Mais bairros vão receber imóveis do Minha Casa, Minha Vida no ES
Inclusão de famílias com renda de até R$ 13 mil e de unidades com valores de R$ 600 mil vai ampliar volume de lançamentos no Espírito Santo
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Aumento do limite de renda do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para R$ 13 mil e do valor do imóvel para R$ 600 mil, proposto pelo Ministério das Cidades, após aprovado, vai aumentar o número de bairros com empreendimentos no Espírito Santo.
O Ministério das Cidades propôs a mudança, no último dia 3, ao encaminhar uma proposta para o grupo técnico do Conselho Curador do FGTS. Além da faixa de renda 4 — a maior do programa —, as outras também devem sofrer alteração. A reunião está prevista para a próxima terça-feira (24).
Para Estevão Barbosa, diretor da comissão de habitação de interesse social do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES), a expectativa é de que o aumento do limite amplie o número de empreendimentos no mercado do Espírito Santo.
O aumento do valor do teto para R$ 600 mil também vai permitir que imóveis sejam construídos em bairros onde antes isso não era possível por conta do custo do terreno, analisa.
“É possível que, com esse valor, surja algum empreendimento na capital”, destaca. E emenda: “Acredito que em bairros como Tabuazeiro, Santa Cecília, Santo Antônio, entre outros”.
Mas ressalta um desafio para que isso aconteça: a regularização dos terrenos. Explica que muitos moradores não contam com escrituras e isso dificultaria o processo.
Alexandre Schubert, presidente da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), reforça que os novos limites vão aumentar o número de lançamentos em toda a Grande Vitória.
“Serra, Vila Velha, Viana, Guarapari. Mesmo em cidades do interior, como Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares e São Mateus. Todas essas comunidades terão impactos muito significativos.”
Ele acrescentou que, embora esses locais já tenham imóveis do MCMV, isso não compreendia a faixa 4. “Antes o programa estava amarrado a um valor muito mais baixo. No ano passado, em outubro, que subiu para R$ 500 mil. Agora que está se consolidando é que as empresas estão gerando produtos nessa faixa”.
Fabiano Martins, gerente comercial da Épura e diretor da Ademi-ES, acrescenta que uma manutenção dos valores do programa defasados perante à inflação poderia fazer com que mesmo os bairros abrangidos saíssem do MCMV.
Ademi diverge e vê unidades em Vitória apenas como “sonho”
Ter um imóvel financiado pelo Minha Casa, Minha Vida em Vitória pode continuar a ser um sonho, na avaliação da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), que diverge do entendimento da diretoria do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES).
Segundo Alexandre Schubert, presidente da Ademi-ES, o preço dos terrenos na capital ainda é alto para permitir a viabilidade de empreendimentos serem incluídos no programa. Ele explica que a capital, além de ser pequena, conta com várias interferências que diminuem o espaço disponível, como manguezais e aeroporto. “Tenho o sonho de que isso acontecesse, mas não acredito que será agora”.
Diretor-geral da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola aponta que o aumento do limite terá efeitos positivos. Além de aumentar a aderência ao programa, aponta que irá criar emprego e renda. Porém, afirma ser preciso tomar cuidado. Se a oferta não acompanhar a demanda, o preço pode subir.
Entenda
Minha Casa, Minha Vida
É um programa habitacional do governo federal que facilita a compra da casa própria.
Podem participar famílias residentes em áreas urbanas que tenham renda familiar mensal de até R$ 12 mil, e famílias que vivem em áreas rurais com renda bruta familiar anual de até R$ 150 mil.
Para aderir ao programa, a família não pode ter outro imóvel ou qualquer financiamento habitacional ativo.
Faixas de renda
Conta com quatro faixas de renda e valor de imóvel. Famílias que se enquadram nas mais baixas têm direito a subsídios do governo federal. Isso significa que o governo paga parte do imóvel. Já famílias que se incluem nas mais altas conseguem financiar seus imóveis com juros e taxas mais baixas.
Como pode mudar?
As mudanças propostas pelo governo federal alterariam o tetos de renda e valor do imóvel.
Renda
Faixa 1: passaria de R$ 2.850 para R$ 3.200.
Faixa 2: de R$ 4.700 para R$ 5 mil.
Faixa 3: de R$ 8.600 para R$ 9.600
Faixa 4: de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
Teto
Os valores máximos dos imóveis financiados também devem ser aumentados.
Na faixa 4, a proposta é que passe de R$ 500 mil para R$ 600 mil. Já na faixa 3, pode haver aumento de R$ 350 para 400 mil.
Para as faixas 1 e 2, o valor deve continuar o mesmo. Ele varia dependendo do número de habitantes da cidade, podendo ir de R$ 210 mil a R$ 264 mil.
Bairros
O aumento do valor do teto para R$ 600 mil pode permitir que imóveis sejam construídos em bairros onde antes isso não era possível, segundo especialistas. Até Vitória pode ser afetada, embora especialistas divirjam sobre o assunto.
Viabilidade
Para Fabiano Martins, gerente comercial da Épura e diretor da Ademi, mais importante do que incluir novos bairros dentro do programa é garantir que os projetos lançados ainda sejam viáveis para o programa.
Ele explica que os valores dos imóveis são reajustados conforme a inflação. Já o programa Minha Casa, Minha Vida não acompanha essa atualização. “Então, se você não tem um reajuste do limite do teto do programa, você tira esses imóveis dele”, destaca.
Pontos positivos
Outros especialistas também veem o reajuste proposto pelo governo federal como benéfico. Economista e diretor-geral da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan), Marcelo Loyola é um deles. “Tende a estimular a construção civil e gerar emprego e renda”.
Destaca que o custo dos imóveis no Estado cresceu acima da renda nos últimos anos e, por isso, a medida pode aumentar a aderência do programa à realidade local, permitindo acesso a imóveis compatíveis com os preços de mercado.
Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), aponta que os impactos econômicos serão positivos.
“O setor imobiliário possui forte capacidade de geração de emprego. A construção civil tem um potencial tão grande que consegue absorver uma força de trabalho que é muito difícil se ser absorvida: a que tem baixa escolaridade”, afirma.
Desafio
Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), no entanto, também destaca que é preciso tomar cuidado para que o aumento das famílias incluídas no programa não cause aumento no preço dos imóveis.
“Evitar pressões inflacionárias no setor é o ponto-chave. É o que o governo precisa implementar na execução da medida”, afirma.
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