'O Agente Secreto' é longo e pouco estimulante, diz crítico no jornal El País
Filme brasileiro estreou nesta quinta-feira (20) na Espanha
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"O Agente Secreto", o longa dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura indicado a quatro troféus do Oscar, recebeu uma crítica negativa de Carlos Boyero, no jornal espanhol El País.
"Não há nada no filme que me perturbe ou distraia. Preciso que algum espectador entusiasmado me explique o enredo", escreveu Boyero, um dos principais e mais controversos críticos de cinema da Espanha, onde o filme estreou nesta quinta-feira (20).
Boyero disse que esperava um suspense tenso pela temática da ditadura e presença de um assassino profissional, mas saiu entediado. "A temática convida a imaginar um filme de suspense no qual vão acontecer muitas coisas perturbadoras. Ou seja, depois de tanto tempo, vou estar muito entretido e tenso. Mas não há como isso acontecer", afirmou.
O longa acompanha a história de um professor universitário que foge de São Paulo após se desentender com um empresário. Ele volta ao Recife natal e adota um nome falso, passando a viver escondido para a sua segurança.
Boyero criticou a duração do filme, as "pretensões estilísticas vazias" e a transparência falha do que o filme pretende mostrar. "Não entendo quase nada. Pior ainda: não me importo nem quando finge ser transparente, mesmo que tenha pretensões estilísticas demais."
O crítico reconheceu méritos na atuação de Wagner Moura, ainda que não tenha se impressionado. "Admito que tem certa presença, naturalidade, e que sua gestualidade é sóbria, ainda que não me desperte nenhuma sensação especial", escreveu.
Ele descreve o personagem como "um cara muito normal encurralado por aquela duradoura barbaridade", se referindo à ditadura, período em que, segundo ele, "o deus Pelé se manteve caladinho".
O crítico diz que, mesmo levando em consideração o contexto político, "isso não basta para outorgar valor artístico a este filme tão longo quanto pouco estimulante."
A reação negativa se destacou em meio à boa recepção da crítica --tanto no Brasil como nos Estados Unidos, aparecendo nas principais listas de melhores filmes do ano passado, incluindo elogios de críticos do The New York Times e da revista The New Yorker.
Lançado no circuito brasileiro em novembro, o filme tem conquistado diversos prêmios. Venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa e melhor ator para Moura. Levou também o Critics Choice Award de melhor filme estrangeiro e o Spirit Awards de melhor filme internacional.
No Festival de Cannes, onde estreou, em maio do ano passado, venceu na categoria de melhor ator para Moura e melhor diretor para Filho.
O longa disputa ainda, neste domingo (22), o troféu do Bafta, a maior premiação britânica voltada ao cinema, de melhor filme em língua não inglesa e melhor roteiro original. No Oscar, que ocorre em 15 de março, pode levar os troféus de melhor filme, melhor ator, melhor filme internacional e melhor direção de elenco.
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