O apego do corpo pela vida
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
Siga o Tribuna Online no Google
O curso de Medicina começa pelo estudo da anatomia. Diante do cadáver, o acadêmico medita sobre o ser que morou naquele corpo? Quantas vezes bateu aquele coração? Quantas incursões respiratórias fizeram aqueles pulmões? Quanto metabolismo praticou aquele fígado? Quanta luz viram aqueles olhos? O que roubou a vida daquele ser e deixou a morte naquele corpo?
Diante da doença, a saúde exalta o instinto de sobrevivência do doente, esse mecanismo que tenta fazer o organismo recuperar sua integridade funcional.
Mecanismos de proteção biológica auxiliam a manutenção da existência.
O corpo busca constantemente o equilíbrio interno, através da temperatura, do pH e da glicose, para manter a homeostase. Qualquer desvio gera uma resposta imediata de correção, buscando preservar a vida.
Diante de ameaças, o sistema nervoso simpático libera adrenalina e cortisol, priorizando funções vitais e autodefesa.
O esforço contínuo do corpo para cicatrizar feridas e combater infecções demonstra uma determinação intrínseca da matéria orgânica em persistir.
Apesar de todo cuidado e precaução, a vida gasta e acaba.
Aquele corpo que jaz na mesa anatômica poderá ter sido um parente ou amigo de alguém, antes internado em estado grave. Talvez, todos tenham se unidos em orações, emanando energias, para que ele tivesse uma franca melhora.
O universo poderá ter ouvido suas preces e o paciente sinalizou para uma recuperação, aliviando a todos. Mas, para a tristeza geral, acabou não resistindo e faleceu, depois dessa melhora.
Muitos já ouviram falar sobre a “melhora da morte”, também conhecida como o início da despedida, ou o último instante de lucidez, antes do fim.
Argumentações de cunho científico, espiritual e filosófico se confrontam, na ânsia de confirmar esse fenômeno, ou provar que é uma trivial eventualidade.
Ao lidar com a morte, o médico presencia muitos pacientes que têm boa evolução no quadro de saúde, mas que horas depois, vêm a óbito.
Alguns estudos indicam ser a liberação massiva de neurotransmissores e hormônios do corpo, tentando segurar aquele último suspiro. Muitas vezes o médico presencia essa situação, com o paciente melhorando os parâmetros de ventilação e pressão.
Isso ocorre, porém, mais por conta de uma descarga do corpo, uma última tentativa de liberar os hormônios ainda acumulados, tentando fazer com que o organismo reaja.
Não existe uma doença específica em que esses casos aconteçam. Trata-se de uma reação fisiológica de luta, de resposta da batalha do corpo, tentando melhorar. Não conseguindo reagir, ele tenta liberar o que pode.
Apesar de não existirem muitos estudos a respeito, indícios mostram esse desfecho. Como acontece com pacientes terminais, não é ético fazer muitos estudos a respeito, com intervenções.
Ao ingressar na faculdade, o estudante se depara com a morte. O tempo vai ensiná-lo a respeitá-la, embora jamais irá compreendê-la.
A doença alimenta a morte. A saúde nutre a vida.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
SUGERIMOS PARA VOCÊ:
Doutor João Responde, por Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
ACESSAR
Doutor João Responde,por Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.