Benefícios e riscos dos medicamentos
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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O conhecido fármaco “captopril” foi desenvolvido com base em pesquisas sobre o veneno da cobra jararaca. Constatou-se que uma substância encontrada nessa serpente causava queda drástica da pressão arterial, o que levou à criação do medicamento sintético para tratar hipertensão.
Apesar de alguns venenos atuar como remédios, várias drogas também podem agir como venenos. A palavra “farmácia” vem de “pharmakon”, termo grego que significa, simultaneamente, “remédio” e “veneno”.
Vitaminas são conhecidas como substâncias inofensivas, sempre úteis à saúde. Embora vitais ao ser humano, em excesso elas podem se tornar nocivas. A suplementação excessiva de vitamina D, por exemplo, gera aumento do cálcio no organismo, produzindo sintomas como náusea, vômito, fraqueza, sede excessiva, constipação intestinal e riscos graves de danos renais e cardiovasculares.
Os Inibidores da Bomba de Prótons, como Omeprazol e derivados, também são seguros a curto prazo, mas seu uso crônico aumenta riscos de osteoporose e infecções, além de produzir deficiências de magnésio, vitamina B12 e ferro.
Ainda assim, são fundamentais para a cicatrização da mucosa gástrica em casos de úlcera péptica, refluxo gastroesofágico e esofagite.
Medicamentos podem ser prejudiciais ou benéficos. A diferença entre a dose eficaz e a que produz efeitos colaterais, ou de risco à vida, determina a relação risco-benefício.
Existe um anticoagulante denominado “varfarina”, usado para evitar a coagulação do sangue. Entretanto, ele pode causar sangramento excessivo. Esse fármaco é empregado quando o risco de coagulação sanguínea é tão grande, que a ameaça de sangramento precisa ser tolerada. Pacientes que tomam “varfarina” precisam de monitoramento frequente para garantir que a dose seja ajustada, visando manter o nível correto de prevenção de coágulos, sem aumentar desnecessariamente o perigo de sangramento.
Por isso, é importante pesar os possíveis malefícios em relação aos benefícios esperados. O uso de um medicamento não se justifica, a não ser que os benefícios esperados superem os possíveis malefícios.
Para doenças relativamente pouco importantes, como tosses e resfriados comuns, tensões musculares ou dores de cabeça ocasionais, somente um risco muito baixo de reações adversas medicamentosas é aceitável. Para essas condições, os medicamentos de venda livre geralmente são eficazes e bem tolerados.
Todavia, em caso de doenças graves ou de risco à vida, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral ou cânceres, por exemplo, o maior risco de reação adversa medicamentosa grave é mais aceitável.
Tudo é remédio, tudo é veneno. O que muda é a dose. A essência está no equilíbrio, entre o tudo e o nada, entre o bom e o ruim, entre o sério e o descontraído, entre a responsabilidade e a imprudência. A emoção costuma cegar e a razão pode paralisar.
Sonhos curam o coração sem expectativas, mas também adoece o coração que se ilude.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.