Canetas para perder peso devem ter preço mais baixo
Expectativa é que com a queda da patente, prevista para amanhã, a concorrência do princípio ativo possa ser ampliada
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Um dos medicamentos que mudaram o tratamento de sobrepeso e obesidade, a semaglutida está prestes a ter a queda de sua patente no Brasil, prevista para amanhã.
A expectativa é que, com a queda, a concorrência do princípio ativo do Rybelsus (semaglutida oral), Ozempic e Wegovy (semaglutidas injetáveis), da Novo Nordisk, possa ser ampliada e os preços fiquem mais baixos, segundo especialistas.
Ao menos 14 pedidos de análise já foram recebidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de empresas como EMS, Hypera Pharma, Cimed e Biomm, para produtos concorrentes à base de semaglutida.
“Esses pedidos são para produção da medicação em forma de similar. Acreditamos que o preço deva cair, porque essa é a tendência, mas antes temos de aguardar a liberação da Anvisa para a fabricação desses similares”, explicou a farmacêutica Danielle Carmichael, da Farmes da Praia do Canto, Vitória.
Hoje, o Wegovy – indicado para o tratamento de obesidade – custa, em média, valor com desconto de laboratório, a partir de R$ 875, na dosagem de 0,25 mg, com quatro doses.
A endocrinologista Rita Cesquim, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado (SBEM), ressalta que o valor, muitas vezes, limita a prescrição.
“Às vezes, deixamos de prescrever, pois o paciente relata não ter condições de pagar e é um medicamento para ser usado a longo prazo. Com o custo mais baixo podemos atuar mais precocemente, principalmente no diabético tipo 2 com obesidade e alto risco cardiovascular. E isso só vai trazer benefícios para o paciente”.
Já a endocrinologista Flávia Tessarolo destaca que, apesar da chegada das cópias de semaglutida ampliarem o acesso ao tratamento do diabetes e obesidade, também pode aumentar o uso indiscriminado desses medicamentos.
“Apesar da exigência de receita para a compra dessas medicações na farmácia, temos visto com preocupação o crescimento de um mercado clandestino das 'canetas emagrecedoras', de procedência duvidosa, sem indicação e sem acompanhamento médico. E isso é colocar a vida em risco”, alerta a endocrinologista.
Fique por dentro
Fim da patente
A patente da semaglutida, substância presente no Ozempic, Wegovy e Rybelsus, chega ao fim no Brasil amanhã. Com isso, outras empresas vão passar a ter também a possibilidade de produzir medicamentos com o mesmo princípio ativo.
Apesar da expectativa de preços mais baixos, especialistas apontam que a redução não deve ocorrer imediatamente. Isso porque ainda existem etapas regulatórias e desafios industriais que precisam ser superados antes que novos produtos cheguem às farmácias.
Recurso
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk ainda avalia, segundo a BBC News Brasil, recorrer da decisão judicial que negou a extensão da patente.
O argumento é que o tempo necessário para a análise do pedido de registro teria reduzido o período efetivo de exclusividade. No Brasil, o prazo de 20 anos começa a contar a partir do pedido, e não da concessão.
Após decisões desfavoráveis no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o caso ainda pode ser levado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Novos medicamentos ainda dependem de aprovação
Antes de chegar ao mercado, os novos produtos precisam passar pela análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, 14 pedidos de registro de medicamentos com semaglutida estão em avaliação. No entanto, a agência informou que deve conceder no máximo três autorizações por semestre, o que significa que o processo de aprovação pode se estender até 2028.
Previsão de novos medicamentos
Algumas empresas já se preparam para entrar nesse mercado. A farmacêutica EMS, uma das primeiras que devem obter autorização, afirma que suas canetas poderão ser lançadas cerca de três meses após a aprovação regulatória.
Na melhor das estimativas da empresa, os produtos começariam a ser vendidos no segundo semestre. Analistas do banco Itaú BBA projetam que o lançamento pode ocorrer por volta de agosto.
No final do ano passado, A EMS, obteve aprovação da Anvisa para a produção de dois medicamentos à base de liraglutida: Olire, para o tratamento de obesidade, e Lirux, voltado ao controle do diabetes tipo 2, ambos os produtos, classificados como análogos de GLP-1.
Novos remédios serão genéricos?
Embora muitas pessoas estejam chamando os futuros concorrentes de “genéricos do Ozempic”, a tendência é que esses medicamentos sejam registrados como similares.
diferença: Medicamentos genéricos são cópias do produto de referência e não possuem marca própria. Eles são vendidos apenas com o nome do princípio ativo e precisam comprovar que têm a mesma biodisponibilidade, ou seja, que o organismo absorve o medicamento da mesma forma que o produto original.
Medicamentos similares, por outro lado, também utilizam o mesmo princípio ativo, mas possuem nome comercial próprio. Por terem marca, podem ser vendidos por um preço diferente do genérico.
Enquanto os genéricos precisam oferecer pelo menos 35% de desconto em relação ao medicamento original, os similares podem ter redução mínima de cerca de 20%.
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