Federação: contratar mais de 10 mil empregados será desafio do comércio
Expansão do comércio deve gerar até 10 mil vagas, mas escassez de mão de obra preocupa o setor no ES
Siga o Tribuna Online no Google
O cenário de ampliação no número de estabelecimentos comerciais e de serviços no Espírito Santo deve criar um desafio por conta da escassez de mão de obra.
Segundo o vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, cada loja aberta precisa de pelo menos dois funcionários, o que significa que em torno de 10 mil postos de trabalho serão criados para atuar nas cerca de 5 mil lojas a serem abertas no ES em 2026.
A dificuldade com a mão de obra, inclusive, foi considerada como o principal motivo para a decisão dos supermercados no Espírito Santo de fechar aos domingos a partir do último dia 1º.
Antes do acordo coletivo que selou a mudança, empresários do setor relatavam haver 6 mil vagas abertas no segmento, com dificuldade de serem preenchidas.
“O apagão de mão de obra é uma realidade em vários setores, em todo o País”, diz o superintendente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Hélio Schneider.
Doutora em administração e membro do Ibef-ES, Ana Carolina Júlio observa que essa tendência de aumento de lojas e de abertura vagas de emprego no comércio é resultado de um ambiente mais favorável para a compra de produtos e serviços.
“O rendimento médio do trabalhador capixaba aumentou em 4% em relação ao registrado em 2024, sendo o quarto ano consecutivo de crescimento real da renda”, afirma.
“Estamos vendo mais pessoas empregadas, com renda maior, o que resulta em um consumo maior e, consequentemente, uma demanda maior pelas lojas, que o que acaba aumentando o número de lojas físicas no Estado”, completa Ana Carolina Júlio.
Por conta desse cenário de demanda por profissionais, o setor de comércio e serviço já tem buscado algumas estratégias para atrair trabalhadores.
Profissionais sem experiência, idosos e jovens adultos se tornaram um público atrativo para as empresas. Além disso, aumento de salários e horários mais flexíveis, por exemplo, estão sendo adotados pelos empresários do Espírito Santo neste período de verão.
“Quando a gente fala do comércio, há ações como aumento do valor do comissionamento, melhor remuneração, oferta de benefícios não obrigatórios — como alimentação —, horário mais flexível e contratação de pessoas mais velhas ou muito jovens”, relata a presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas) de Vila Velha, Glenda Amaral.
Cenário do setor
Expansão e escassez de pessoal
Fragmentação
O vice-presidente da Federação de Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin detalhou que, apesar de shoppings e grandes lojas ainda terem força com os consumidores, há no cenário atual uma distribuição menos concentrada de lojas pelos tecidos urbanos, com investimentos pequenos e localizados.
Isso ocorre, segundo ele, porque há um movimento em busca de se aproximar mais dos clientes e lidar com a concorrência das vendas on-line. Com isso, lojas, restaurantes e outros empreendimentos estão trocando centros comerciais mais tradicionais e abrindo unidades em bairros estratégicos na Grande Vitória.
“Esses negócios em bairros acabam sendo mais flexíveis quanto a horários e há uma relação de amizade que não ocorre em grandes empresas mais tradicionais, por exemplo”, pontuou Bergamin.
Poder de compra
Segundo especialistas, essa tendência de aumento de lojas no comércio é resultado de um ambiente mais favorável para a compra de produtos e serviços. O cenário é de mais pessoas empregadas, com renda maior, o que resulta em um consumo maior e, consequentemente, uma demanda maior pelas lojas.
Dados
O setor de serviços, que engloba o comércio, foi o terceiro que mais cresceu na economia do Espírito Santo em 2025, atrás apenas da agropecuária e dá indústria.
O setor também teve o quinto maior saldo de novos empregos em 2025, com 726 novos trabalhadores nos setor, atrás apenas da construção civil, da indústria geral, da indústria da transformação e do grupamento de profissões de “informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e administrativas”.
Alta demanda e escassez
Mesmo com um dos maiores índices de contratação no Estado, o comércio é um dos que mais relata problemas com a escassez de mão de obra que é relatado por empresários de quase todos os setores no Espírito Santo e no País.
Isso ocorre devido à alta demanda por profissionais, já que cada loja precisa de ao menos duas pessoas, segundo o vice da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 57% das principais ocupações do comércio apresentam indícios de escassez de mão de obra – a maior incidência desde 2020.
“O comércio tem se mostrado um dos setores mais dinâmicos em empregos, mas a escassez de profissionais em áreas específicas, como logística e estocagem, evidencia um descompasso entre oferta de mão de obra e novas demandas do setor. Esse é um desafio estrutural que tende a se acentuar com expansão do e-commerce”, avalia Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Análise
“Famílias em um momento de maior disposição de compra”
“Dados mais recentes do consumo que temos acompanhado mostram que as famílias estão realmente em um momento maior de disposição para compra, com intenções de consumo acima da média nacional e do sudeste.
Quando o consumo cresce, o comércio tende a ampliar a sua presença de lojas, sejam elas online ou física. E neste ano, estamos observando uma mudança no comportamento do consumidor: ele está buscando mais conveniência e proximidade, o que tem tornado as lojas físicas em bairros mais atrativas para a realização de compras rápidas ou pequenos serviços.
O motivo desse movimento – que ocorre em paralelo ao e-commerce, que já estabelecido na nossa sociedade, sendo uma realidade que não vai deixar de existir–, é a relação direta entre comerciante e consumidor no ambiente físico.
A loja física passa a cumprir uma espécie de papel estratégico, funcionando como uma experiência, seja para retirada de produto ou mesmo para manter um relacionamento próximo entre cliente e vendedor.
O desafio, porém, é a questão da mão de obra, que já era enfrentado antes desse movimento começar por aqui e acaba sendo ampliado, porque a disputa por trabalhadores acaba crescendo.
A saída é investimento em qualificação, melhoria de processos como um todo e integração entre tecnologia e ambientes físicos e digitais para garantir maior produtividade e eficiência.”
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários