Mulher é presa suspeita de explorar quatro adolescentes do Recife no RN
Aliciadora tinha apenas 27 anos, mas traçava o perfil das vítimas e cometeu crime hediondo, segundo a polícia; veja os alertas
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Com informações de Carlos Simões
Uma mulher de 27 anos foi presa em flagrante no interior do Rio Grande do Norte suspeita de aliciar e explorar sexualmente quatro adolescentes do Recife. As vítimas têm 15, 16 e 17 anos. Duas delas têm 15.
A prisão ocorreu na última terça-feira (24) e foi divulgada nesta quarta-feira (25), após investigação iniciada pela Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), em Pernambuco. A apuração começou quando a mãe de uma das adolescentes procurou a unidade para registrar o desaparecimento da filha.
Segundo o delegado Paulo Furtado, a família já tinha informações de que a jovem estaria no Rio Grande do Norte. A partir disso, a Polícia Civil de Pernambuco acionou o setor de inteligência e trocou informações com a Polícia Civil do estado vizinho.
“Ao tomar conhecimento de um suposto desaparecimento de uma adolescente, e posteriormente identificar que na realidade ela estava sendo submetida à exploração sexual no estado do Rio Grande do Norte, nós começamos a diligenciar, contamos com o apoio da inteligência e cruzamos informações com o pessoal da Polícia Civil do Rio Grande do Norte. E na terça-feira foi realizada a abordagem no estabelecimento. E lá, a adolescente foi encontrada na companhia de mais três outras, todas aqui do Recife.”
As quatro adolescentes foram resgatadas no mesmo imóvel.
Aliciamento por meio de falsas promessas: veja os alertas
De acordo com a investigação, a suspeita atraía as vítimas com promessas de trabalho e ganhos financeiros.
De acordo com o delegado, as adolescentes aliciadas tinham um perfil semelhante: eram jovens em situação de vulnerabilidade social, com dificuldades financeiras e forte presença nas redes sociais.
Segundo a investigação, a suspeita se aproximava oferecendo oportunidade de trabalho como modelo, promessa de ganhos rápidos e possibilidade de ajudar a família. A proposta, no entanto, servia como porta de entrada para a exploração.
A polícia, inclusive, alerta que promessas de trabalho fora do estado, sem contrato formal e sem intermediação legal, devem ser verificadas pelos responsáveis antes de qualquer deslocamento.
“Tomamos conhecimento que a proprietária aliciava essas menores, sobretudo com vindas aqui para o Recife, prometendo aí que elas iriam ganhar dinheiro, iriam poder ajudar a família através de propagandas, mídia social, serviço de modelo. E na realidade, quando chegava lá, elas eram submetidas à exploração sexual.”
A polícia apurou ainda que as adolescentes ficavam sob controle financeiro, com retenção de parte dos valores obtidos, o que dificultava o retorno ao Recife.
“Exatamente, jovens que são vulneráveis socialmente, e através dessas propostas falsas, vem a possibilidade, a perspectiva de ter uma vida diferente, de poder comprar roupa, de ter uma vida social melhor, elas são encantadas e acabam indo, e quando chega na realidade, esse dinheiro nunca chega, elas são exploradas diariamente, claro, tem o percentual dela, mas elas ficam ali como se tivessem uma dívida eterna, não conseguissem mais pagar e vão ficando até a polícia tomar alguma providência, ou elas conseguirem fugir, ou se habituar aquilo ali, ficar até a maioridade.”
Autuação em flagrante
A mulher foi autuada em flagrante por exploração sexual de criança e adolescente, manutenção de estabelecimento para fins de exploração sexual e cárcere privado em uma das situações identificadas.
“Ela se reservou no direito de permanecer calada, o direito constitucional dela, mas, de todo modo, ela foi autuada em flagrante pelo crime de exploração sexual, que prevê uma pena de 7 a 16 anos, crime de hediondo, e ela vai responder processo por este tipo de delito.”
Ela foi encaminhada ao sistema prisional do Rio Grande do Norte e permanece à disposição da Justiça.
A Polícia Civil investiga a possível participação de outras pessoas no esquema e apura há quanto tempo a atividade ocorria. As famílias das adolescentes foram identificadas e o Conselho Tutelar acompanha o caso.
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