Remédios vão ficar até 3,81% mais caros a partir de 1º de abril
Nem todos os produtos terão reajuste imediato, já que muitas farmácias ainda têm estoques comprados antes do aumento dos valores
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A partir de abril, comprar medicamentos pode pesar mais no bolso dos brasileiros. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou o reajuste anual dos produtos em até 3,81%.
O órgão, ligado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), define todos os anos o teto que pode ser aplicado pela indústria farmacêutica no valor dos medicamentos, divididos por diferentes categorias.
No caso de medicamentos com maior concorrência no mercado, ficou autorizado reajuste de até 3,81%. Já os medicamentos que têm concorrência intermediária (nível 2) poderão aplicar um aumento de até 2,47%.
Por fim, ficou estabelecido que os remédios com menor concorrência poderão ter um teto de reajuste de até 1,13%.
O secretário-executivo da CMED, Mateus Amâncio Vitorino de Paulo, ressaltou que, apesar da autorização dos novos valores, o reajuste não é automático ou obrigatório para as empresas do setor farmacêutico.
“A gente tem um controle de preços dos medicamentos. A CMED estabelece o preço máximo pelo qual o remédio pode ser vendido no País, e esse valor é reajustado todos os anos com base em uma fórmula”, afirmou.
Segundo ele, o cálculo para definir o teto do reajuste parte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas inclui outros fatores que reduzem o percentual final. “O reajuste de medicamentos não é maior que o IPCA.”
A farmacêutica e correspondente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Espírito Santo, Michelly Marchiori, enfatizou que o impacto do reajuste não é necessariamente imediato para o consumidor.
“Quando o aumento é autorizado, a indústria já atualiza suas tabelas. Mas as farmácias trabalham com estoque, então esse repasse pode acontecer aos poucos, conforme a reposição dos produtos”, afirmou.
Segundo ela, o reajuste autorizado neste ano é sutil, por isso não deve ter um impacto tão grande. “O aumento é próximo ao do ano passado e abaixo de outros custos que vêm subindo no País”, disse.
Análise
“Consumidor deve pesquisar preços”
“Os índices de reajustes definidos representam apenas o limite máximo permitido, não sendo obrigatória a aplicação integral.
Por isso, o consumidor deve se manter atento e continuar pesquisando preços entre diferentes estabelecimentos, já que podem existir variações significativas e descontos aplicados.
A regulação de preços no setor farmacêutico é essencial justamente por se tratar de um mercado sensível, que envolve produtos indispensáveis à saúde e, muitas vezes, à sobrevivência.
Sem esse controle, aumentos desproporcionais poderiam comprometer o acesso da população aos tratamentos necessários e contínuos.”
Saiba Mais
Aumento é o menor dos últimos 7 anos
Reajuste anual de medicamentos
Todos os anos, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabelece critérios para fixação e ajuste de preços de medicamentos.
São definidos preços máximos de comercialização dos medicamentos no Brasil, bem como os índices máximos do ajuste anual de preços.
Critérios para reajuste
Entre os fatores que compõem a fórmula da CMED usada para definir os limites máximos de reajuste está o IPCA de fevereiro.
O reajuste também leva em consideração outros critérios econômicos, custos de produção e produtividade do setor, garantindo equilíbrio entre acesso da população e sustentabilidade da indústria farmacêutica.
Aumento em 2026
Nível 3 (medicamentos com maior concorrência no mercado): até 3,81%.
Nível 2 (medicamentos que possuem concorrência intermediária): até 2,47%.
Nível 1 (remédios com menor concorrência): até 1,13%.
Quando começa a valer
A partir de 1º de abril, a indústria farmacêutica está autorizada a reajustar até o limite máximo o valor dos medicamentos.
A fixação do reajuste não significa que a indústria tem obrigação de aumentar todos os medicamentos.
O governo estabelece um teto máximo de aumento, mas cada indústria decide se aplicará o reajuste integral, parcial ou nenhum ajuste em determinados produtos.
Para o consumidor
O reajuste pode ser sentido em alguns produtos de imediato e em outros não, já que muitas farmácias ainda têm estoques comprados antes do reajuste dos valores.
Nesse caso, o consumidor pode sentir a mudança de forma gradual.
Além disso, o preço final pode variar de acordo com descontos, promoções e políticas comerciais das farmácias, além de programas de acesso a medicamentos.
Reajuste anual médio nos últimos anos
ANO - %
2005 - 6,64%
2010 - 4,64%
2015 - 6,35%
2020 - 4,22%
2021 - 8,44%
2022 - 10,89%
2023 - 5,60%
2024 - 4,50%
2025 - 3,83%
2026 - 2,47%
Como conferir o preço máximo do medicamento
A lista de preços máximos permitidos para a venda de medicamentos é disponibilizada para consulta dos consumidores e é atualizada mensalmente.
A lista pode ser conferida no site: www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed.
Em caso de descumprimento das normas, as denúncias podem ser feitas no mesmo local.
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