Polícia analisou fios de cabelos para identificar envenenamento de médico no ES
Exame ajudou a comprovar não só a presença da substância, como também um histórico de uso do veneno por meses
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Conhecido pela sua alta toxicidade, o arsênio foi detectado no médico Victor Murad por meio de fios de cabelo. A mecha, de cerca de 15 centímetros, ajudou a comprovar não só a presença da substância, como também um histórico de uso do veneno por meses. A secretária, com quem ele trabalhou por 12 anos, é acusada de envenenar o patrão com arsênio por mais de um ano para ocultar um desvio de dinheiro.
A chefe do Laboratório de Toxicologia Forense da Polícia Científica do Espírito Santo, Mariana Dadalto, explicou que as análises de arsênio são feitas no Laboratório de Espectrometria de Massas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), por meio de uma parceria, e acompanhadas pelos peritos.
“O médico fez a coleta em junho, após a denúncia de que tinham encontrado o frasco com a substância na clínica. No entanto, ele já não tinha contato com a suspeita desde março, quando ela foi demitida. Por já terem se passado três meses da suposta intoxicação, não adiantaria usar amostra de urina ou de sangue, já que o arsênio desaparece rapidamente”, detalhou.
Ela reforçou, no entanto, que a partir do momento em que a substância se liga às proteínas do cabelo, ela não sai, a não ser que se cortem as mechas. “O cabelo ainda nos dá uma informação importante, que é da temporalidade. O cabelo cresce em média 1,2 centímetro por mês. No caso da amostra dele, tinha 15 centímetros, o que nos deu uma boa linha do tempo”.
Segundo Mariana, os fios de cabelo do médico apresentaram uma linha muito condizente com todo o histórico relatado.
“Os quatro primeiros centímetros, que dão uma média de três meses antes da coleta, apontaram que ele não teve exposição. De março para trás, até dezembro, a concentração era grande. Nos quatro meses anteriores também, o que comprova meses de intoxicação”.
De acordo com a chefe do laboratório, os sintomas relatados pela vítima eram característicos também de intoxicação por arsênio.
“Entre eles, estão sintomas gastrointestinais, como diarreia com sangue, vômito com sangue e dor abdominal. O uso crônico – prolongado – também pode causar anemia, arritmias cardíacas e alterar movimentos”, concluiu.
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