Do samba de raiz às batidas do mundo: Marco Zero e Rec-Beat dão o ritmo do domingo
Polo principal recebe gigantes do samba nacional, enquanto o Cais da Alfândega celebra 30 anos de vanguarda musical com atrações internacionais
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O Marco Zero ferve neste domingo (15) com duas propostas que reafirmam a capital pernambucana como o epicentro da diversidade momesca. No palco do principal, a noite é especialmente dedicada à cadência do samba, unindo o peso das escolas locais ao carisma de ícones nacionais como Pixote e Sorriso Maroto. A poucos metros dali, o Cais da Alfândega se transforma em um caldeirão sonoro com o Rec-Beat, que chega à sua histórica 30ª edição consolidado como um dos festivais mais longevos e inovadores do Brasil, conectando a música brasileira a sonoridades de Uganda e Senegal.
No Marco Zero, a celebração começa com a salvaguarda da nossa identidade. O encontro de blocos e escolas de samba, como o Galeria do Ritmo e Gigante do Samba, prepara o terreno para vozes potentes como as de Karynna Spinelli e Mariene de Castro.
A madrugada promete um coro em uníssono com o pagode romântico dos grupos Pixote e Sorriso Maroto, que trazem o brilho dos grandes espetáculos para a praça mais icônica da cidade. É a exaltação do samba em sua forma mais democrática, do terreiro ao rádio.
Sorriso Maroto, que faz o desfecho da noite no Marco Zero, é um dos maiores expoentes do pagode romântico no Brasil. Formado em 1997 no Rio de Janeiro, o grupo liderado por Bruno Cardoso é conhecido por unir letras sentimentais a uma sonoridade que transita entre o pagode tradicional e influências do R&B e do pop.
Com quase 30 anos de estrada, o grupo mantém uma conexão forte com o público ao falar de relacionamentos com uma linguagem moderna e cativante. Eles têm musicas cativantes como ""Assim Você Mata o Papai", "Guerra Fria" e "Sinais".
Expondo as amarras do machismo
Já o Rec-Beat celebra três décadas de resistência e curadoria apurada. Para comemorar o jubileu de pérola, o festival apresenta neste domingo um roteiro que vai do violão refinado de Chico Chico e Josyara às experimentações eletrônicas e percussivas de Faizal Mostrixx, de Uganda, e do quarteto senegalês Momi Maiga.
O palco, que já foi vitrine para grandes movimentos da música independente, reafirma seu papel de antecipar tendências e promover o intercâmbio cultural no meio da folia pernambucana, provando que a inovação é a tradição do Rec-Beat. Quem encerra a noite é Ajuliacosta,
Ajuliacosta consolida-se como voz de resistência no rap nacional com o álbum Novo Testamento, onde utiliza rimas afiadas para confrontar o machismo estrutural e a invisibilidade da mulher preta. A obra é um manifesto de ascensão e autoconfiança, desconstruindo estereótipos de gênero enquanto domina as batidas com lírica impecável. No palco do Rec-Beat, ela traz essa narrativa de poder que desafia as estruturas tradicionais da indústria musical e da sociedade.
Programação Marco Zero (Domingo, 15/02)
17h15: Recife Matriz de Cultura Popular - Encontro de Blocos e Escolas de Samba (Anarquistas Bole Bole, Galeria do Ritmo, Pérola do Samba, Gigante do Samba e Preto Velho)
19h30: Karynna Spinelli com Leyde do Banjo e Neris Rodrigues
21h00: Mariene de Castro
22h50: Pixote
00h40: Sorriso Maroto
Programação Rec-Beat (Cais da Alfândega - Domingo, 15/02)
19h00: Afrobitch (PE)
19h30: Chico Chico (RJ)
20h40: Momi Maiga Quartet (Senegal)
21h50: Josyara (BA)
23h10: Faizal Mostrixx (Uganda)
00h30: AJULLIACOSTA (SP)
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