Nova fábrica da GWM em Aracruz pode fortalecer a formação de mão de obra
Expectativa é de que a instalação da fábrica fortaleça a formação de mão de obra para a indústria automobilística global
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A nova unidade automotiva em Aracruz deverá demandar um contingente significativo de profissionais em diferentes níveis de qualificação, combinando alta especialização técnica com formação industrial operacional.
A expectativa é que o projeto impulsione a qualificação profissional regional, fortalecendo parcerias com instituições de ensino técnico e superior para formação de mão de obra alinhada às exigências da indústria automotiva global, diz Danilo Pescuma, diretor de Negócios da Agência de Atração de Investimentos do Estado (Nova ES).
Ele aponta que, na fase de implantação, a maior demanda recai sobre engenheiros e técnicos especializados em processos industriais, automação, elétrica, mecânica e montagem de linhas produtivas. “Profissionais com experiência em manufatura automotiva, robótica industrial, sistemas de controle e gestão de qualidade internacional tendem a ser especialmente valorizados”, citou.
Já na fase operacional, segundo ele, o quadro será composto majoritariamente por operadores de produção industrial; técnicos em mecânica, eletrotécnica e mecatrônica; especialistas em manutenção e automação; inspetores e analistas de qualidade; profissionais de logística e supply chain; equipes administrativas, fiscais e de gestão.
O domínio de normas internacionais de qualidade e segurança também é um diferencial. O perfil buscado combina qualificação técnica, disciplina operacional e capacidade de adaptação a ambientes industriais altamente tecnológicos.
A secretária de Gestão Estratégica de Aracruz, Jeesala Coutinho, ressalta que o anúncio é muito importante para o Espírito Santo, especialmente para a região Norte, principalmente pelo impacto na geração de emprego e renda.
“Estamos falando da abertura de oportunidades tanto na fase de implantação quanto na operação do empreendimento. Haverá demanda desde a construção civil, na engenharia, bem como na área de tecnologia”.
Ela disse ainda que, em parceria com instituições de ensino, o município vem avançando cada vez mais na qualificação de uma mão de obra específica, de acordo com a necessidade de cada empresa.
O que eles dizem
“Segurança institucional”
“Buscamos ampliar a produção no Brasil com etapas industriais mais complexas e fortalecer a cadeia de fornecedores local. Isso é fundamental para aumentar o conteúdo local dos veículos, condição necessária para acessar mercados como Argentina e México com vantagens tributárias.
A decisão vai além da instalação de uma fábrica e está diretamente relacionada à competitividade e aos planos de exportação da montadora. E a segurança institucional do Estado, não só na gestão agora, mas dele todo, é critério que a gente usa bastante”.
“Novo patamar”
“Estamos vendo cada vez mais iniciativas voltadas à indústria de transformação e à capacidade que ela tem de levar o Espírito Santo a um novo patamar de industrialização. Agregar valor ao que produzimos é fundamental para tornar a indústria nacional mais competitiva. Quando uma indústria se instala, ela gera oportunidades em todo o seu entorno, impulsionando novos fornecedores, criando empregos e ampliando a geração de renda”.
“Estamos organizados”
“A Nova ES atua estruturando o ecossistema, organizando informações, articulando atores públicos e privados e promovendo o Espírito Santo nos cenários nacional e internacional.
Nosso papel é preparar o terreno, reduzir assimetrias, dar previsibilidade e acelerar processos para que empresas como a GWM encontrem aqui as condições ideais para investir e crescer. Estamos organizados para atrair novos investimentos como esse.”
Saiba Mais
Novas etapas do projeto no Espírito Santo
Na terça-feira (24), mais um avanço aconteceu: o governo do Espírito Santo e executivos da GWM apresentaram, no Palácio Anchieta, em Vitória, as novas etapas do projeto GWM no Espírito Santo.
A iniciativa de implantação da GWM no Espírito Santo é conduzida com apoio da Agência de Atração de Investimentos do ES (Nova ES).
A intenção da empresa é que o projeto industrial no Estado seja competitivo inclusive em relação à matriz na China, acessando mercados como Argentina e México sem pagar imposto, aproveitando acordos comerciais do Brasil.
Aracruz
O empreendimento será implantado no Parque Industrial de Aracruz, na região de Barra do Riacho, em área útil de aproximadamente 1.700.000 metros quadrados.
A destinação é a implantação de projeto industrial estratégico e sua integração à estrutura logística do ParklogBR/ES.
Próximos passos
As próximas etapas incluem levantamentos topográficos e sondagens, licenciamento ambiental e início da terraplanagem e preparação do terreno.
Operação
A empresa vai iniciar as atividades no Espírito Santo com a importação e montagem de partes e peças dos veículos.
Em paralelo, no entanto, haverá a construção da cadeia local de fornecedores, ou seja, a atração de empresas que fabricam peças.
Curiosidade
O Espírito Santo vem fortalecendo seu papel como polo logístico da GWM no Brasil. Em 2025, a montadora importou mais de 45 mil veículos pelos portos do Estado, consolidando-se como a principal base logística da empresa no País.
A GWM já convive com o Espírito Santo há quase três anos, com a importação desses veículos pelos portos capixabas, destaca o vice-governador Ricardo Ferraço.
Logística
Além da fabricação dos veículos, a GWM planeja exportá-los para países do continente americano, afirma o diretor de Relações Institucionais, Ricardo Bastos.
Para isso, contou como ponto positivo a proximidade da área escolhida com três portos, dois aeroportos — Linhares e Vitória— e da Zona de Processamento de Importação e Exportação (ZPE) de Aracruz.
Modernidade
O alto valor tecnológico é um destaque para o projeto da fábrica, segundo o vice-governador Ricardo Ferraço. Com uma plataforma de “elevadíssimo fator tecnológico de inovação”, a perspectiva é que a GWM crie empregos de qualidade, com remunerações elevadas.
Por que a escolha do Espírito Santo?
Durante o encontro, o diretor de Relações Institucionais da GWM, Ricardo Bastos, destacou que a decisão de instalar a fábrica no Espírito Santo foi resultado de avaliação nacional conduzida pela empresa.
“Rodamos por vários estados da federação e encontramos no Espírito Santo as condições ideais de competitividade, que fazem parte do DNA da marca chinesa”, declarou.
Ele também salientou que a infraestrutura logística, a disponibilidade portuária, a proximidade com grandes centros consumidores, a oferta de terrenos disponíveis, a disponibilidade de mão de obra qualificada, os incentivos fiscais e a oferta de energia foram fatores determinantes na decisão.
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