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Cidades humanas: o futuro urbano precisa voltar ao básico

Especialista defende que cidades inteligentes precisam priorizar pessoas e qualidade de vida, e não apenas tecnologia e marketing urbano.

JÚLIO DIÓGENES | 26/02/2026, 12:49 h | Atualizado em 26/02/2026, 12:49
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          Imagem ilustrativa da imagem Cidades humanas: o futuro urbano precisa voltar ao básico
JÚLIO DIÓGENES é gerente de Inovação do Laboratório Urbano Vivo de Vitória (LUV) e bacharel em Design e Engenharia da Computação |  Foto: Divulgação

O discurso das smart cities virou sinônimo de modernidade, eficiência e futuro. Mas esse imaginário tecnológico ignora um ponto central: a vida urbana não se resolve com sensores ou dashboards. Uma cidade não melhora por acumular tecnologia, mas por organizar prioridades. A pergunta permanece: inteligente para quem? Quando a tecnologia vira espetáculo, ela afasta a gestão pública dos problemas reais e produz soluções mais voltadas ao marketing do que ao cidadão.

Cidades humanas não rejeitam inovação, apenas a colocam no lugar certo. Tecnologia só faz sentido quando melhora o cotidiano, amplia acesso, reduz desigualdades e cria ambientes urbanos funcionais. Uma cidade centrada em pessoas entende que cidadãos não são usuários passivos, mas protagonistas das dinâmicas sociais e territoriais. Isso exige políticas públicas que respeitem a diversidade, fortaleçam vínculos comunitários e tratem o território como referência para decisões estratégicas.

Os desafios urbanos são estruturais. Mobilidade fragmentada, circulação insegura, microclimas extremos, serviços sobrecarregados e desigualdades persistentes não se resolvem apenas com aplicativos. Quando uma cidade não garante acessibilidade, equidade e organização básica, nenhuma solução digital compensa essas ausências. Por isso, cidades humanas começam pelo essencial, investindo em infraestrutura, capacidade institucional e coordenação entre áreas.

A transformação urbana depende de visão de longo prazo e de inovação como processo contínuo. Governança horizontal, participação efetiva, uso responsável de dados e capacidade de testar e corrigir rotas aproximam a cidade das pessoas. O futuro urbano não será definido pela tecnologia disponível, mas pela habilidade de aplicá-la com propósito.

Vitória ilustra bem essa transição. No ranking VEJA Negócios 2025, elaborado pela Austin Rating, a cidade foi considerada a melhor do Brasil para viver, com base em 253 indicadores fiscais, econômicos, sociais e digitais. No Connected Smart Cities 2024, aparece entre as cidades mais inteligentes do país. Mais importante que os rankings é a postura institucional: Vitória trata esses reconhecimentos como síntese de políticas consistentes, uso estratégico de dados e articulação entre governo, academia e sociedade.

Cidades humanas exigem escolhas conscientes. Elas surgem quando tecnologia, território e cultura caminham juntos, quando equidade orienta decisões e quando inovação deixa de ser promessa e vira prática. Transformar uma cidade não é criar narrativas futuristas, é construir presentes funcionais. O verdadeiro indicador de inteligência urbana está na qualidade de vida que a cidade entrega. É aí que o futuro urbano encontra sua direção mais humana.

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