Anvisa de olho em canetas ilegais para emagrecer à venda no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou apreensão de medicamentos que não possuem registro no Brasil
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O interesse crescente por medicamentos para emagrecimento, impulsionado pela promessa de perda de peso rápida, tem levado cada vez mais pessoas a buscar as chamadas “canetas emagrecedoras”.
O problema está no uso sem indicação e também de produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que, nesta semana, já determinou a apreensão das canetas que não possuem registro no Brasil.
Entre os produtos estão Lipoless MD e Lipoless em diferentes dosagens, Retatrutide 40 mg, Tirzec e Tirzec Pen 15 mg, além de Lipoland e T.G, todos proibidos de serem comercializados, distribuídos, fabricados, importados ou utilizados.
Especialistas destacam que a medida é necessária diante da expansão do uso irregular dessas substâncias. Segundo a endocrinologista Sabrina França, a decisão tem caráter de alerta, já que a agência é o principal órgão regulador de medicamentos no País.
“Essas apreensões são alertas para a população do risco que as pessoas estão correndo em usar 'medicamentos' que não estão aprovados. Se não há aprovação, ou a agência não teve tempo de estudar o que foi proposto ou porque não houve aprovação, de fato”.
A preocupação aumenta no caso de moléculas ainda em estudo, como a retatrutida. A endocrinologista e pesquisadora clínica Queulla Garret ressalta que a substância em estudo - inclusive no Espírito Santo - ainda não foi aprovada por nenhuma agência regulatória e, portanto, não deveria estar sendo comercializada.
“É um absurdo tudo isso que está acontecendo. É uma falta de responsabilidade médica, do ponto vista de quem prescreve, porque a retatrutida ainda está em análise e ainda terá seus dados avaliados. Ela tem se apresentado um excelente medicamento, mas ainda não está aprovada”, alertou.
A endocrinologista Mariana Guerra avalia que há pacientes que desconhecem sobre patentes e aprovação de medicamentos, mas também há “má-fé” de quem prescreve.
“O mercado de obesidade hoje é muito lucrativo. E tem se mercantilizado a medicina, o que é um perigo, porque estamos falando de responsabilidade, de saúde e de ética”, destaca.
É indicado verificar bula e laudo
Decisão regulatória
A Anvisa determinou a apreensão e proibiu a comercialização, distribuição, fabricação, importação e uso de canetas emagrecedoras sem registro sanitário no Brasil. A medida está prevista na Resolução (RE) nº 690/2026 e vale para todas as marcas e lotes listados.
Produtos atingidos
- Lipoless MD 15 mg / Lipoless 15 mg, 12,5 mg e 10 mg ( todos os lotes do Laboratório Éticos).
- Retatrutide 40 mg (todas as marcas e lotes).
- Tirzec 15mg/Tirzec pen 15mg (todas as marcas e lotes).
- Lipoland 15 mg (todos os lotes do laboratório Landerlan).
- T.G 15 mg e 10 mg (todos os lotes do laboratório Landerlan).
Além desses produtos, a resolução também prevê a apreensão do medicamento Natu Sec, fabricado por uma empresa desconhecida.
Estão proibidas a comercialização, a distribuição, a fabricação, a importação e o uso do produto, que não tem registro sanitário.
Motivo da proibição
Os produtos não possuem registro sanitário no País, o que significa que não passaram pelos processos de avaliação de segurança, qualidade e eficácia exigidos.
A retatrutida (ou retatrutide) ainda está em fase de estudos e não foi aprovada por agências regulatórias, como FDA, nos Estados Unidos, e nem pela Anvisa, no Brasil.
Proibições
Em janeiro, a Anvisa já havia determinado a apreensão e proibição de vendas da tirzepatida das marcas Synedica e TG. A medida valeu também para o Retatrutida de todas as marcas e lotes.
Orientações ao paciente
Especialistas recomendam que o paciente sempre compre o medicamento na farmácia e verifique: a bula do medicamento, o laudo de segurança e a aprovação pela Anvisa. Esses documentos garantem maior transparência sobre o que está sendo utilizado no organismo.
No caso do medicamento Mounjaro, o laboratório fabricante Eli Lilly passou a incluir um QR code na embalagem. Por meio dele, o paciente pode: confirmar o lote, verificar a data de fabricação, checar a validade e confirmar se o produto realmente saiu da fábrica.
Fontes: Anvisa e especialistas consultados.
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