendo que 34 delas apresentaram valorização do aluguel nos últimos 12 meses. Isso inclui 21 das 22 capitais monitoradas. Apenas em Campo Grande (MS), houve redução do preço do aluguel.
Dados gerais
Preços de locação residencial tiveram alta de 0,94%, em fevereiro. Segundo o FipeZap, esse resultado superou a variação dos preços de venda de imóveis residenciais e a inflação ao consumidor.
Com respeito a outros índices, o IPCA/IBGE exibiu uma inflação ao consumidor de 0,70% e o IGP-M/FGV, um decréscimo de 0,73% nos preços da economia.
Vitória
Teve a maior alta entre as cidades analisas pelo Índice, tendo sido analisados 683 anúncios para alcançar esse resultado.
Desde março de 2025, quando estava próximo a 5%, o preço do aluguel do imóvel só vem aumentando.
Por quê?
Especialistas explicam que a alta dos preços na capital capixaba tem vários motivos. Um deles é a limitação geográfica, considerando que Vitória não tem mais onde construir.
Outro motivo são as altas taxas de juros, que levam muitas pessoas a evitar comprar um imóvel.
Combinado a isso, há a falta de informação acerca de condições de financiamento, de acordo com especialistas.
Ranking
1º - Vitória (ES) - +18,99%
2º - Teresina (PI) - +18,70%
3º - Niterói (RJ) - +18,07%
4º - Cuiabá (MT) - +17,58%
5º - Pelotas (RS) - +16,45%
6º - Belém (PA) - +15,77%
7º - Campinas (SP) - +15,40%
8º - São José do Rio Preto (SP) - +14,68%
9º - João Pessoa (PB) - +12,64%
10º - Natal (RN) - +12,59%
Bairros
Enseada do Suá e Santa Lúcia tiveram os maiores aumentos na variação do preço do aluguel em 12 meses. O preço teve alta de 43,7% na primeira e 100,7% na segunda.
Investimento
O índice fipezap também acompanha o rendimento de imóveis para quem compra com a intenção de investir. De acordo com o relatório mais recente, esse retorno foi, em média, de 6,03% ao ano — abaixo do que algumas aplicações financeiras renderam no mesmo período.
Entre as capitais analisadas, Vitória teve o menor rendimento, com retorno de 4,43% ao ano.
Limitações
Especialistas alertam que os dados apresentados pelo índice FipeZap são limitados e podem não apresentar a realidade do mercado no Espírito Santo.
Um dos motivos é a amostra estar limitada a anúncios on-line.
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