Como descoberta do Japão pode ajudar contra Parkinson
Tratamento inovador chamado Amchepry utiliza células-tronco para substituir os neurônios danificados pela doença
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Uma nova terapia aprovada no Japão pode abrir caminho para uma mudança histórica no tratamento da doença de Parkinson. O país autorizou o uso de um tratamento inovador que utiliza células-tronco para substituir neurônios danificados no cérebro, algo que, até hoje, não fazia parte das abordagens disponíveis para a doença.
Chamado Amchepry, o tratamento foi desenvolvido pela farmacêutica Sumitomo Pharma e recebeu uma aprovação condicional das autoridades sanitárias japonesas.
Isso significa que a terapia poderá ser utilizada enquanto novos estudos continuam avaliando sua eficácia e segurança em um número maior de pacientes. A expectativa é que o tratamento comece a ser oferecido ainda neste ano.
No tratamento, os pacientes recebem as células que são transformadas em precursoras de neurônios produtores de dopamina. Esses neurônios são justamente os que se perdem ao longo da doença, provocando sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e dificuldades de equilíbrio.
A neurologista Vanessa Loyola vê a descoberta com esperança, mas reforça a necessidade de cautela. “É algo empolgante e pode representar uma nova esperança para os pacientes. Mas ainda estamos em fases muito iniciais de pesquisa, foram avaliados poucos pacientes”, destaca.
O neurologista Daniel Escobar, presidente da Academia Brasileira de Neurologia do Espírito Santo, explica que a nova terapia em estudo é diferente das utilizadas no tratamento da doença atualmente.
“O racional dessa terapia é que, em vez de modular o sistema de dopamina, como os remédios fazem, ela tenta substituir por células-tronco os neurônios dopaminérgicos que são perdidos. É realmente algo novo, mas é muito cedo para dizer que isso vai ser uma mudança de paradigma, já que os estudos estão em fases iniciais”.
Mesmo sendo inicial, de acordo com o neurocirurgião André Bissoli, essa é a primeira vez que uma estratégia terapêutica mira diretamente a regeneração neuronal na doença.
“É o início de uma linha de pesquisa que começa a dar frutos. Pela primeira vez estamos tentando restaurar neurônios que morrem com o Parkinson. Até hoje os tratamentos, como medicação, são para estimular circuitos que estão prejudicados com o Parkinson, assim como a cirurgia, que usa eletricidade em forma de marca-passo cerebral”.
Médicos alertam que ainda não é a cura da doença
Apesar da nova terapia poder representar um avanço científico importante para o tratamento de pacientes com Parkinson, médicos alertam que ela não pode ser classificada como cura da doença.
“Os tratamentos atuais com medicamentos (levodopa, agonistas dopaminérgicos) e estimulação cerebral profunda continuam sendo o padrão de cuidado. A terapia celular pode eventualmente se tornar uma opção adicional para pacientes selecionados, mas provavelmente levará anos até estar amplamente disponível, considerando a necessidade de mais estudos de segurança e eficácia em longo prazo”, destaca Leonardo Maciel, neurologista da São Bernardo Samp.
A neurologista Vanessa Loyola ressalta ainda que para o tratamento são importantes também as terapias de apoio, como fisioterapia. “As pessoas não dão a necessária atenção, mas elas são importantes”.
O neurologista Daniel Escobar, presidente da Academia Brasileira de Neurologia do Espírito Santo, destaca que atualmente o tratamento se baseia nos sintomas. “Esses tratamentos não revertem a neurodegeneração”, explicou.
Fique por dentro
Nova terapia para Parkinson
O Japão autorizou o uso de um tratamento inovador que utiliza células-tronco para substituir neurônios danificados no cérebro. Chamado Amchepry, o tratamento foi desenvolvido pela empresa Sumitomo Pharma e recebeu aprovação condicional das autoridades japonesas. A expectativa é que o tratamento comece a ser oferecido a pacientes ainda neste ano.
Como funciona
A nova abordagem utiliza células iPS, obtidas a partir de células adultas reprogramadas em laboratório para retornar a um estado semelhante ao de células embrionárias. A partir delas, os cientistas conseguem gerar diferentes tipos de células do corpo.
No caso do Parkinson, essas células são transformadas em precursoras de neurônios produtores de dopamina, substância essencial para o controle dos movimentos.
Esses neurônios são justamente os que são destruídos ao longo da doença, provocando sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e dificuldades de equilíbrio.
Resultados dos primeiros testes
Nos testes clínicos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Kyoto, sete voluntários entre 50 e 69 anos receberam transplantes de cinco a 10 milhões dessas células em cada lado do cérebro.
As células utilizadas vieram de doadores saudáveis e foram cultivadas em laboratório até se tornarem precursoras de neurônios dopaminérgicos. Segundo os pesquisadores, o procedimento demonstrou segurança e sinais de melhora dos sintomas nos participantes.
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