Alunos melhoraram notas após proibição de celular, dizem escolas
Educadores apontam mudança de hábito nos intervalos, com volta de conversas presenciais, e redução da dispersão nas salas de aula
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Um ano após entrar em vigência, a legislação que restringe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas já apresenta bons resultados. De acordo com educadores, além de mais sociáveis, os estudantes estão mais concentrados e com melhores notas.
A Lei nº 621/2024 permite os aparelhos apenas para fins pedagógicos, mediante autorização dos professores, ou em situações específicas previstas na norma.
Doze meses depois de a medida ser implantada, o cenário nas escolas é outro: o barulho das notificações deu lugar a risadas, conversas e até ao som de cartas sendo embaralhadas nos intervalos.
Na Escola Primeiro Mundo, em Vila Velha, a diretora Juliana Santos relata que os alunos passaram a se aproximar mais e a fortalecer laços de amizade, especialmente nos intervalos.
Sem as telas, eles brincam de pique, jogam futebol, vôlei e participam de outras atividades coletivas, como jogar “Uno”. É o exemplo dos alunos do 6º ano Gabriel Meirelles, 10 anos, Isabella Vionet, 10, Sara Salles Cassia, 11, e Benício Rapozo, 10.
Segundo a diretora, a mudança foi importante para o processo de ensino-aprendizagem, pois contribuiu para maior concentração e foco nas aulas, além de estimular a comunicação presencial e o fortalecimento das relações sociais.
Na Escola Monteiro, o dia a dia demonstra que, após um ano da lei, os alunos estão bem adaptados e já não demandam o celular na rotina escolar.
“Na nova sede, especialmente voltada para o ensino médio, na Enseada do Suá, em Vitória, temos uma área livre com árvores onde os alunos podem se sentar e conversar, jogar cartas ou um jogo de tabuleiro. Colocamos no pátio uma mesa para vôlei e futebol de mesa, e tem sido um sucesso. Alunos e professores, muitas vezes, jogam juntos”, diz o coordenador do ensino médio da Monteiro, Élio Serrano.
Outra novidade foi a ampliação da sala de música, que fica disponível no recreio, reunindo grupos que formam bandas, rodas de cantoria e violão, além das atividades esportivas na quadra.
O que eles dizem
Trabalho coletivo
“É um trabalho coletivo. Como escola, temos que estar abertos às novas formas de aprender e de se relacionar que o novo aluno e o novo mundo nos trazem, mas também precisamos trabalhar para que sejam protegidos dos excessos que o uso indevido e exagerado do celular pode gerar, de ordem física, da saúde mental, das relações sociais e do aprendizado, que comprometem o pleno desenvolvimento.”
Fortaleceu a socialização
“Percebo que a restrição do celular nas escolas fortaleceu a socialização entre os alunos. Nos intervalos, eles conversam mais, jogam pingue-pongue, xadrez, damas, dominó e procuram a biblioteca, em vez de ficarem isolados nas telas. Isso é saudável para o desenvolvimento. Ao mesmo tempo, não considero o celular um vilão: quando usado com orientação, pode ser uma ferramenta pedagógica importante para pesquisas e aprendizado”.
Resultados positivos
“Já é possível ver resultados positivos nas escolas que realmente aplicaram a regra: os alunos ficaram mais concentrados, o convívio social melhorou e o ambiente ficou mais favorável ao estudo. O problema é o ‘uso pedagógico’ prolongado, com tablets e notebooks substituindo livros e cadernos. Defendo que a tecnologia seja usada de forma pontual, com finalidade clara e tempo definido”.
Maior concentração
“A proibição do celular trouxe resultados muito positivos para a nossa escola de tempo integral, da rede estadual de ensino. Observamos maior concentração dos alunos, mais participação nas atividades propostas e melhora significativa na interação durante os intervalos, com jogos, rodas de conversa e batalhas de rima saudáveis. Para atividades pedagógicas, utilizamos laboratórios e Chromebooks, assegurando o uso orientado, responsável e equilibrado da tecnologia como ferramenta de apoio ao aprendizado.”
Saiba Mais
Brincadeiras de volta ao pátio
Com a restrição dos celulares nos recreios e intervalos, as escolas registram o retorno de jogos e brincadeiras tradicionais. A ausência das telas estimulou maior participação coletiva.
Convivência mais próxima
O contato presencial ganhou espaço. Conversas em grupo se tornaram mais comuns e os alunos passaram a exercitar habilidades sociais importantes, como escuta, diálogo, empatia e expressão de sentimentos.
Leitura e imaginação em alta
Educadores observam que alguns estudantes têm buscado a biblioteca durante os intervalos ou aproveitado o tempo livre para ler. Além disso, muitos alunos passaram a desenhar, pintar e se envolver em atividades criativas.
Impacto positivo no rendimento
Com a restrição dos aparelhos no ambiente escolar, aliada à orientação das famílias, a melhora no rendimento já pode ser percebida na prática, com alunos mais atentos, participativos e envolvidos nas atividades pedagógicas.
Uso consciente da tecnologia
Apesar das limitações, a tecnologia segue sendo considerada um recurso pedagógico relevante quando aplicada com planejamento. Ferramentas digitais, aplicativos educacionais e acesso rápido a conteúdos continuam presentes, desde que utilizados com objetivos definidos.
Exemplos positivos
Indicadores pedagógicos
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou que a regulamentação do uso de celulares nas unidades da rede pública estadual vem sendo acompanhada pelas equipes gestoras ao longo do primeiro ano de vigência. Ainda não há dados oficiais consolidados sobre os impactos da medida, pois a análise será realizada ao longo do ano, com base nas avaliações educacionais e em indicadores pedagógicos.
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