Olinda homenageia “amores de Carnaval” em Encontro de Bonecos Gigantes nesta terça
37º Encontro de Bonecos de Silvio Botelho reúne 100 calungas no Guadalupe; Mulher da Sombrinha é a grande homenageada
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O Largo do Guadalupe, em Olinda, também vira uma homenagem não só cultural como aos "amores de Carnaval" nesta terça-feira (17). O 37º Encontro dos Bonecos Gigantes, regido pelo Mestre Silvio Botelho, reúne cerca de 100 figuras colossais para o tradicional desfile pelas ladeiras históricas. A concentração começa às 8h, com o "Esquenta da Folia" iniciando às 9h30 ao som de Charles Teone e quatro orquestras de frevo.
Este ano, o enredo foca no triângulo amoroso entre os gigantes. A homenageada é a Mulher da Sombrinha, ícone de Catende, antiga namorada do Homem da Meia-Noite. Ela viaja até Olinda para disputar o coração do Gigante mais reverenciado da Cidade Alta. (Veja detalhes da história dela abaixo)
O Calunga de 94 anos, que já é "pai" do Menino da Tarde e namorado oficial da Mulher do Dia, verá a antiga amada sair de sua própria sede em direção ao Guadalupe para o cortejo que ganha as ruas às 10h30.
Mestre Silvio Botelho, criador de mais de mil bonecos, também presta honras a Pai Jorge de Bessem e a Gilberto Giba Sobral (in memoriam). O evento marca a união dos bonecos da Região Metropolitana com os do interior do estado.
Origem da tradição A tradição dos bonecos gigantes em Pernambuco remonta a 1919, na cidade de Belém de Maria, com a criação do "Zé Pereira". A figura foi idealizada por Gumercindo Pires, inspirada em relatos de grandes bonecos que desfilavam em festas religiosas na Europa (especialmente em Portugal e Espanha) durante a Idade Média. Em Olinda, o costume fincou raízes em 1932 com o nascimento do Homem da Meia-Noite, criado por Anacleto e Bernardino da Silva para desfilar no horário em que os demais blocos se recolhiam.
Figura icônica de Catende surgiu de aparições à meia-noite em usina de açúcar no século 18
Muito antes de arrastar multidões pelas ladeiras, a Mulher da Sombrinha habitava o imaginário dos trabalhadores da Usina Catende. A lenda, que mistura medo e fascínio, conta que uma mulher loira e exuberante surgia sempre à meia-noite. Vestida com trajes luxuosos do século 18 e empunhando uma sombrinha, ela cruzava o caminho dos operários do último turno.
O registro histórico mais antigo da aparição remonta à década de 1940. O ex-prefeito do município, Renato Buarque de Macedo, documentou o susto de um ferreiro chamado José Leandro, que teria sido uma das "vítimas" do charme misterioso da assombração. Para os locais, o encontro com a loira era o prenúncio de uma história que ninguém sabia se era real ou fruto do cansaço das jornadas na usina.
Do medo à folia
A transição do mistério para o Carnaval aconteceu há 42 anos, quando o bloco oficial foi fundado em Catende. O que antes era um relato de assombração transformou-se em patrimônio cultural. Hoje, a gigante de trajes coloridos e sombrinha em riste não assusta mais: ela atrai foliões e, em 2026, desembarca em Olinda para disputar o coração do Homem da Meia-Noite no 37º Encontro de Bonecos Gigantes.
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