Álcool é um dos principais fatores de risco para câncer
É o que aponta a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. Faringe, laringe e esôfago são alguns dos locais mais afetados
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Um estudo realizado por pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) aponta que o consumo de bebidas alcoólicas é um fator de risco importante e evitável para diversos tipos de câncer, como da cavidade oral, glândula salivar, faringe, laringe, esôfago, cólon, reto, entre outros.
A estimativa é que o álcool seja responsável por cerca de 4% de todos os casos de câncer no mundo. A IARC classifica as bebidas alcoólicas como carcinógeno do Grupo 1, a categoria mais alta de risco.
Isso significa que há evidências suficientes de que o álcool causa câncer em humanos.
Segundo as nutricionistas da área técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Maria Eduarda Leão e Gabriela Vianna, o etanol presente nas bebidas alcoólicas, ao ser metabolizado no organismo, se transforma em acetaldeído, uma substância com alto potencial carcinogênico. Esse composto pode provocar danos no DNA das células.
O álcool também facilita a entrada de outras substâncias carcinogênicas no organismo, provenientes da dieta ou do ambiente.
Um exemplo é a combinação entre álcool e tabaco, que pode provocar danos específicos no DNA das células, potencializados na presença do álcool. Por isso, a associação entre os dois aumenta ainda mais o risco de câncer de boca, faringe e laringe.
“O álcool também aumenta o estresse oxidativo nas células e favorece processos inflamatórios. A inflamação crônica aumenta o risco de lesões no DNA. Dependendo da forma de ingestão, o álcool também pode alterar a absorção de nutrientes importantes para o funcionamento do sistema imunológico”, explica a presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Clarissa Baldotto.
Evidências
O estudo foi realizado como uma revisão científica abrangente, ou seja, os autores não fizeram um novo experimento com pessoas, mas analisaram e resumiram as evidências que já haviam sido publicadas por outros cientistas até junho de 2021.
Ainda de acordo com as pesquisas, não existe um nível de consumo de álcool que possa ser considerado totalmente seguro em relação ao risco de câncer.
Embora o risco varie de acordo com o tipo de tumor, as evidências indicam que mesmo níveis baixos de consumo podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença.
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