Mais três mil imóveis do Minha Casa, Minha Vida para a classe média
Empresários preveem mais empreendimentos participantes do programa, que agora contempla famílias com renda de até R$ 13 mil
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O conselho do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) confirmou o aumento nos limites de valores do Minha Casa, Minha Vida.
Com isso, a expectativa de empresários é que, no Espírito Santo, sejam construídos neste ano mais 3 mil imóveis da chamada Faixa 4 do programa, voltada para a classe média, com renda familiar de R$ 9.600,01 a R$ 13 mil.
No total, considerando todas as faixas, a previsão é de 11 mil imóveis, segundo o presidente da Associação de Construtores Capixabas e da Cit Construtora, João Roncetti.
“A ampliação da Faixa 4 vai possibilitar mais 3 mil unidades entre a execução e o lançamento”, destaca, acrescentando que além de possibilitar mais financiamentos, esse reajuste pode ampliar a oferta de bairros.
A Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES) explica que ainda não tem uma estimativa de imóveis afetados, mas destaca que o reajuste vai viabilizar novos projetos e garantir a possibilidade de alguns já iniciados.
“Estamos observando uma redução da oferta de produtos enquadrados no programa justamente pela dificuldade de os incorporadores encontrarem um ponto de equilíbrio entre o custo de construção, preço de venda e a renda familiar dos compradores. A atualização em questão ajuda nessa equação”, explica Fabiano Martins, diretor da Ademi.
Imóveis melhor localizados também serão uma consequência do aumento da faixa, aponta Estevão Barbosa, diretor da Comissão de Habitação de Interesse Social do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES).
“A possibilidade de os imóveis do programa se aproximarem mais das praias e dos centros comerciais começa a se tornar viável”, diz.
A mudança também vai aquecer o setor imobiliário capixaba, apontam os especialistas. Nacionalmente também, segundo Romeu Braga, sócio-fundador e CEO da Rev³ Incorporadora, especializada em moradia popular em São Paulo.
“Vai trazer um movimento maior no setor, mais empreendimentos e empregos. Além de trazer mais pessoas ao programa”, afirma.
Empresários divididos sobre projetos na capital
Empresários estão divididos sobre se o aumento dos limites de valores do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) vão permitir empreendimentos na capital. Para o Presidente da Associação de Construtores Capixabas e da Cit Construtora, João Roncetti, seria possível.
“O aumento do valor do teto vai permitir que o programa inclua mais bairros, locais onde antes não havia condições de ter um empreendimento, como Vitória”, aponta. Ele explica que há regiões na capital onde o terreno tem um valor que permitiria a empreitada, como Tabuazeiro e Maruípe. “Se o Plano Diretor Municipal permitir”.
Estevão Barbosa, diretor da comissão de habitação de interesse social do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo, também vislumbra essa possibilidade.
Já Alexandre Schubert, presidente da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo, não acredita que um imóvel do MCMV aconteça tão cedo.
“Tenho o sonho de que isso acontecesse, mas não acredito que será agora”.
Saiba Mais
Novas regras
A Faixa 1 passou a contemplar famílias com renda bruta de até R$ 3.200. Isso significou um aumento de 12% no limite.
Permitindo que mesmo com o reajuste do salário mínimo que entrou em vigor este ano, para R$ 1.621, a faixa se situe próxima a dois salários mínimos.
Já a Faixa 2 teve o teto elevado de R$ 4.700 para R$ 5 mil (9%), enquanto a Faixa 3 avançou de R$ 8.600 para R$ 9.600 (12%).
Classe média
A Faixa 4, voltada à classe média, teve o limite ampliado de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
Teto
O teto do valor dos imóveis das faixas 3 e 4 foi ampliado, de R$ 350 mil para R$ 400 mil e de R$ 500 mil para R$ 600 mil, respectivamente.
O valor máximo dos imóveis nas faixas 1 e 2 já tinha sido aprovado em 2025 e entrou em vigor em janeiro. Ele está entre R$ 210 mil a R$ 275 mil, variando de acordo com o número de habitantes da localização do imóvel.
Benefícios
O Minha Casa, minha vida oferece juros e subsídios que variam conforme a renda familiar bruta.
Para famílias enquadradas nas faixas 1 e 2, há um subsídio, ou seja, uma parte do valor do imóvel é paga com recursos do governo federal. Os juros também são menores que o valor do mercado imobiliário. É calculado no momento da contratação do financiamento imobiliário junto a Caixa, considerando renda familiar e valor do imóvel.
Impacto
De acordo com Sandro Pereira Silva, secretário-executivo substituto do Conselho, o impacto estimado das medidas no orçamento de descontos é de R$ 500 milhões. Além de R$ 3,6 bilhões em crédito habitacional que será suportado pelo orçamento disponível no Fundo Social.
87,5 mil famílias brasileiras
A atualização das faixas vai beneficiar ao menos 87,5 mil famílias brasileiras com a redução nas taxas de juros em seu financiamento habitacional, segundo informações do Ministério das Cidades.
Cerca de 31,3 mil famílias serão incluídas na faixa 3 do programa, e outras 8,2 mil famílias da classe média terão acesso ao Minha Casa, Minha Vida pela faixa 4.
6,3 milhões
Romeu Braga, sócio-fundador e CEO da Rev Incorporadora, especializada em moradia popular em São Paulo, estima que 6,3 milhões de pessoas serão incluídas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, após a alteração.
11 mil
Esse é o número de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida no Estado previstas em 2026. Aproximadamente 6 mil unidades estão incluídas nas faixas 1 e 2 do programa, em andamento, lançamento em fase de contratação. Mais 2 mil estão na faixa 3 e 3 mil na faixa 4.
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