Com temor por aumento de combustíveis, capixabas aproveitam para encher o tanque
Moradores antecipam abastecimento enquanto mercado discute possível reajuste da gasolina diante da tensão no Oriente Médio
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Quem tem acompanhado com atenção as notícias sobre a guerra no Oriente Médio e os possíveis reflexos no preço dos combustíveis no Brasil é o inspetor de tração ferroviária Cristian Moura Gonçalves, de 48 anos.
Morador de Jardim Camburi, em Vitória, Cristian aproveitou para completar o tanque do carro ontem.
Segundo ele, apesar de alguns estados já registrarem aumento nos valores, o Espírito Santo ainda não teve reajuste. “Em alguns estados já subiu até 40 centavos na gasolina, mesmo sem a Petrobras anunciar aumento. Aqui no Espírito Santo ainda não aconteceu, mas a gente fica atento. Eu estava com meio tanque e resolvi completar. Paguei R$ 5,89 pelo litro da gasolina”.
Defendido aumento da gasolina
Empresários defendem um reajuste de R$ 1,22 no litro da gasolina para reduzir a diferença entre os preços praticados no Brasil e os do mercado internacional.
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis apontou essa diferença entre os preços praticados pela Petrobras e os valores internacionais.
A entidade afirma que essa defasagem pode pressionar o mercado e dificultar a importação de combustíveis, já que os valores internos ficam abaixo do custo de reposição no mercado global.
Já a Petrobras disse que, em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a companhia reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil. E que não antecipa decisões sobre manutenção ou reajustes de preços.
Já o Sindipostos-ES disse que, no Espírito Santo e no Brasil, revendedores estão percebendo o aumento do preço de compra dos produtos nos últimos dias.
Anúncio contra alta do petróleo
O presidente dos EUA, Donald Trump, repetiu na segunda-feira (9) que a guerra no Irã “vai acabar em breve”. Ele minimizou os impactos da disparada do preço do petróleo e anunciou a retirada de sanções para reduzir os preços do barril, sem dar detalhes e citar a Rússia.
Trump alegou que “aniquilou completamente todas as forças do Irã”, atingindo mais de 5 mil alvos desde o início do conflito, “incluindo locais responsáveis” pela fabricação de drones, poder naval iraniano e capacidade de mísseis”. “Isso vai acabar em breve. E se recomeçar, eles serão ainda mais afetados”, disse, referindo-se à guerra.
Os preços do petróleo caíram após as declarações. Às 19h45 de segunda-feira (9), o preço do barril de Brent, referência internacional, chegou a US$ 87,87 após ter chegado a quase US$ 120 durante o dia de ontem.
Antes das declarações, a Agência Internacional de Energia (AIE) pediu a liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo, informou a ministra das finanças japonesa, Satsuki Katayama.
O pedido teria sido feito durante uma reunião on-line com os ministros das Finanças do G7 (grupo das sete democracias mais ricas do mundo). A medida serviria para apoiar o fornecimento global de energia e conter os preços.
Os ministros e representantes da AIE foram acompanhados por executivos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), bem como do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse Katayama.
Disrupção
O economista Eduardo Araújo, professor na Fucape Business School, disse que o que mais preocupa o mercado não é apenas o preço atual, mas o risco de disrupção física na produção e na logística.
“Quando há ataques a refinarias, portos ou rotas estratégicas de transporte, o problema deixa de ser apenas financeiro e passa a ser também de oferta. Mesmo uma interrupção parcial já é suficiente para gerar forte reação nos preços, porque o petróleo é um mercado global muito sensível a choques de oferta. Por isso o mercado reage tão rapidamente”.
Ele reforça que o petróleo é negociado diariamente em bolsas internacionais, e o preço não reflete apenas a produção de hoje, mas também expectativas sobre o que pode acontecer nas próximas semanas ou meses.
“Quando surge um conflito numa região estratégica, empresas, traders e investidores passam a comprar petróleo, antecipando a possibilidade de escassez ou de problemas logísticos. Essa antecipação já faz o preço subir, mesmo antes de uma interrupção efetiva na produção. Se o conflito se prolongar ou atingir infraestrutura importante de energia, essa pressão tende a continuar nos preços internacionais”.
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