Deixar o carro “morrer” na prova prática elimina o candidato? Entenda nova regra
Senatran oficializa mudanças no exame, como limite maior de pontos para reprovação. Autoescolas pedem cautela com novidade
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Deixar o carro “morrer” na prova prática para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deixou de ser uma infração automática. Essa é uma das mudanças no exame oficializada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Até o ano passado, o apagamento do motor era considerado falta leve, com perda de dois pontos — o que podia levar à reprovação se ocorresse duas vezes. Com as mudanças, a falha deixa de ser eliminatória, desde que o candidato consiga ligar o carro com segurança e continuar a prova.
Além disso, agora o candidato pode perder até dez pontos antes da reprovação. O diretor de Habilitação e Veículos do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES), Raphael Piekarz, explica que o que mudou foi o critério geral de avaliação da prova, para avaliar o comportamento do condutor.
“Houve também uma reavaliação do peso das infrações. Não são mais consideradas como eliminatórias as condutas que não estão legalmente previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB)”.
Raphael adiciona que essas mudanças, somadas à não obrigatoriedade das provas de baliza e ladeira, por exemplo, tentam aproximar a prova a situações reais que o candidato terá que enfrentar quando estiver habilitado.
“Muitos candidatos ficavam preocupados em cumprir exigências mecânicas da prova e esqueciam do essencial: respeitar a sinalização, as regras e a segurança”.
O instrutor e proprietário de autoescola Wellington Pereira diz que, apesar de deixar o carro morrer não ser uma infração, a conduta pode trazer riscos.
“Se o carro morrer numa troca de marcha, por exemplo, o veículo que vem atrás pode não manter uma distância segura e acabar causando uma colisão”.
Para o especialista em trânsito André Cerqueira, modernizações são bem-vindas, mas as mudanças aprovadas podem trazer resultados negativos.
“Vivemos um contexto de alta nas mortes no trânsito. Acredito que, nesse momento, essa deveria ser a discussão”.
Já o presidente do Sindicato das Autoescolas do Espírito Santo, Gabriel Couzi, lembra que, independentemente das mudanças, aprender a dirigir exige uma formação completa e responsável.
“O curso com aulas teóricas e práticas bem estruturadas continua sendo indispensável para formar condutores conscientes”.
Entenda
CNH 2026
Desde o final do ano passado, o processo para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) foi simplificado.
Agora, o candidato pode concluir a etapa teórica de forma digital, por meio de aplicativo, indo ao Detran apenas para biometria, foto e realização da prova teórica.
A realização das aulas práticas também deixa de ser exclusiva das autoescolas. O candidato pode optar por instrutor autônomo credenciado pelo Detran.
Outra mudança retira a obrigatoriedade de emissão da carteira física. O condutor pode optar apenas pela versão digital.
Com as mudanças, o custo para tirar a CNH tende a ser reduzido.
O que muda na prova prática
Deixar o carro morrer
Antes: Causava a eliminação do candidato se acontecesse duas vezes.
Agora: Não é mais considerada uma falta eliminatória, pois não é uma infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB)
Pontos para reprovação
Antes: o candidato reprovava após atingir quatro pontos da prova.
Agora: O candidato pode perder até 10 pontos. A classificação dos erros passa a ser alinhada com as infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Sistema de pontuação
Infração leve: 1 ponto
Infração média: 2 pontos
Infração grave: 4 pontos
Infração gravíssima: 6 pontos
Baliza e Ladeira
Antes: Eram etapas obrigatórias para tirar a CNH.
Agora: Não são mais obrigatórias na prova.
Carro automático
Antes: O candidato realizava a prova com o carro manual.
Agora: O candidato pode escolher realizar a prova em carro automático. O Detran|ES reforça que, quem fizer a prova com esse tipo de veículo também pode dirigir carros manuais depois de habilitado.
Fonte: Detran|ES e especialistas entrevistados.
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