Motociclista é o 5º paciente a fazer tratamento com Polilaminina no ES
Eraldo Cabral, 61 anos, sofreu acidente de moto e ficou tetraplégico. Com o medicamento, começou a apresentar leves movimentos
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O pedreiro Eraldo Ferreira Cabral, 61 anos, foi o quinto paciente do Estado a receber a polilaminina – substância capaz de regenerar lesões na medula espinhal – por decisão judicial após ser arremessado em um acidente de moto, no último dia 4, em Santa Maria de Jetibá, e sofrer uma lesão medular que o deixou tetraplégico.
O medicamento foi aplicado no dia 7 deste mês, no Hospital Estadual de Urgência e Emergência São Lucas, em Vitória. De acordo com João Paulo dos Santos Cabral, filho de Eraldo, ele agora se recupera na UTI e já começou a apresentar leves movimentos nos ombros e no braço.
“Ele ainda está entubado, porque o procedimento foi recente, mas temos muita esperança”.
De acordo com o coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Estado, Mitter Mayer, esse é mais um caso em que o medicamento é ministrado na janela terapêutica ideal, o que aumenta as esperanças quanto a recuperação de movimentos.
“O ideal é fazer a aplicação em até 72 horas após a lesão, para garantir resultados mais promissores. De todos os casos no Brasil, os do Estado foram os únicos que estavam dentro dessa janela”.
Para Mitter, essa agilidade é resultado de planejamento. “Já temos um fluxo definido para identificar a lesão, encaminhar o paciente ao hospital de referência e agilizar exames e a cirurgia”.
No Brasil, 19 pacientes receberam a polilaminina mediante decisão judicial. Os resultados, até o momento, são animadores.
“Do ponto de vista científico é preciso cautela. Mas acompanhando os casos, o que tem acontecido é algo extraordinário”.
Acidente
Eraldo pilotava uma motocicleta quando foi atingido por outra moto. De acordo com a Polícia Civil, o condutor do segundo veículo foi autuado por lesão corporal culposa, com agravante por estar sob efeito de álcool ou outra substância psicoativa, e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória.
João Paulo Cabral filho do paciente
“Estamos com esperança”
A Tribuna — Como foi quando descobriram que seu pai havia ficado tetraplégico?
João Paulo Cabral — Foi um choque. A gente imaginava que algo poderia ter acontecido por causa do impacto, mas receber a confirmação foi muito difícil.
Você já conhecia esse tratamento?
Não. Foi o neurocirurgião do hospital que nos explicou sobre o tratamento. Ele disse que a cirurgia iria corrigir a fratura, mas que não devolveria os movimentos, e apresentou a polilaminina como uma alternativa de reabilitação.
Como está a expectativa da família para os resultados?
Estamos com muita esperança. Conversamos com familiares de outros pacientes que já receberam o tratamento e vimos relatos positivos. Sabemos que é um processo lento, mas acreditamos muito na recuperação dele. Vamos estar ao lado dele até o fim.
O que mantém essa esperança na recuperação?
Meu pai sempre foi muito ativo, trabalhador, não bebe, não fuma. Ele é forte. Mesmo entubado, pediu para a gente cuidar das ferramentas da obra que estava fazendo. Isso mostra que ele está com pensamento positivo.
Entenda
Polilaminina
É uma substância produzida a partir de uma proteína extraída da placenta humana e tem o potencial de regenerar a medula espinhal, um tecido delicado e de difícil recuperação.
Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o laboratório Cristália mostraram que era possível recriar em laboratório essa malha, extraindo a proteína de placentas, e aplicá-la diretamente na região lesionada na medula.
Quando reintroduzida no corpo, a polilaminina ajuda os neurônios a formarem novos caminhos para os impulsos elétricos que permitem movimentos.
O tratamento consiste em uma aplicação cirúrgica única no ponto da lesão, geralmente dentro de até 72 horas após o acidente, aumentando as chances de recuperação.
Testes
Os primeiros testes foram realizados em animais e mostraram efeitos animadores.
Em ratos, os sinais começaram a aparecer em 24 horas e a recuperação em cerca de oito semanas; em cães, houve diferentes níveis de recuperação do movimento das patas.
Nos estudos clínicos iniciais em humanos, oito voluntários receberam a medicação até três dias após a lesão. Os resultados foram considerados promissores
Autorização
O estudo clínico de fase 1 foi autorizado pela Anvisa e vai avaliar a segurança da polilaminina em cinco pacientes com idade entre 18 e 72 anos.
O Estado tem interesse em sediar os estudos e inclusive fez uma solicitação ao laboratório, colocando à disposição o Hospital São Lucas.
Golpes
Mitter Mayer diz que pessoas têm se passado por advogados ou por membros da equipe de pesquisa para tentar aplicar golpes em famílias.
A orientação é procurar sempre os canais oficiais, tanto do laboratório Cristália quanto da comissão estadual, para obter as informações corretas sobre o tratamento.
Eles também receberam medicamento
Primeiro no Estado
O piloto de motocross Luiz Fernando Mozer, 37 anos, foi o primeiro do Estado a receber o tratamento por decisão judicial após sofrer um acidente.
Segundo Mitter Mayer, Luiz já relata ganho de força e sensibilidade nas pernas.
Lesão após mergulho
Um jovem de 24 anos recebeu o tratamento após sofrer uma lesão na coluna depois de um mergulho em uma cachoeira de Santa Leopoldina.
O homem tem apresentado evolução. De acordo com Mitter Mayer, a família relatou que ele já movimenta os braços, tem forças nas mãos e apresenta sensibilidade nos pés.
Queda de telhado
Um idoso de 70 anos, morador de Cariacica, foi o terceiro paciente do Estado a receber polilaminina com decisão judicial, em janeiro deste ano.
Ele sofreu uma lesão medular após cair de um telhado, quando lesionou a vértebra T12.
Acidente de bicicleta
Um idoso de 84 anos, do interior de Afonso Cláudio, foi o quarto paciente do Estado a receber o tratamento inovador com a polilaminina.
Ele sofreu uma lesão após um acidente de bicicleta em janeiro. Segundo Mitter Mayer, a família não autorizou a divulgação de mais informações sobre este caso.
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