Lula: 'Macron quer ver se é possível misturar os Brics com o G7'
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relembrou neste domingo o convite feito pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para que participe da cúpula do G7 em junho e disse que o presidente francês "está querendo ver se é possível misturar os Brics com o G7".
"O Brics é um processo de formação de um grupo muito forte - quase metade da humanidade, quase metade do PIB mundial. O que nós precisamos é ter consciência de que 10 membros do Brics participam do G20", observou. Ele emendou que, além dele, Macron convidou o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e a África do Sul.
O presidente aventou, na sequência, a construção de um único bloco no futuro. "Nós vamos começar a compreender que não precisamos ter briga, não precisamos ter G7, G4, G20", disse. "Quem sabe esse grupo nosso fortalecido vai se juntar ao G20 e quem sabe um dia a gente tenha só um grupo. Ao invés de Brics e G20, a gente tenha o G30. Quem sabe alguma coisa similar, porque não precisamos ter tantas reuniões. Acho que estamos caminhando para isso, para um comércio mundial mais justo."
Lula disse que o Brics dá cara a um grupo que era marginalizado e pontuou que o grupo tem pretensões políticas - como exemplo, citou a criação do banco dos Brics. Ponderou saber que os Estados Unidos têm uma inquietação com o grupo, em razão da China, mas frisou que o Brics não quer uma "guerra fria", mas sim se fortalecer.
O presidente mencionou a discussão sobre a criação de uma moeda dos Brics e disse que isso nunca foi defendido pelo grupo. A discussão, segundo ele, é na verdade se é necessário o uso do dólar em relações de comércio entre o Brasil e Índia ou Brasil e China, por exemplo. Disse que a solução para isso tem que ser discutida entre ministros da Fazenda e bancos centrais.
"Que os Estados Unidos não gostem, em um primeiro momento, óbvio que podem não gostar. Eu não esperava que os Estados Unidos fossem concordar com essa ideia. Mas vamos debater. Só isso, vamos debater, vamos ver se a gente consegue fazer algo que possa ser mais justo e penalizar menos os países, sobretudo os menores. Essa é a ideia", declarou.
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