Exame evita até 90% dos casos de câncer colorretal
Médicos explicam que a colonoscopia aponta pólipos que podem virar câncer do tipo que matou o ator James Van Der Beek
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A morte do ator da série “Dawson’s Creek” James Van Der Beek, aos 48 anos, no início deste mês, reacendeu o alerta para o avanço do câncer colorretal entre pessoas mais jovens.
Médicos consultados por A Tribuna explicam os principais fatores de risco da doença e destacam que o rastreamento precoce com o exame de colonoscopia pode prevenir até 90% dos casos.
De acordo com a oncologista Juliana Rocha, o câncer colorretal — que pode se desenvolver tanto no reto quanto no intestino grosso — está diretamente relacionado ao sedentarismo e à obesidade, o que pode explicar esse aumento dos casos.
“Temos observado um consumo bem maior de alimentos ultraprocessados. Além disso, cresce o número de pessoas com obesidade e rotina sedentária. Esses fatores são determinantes para o desenvolvimento da doença”.
Apesar disso, quando identificado no início, esse câncer tem grandes chances de cura. O problema, segundo a médica, é que a doença costuma ser silenciosa.
“Quando a gente tem a identificação dos sintomas, geralmente o câncer já está em um estágio muito avançado. Por isso, é importante não negligenciar esses sinais e buscar um médico”.
O oncologista Guilherme Miguez Costa diz que os principais sintomas são relacionados ao funcionamento do intestino.
“O paciente costuma apresentar diarreia ou constipação persistentes, sangramento nas fezes, perda de peso e dor abdominal”.
Guilherme adiciona que o rastreamento deve iniciar aos 45 anos para o público geral. Caso haja histórico familiar, a orientação é começar 10 anos antes da idade que o parente tinha ao apresentar a doença.
“Realizar a colonoscopia preventivamente pode evitar até 90% dos casos, porque o câncer começa com um pólipo benigno que pode ser removido”.
A proctologista Gabriela Nolasco Santana reforça que é importante focar na prevenção, com uma alimentação saudável e prática de atividades físicas.
“Uma dieta rica em fibras, frutas, legumes, verduras e cereais é essencial. Além disso, a atividade física regular ajuda a controlar o peso, reduzir a inflamação e melhorar a saúde por inteiro”.
Entenda
Câncer colorretal
É um câncer que pode se desenvolver tanto no intestino grosso quanto no reto.
É altamente prevenível, pois 90% dos casos começam com um pólipo benigno que demoram de cinco a 10 anos para evoluir e podem ser removidos.
Porém, a doença é silenciosa e os sintomas só aparecem quando o câncer está em estágio avançado.
Fatores de risco
Alimentação rica em ultraprocessados, embutidos e defumados.
Baixa ingestão de fibras.
Obesidade.
Sedentarismo.
Tabagismo.
Consumo excessivo de álcool.
Histórico familiar.
Sintomas
Diarreia ou constipação persistente.
Sangramento nas fezes.
Dores abdominais persistentes.
Perda de peso inexplicada.
Diagnóstico
O diagnóstico da doença é feito geralmente pelo exame de colonoscopia.
Em estágios iniciais, é possível retirar o pólipo até mesmo durante o exame.
Rastreamento
Para o público geral, a orientação é iniciar o rastreamento aos 45 anos.
Em caso de histórico familiar, o recomendado é iniciar 10 anos antes da idade que o parente tinha quando desenvolveu a doença.
Tratamentos
Cirurgia.
Quimioterapia.
Imunoterapia.
Taxas de cura
Estágios iniciais: Até 95%.
Casos avançados e com metástase: Até 60%.
Prevenção
Alimentação rica em fibras, frutas e vegetais.
Prática regular de atividades físicas.
Controle do peso.
Evitar o cigarro e o álcool.
Realizar acompanhamento médico e os exames a partir da idade recomendada.
Aumento de casos
Um Estudo da Sociedade Americana do Câncer mostrou que a mortalidade por câncer colorretal entre americanos com menos de 50 anos aumentou 1,1% ao ano desde 2005.
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