Alopecia androgenética: médicos explicam doença que afeta cantora sertaneja
A sertaneja Maiara relatou luta contra a calvície feminina, processo foi acelerado pela perda de peso e excesso de química
Siga o Tribuna Online no Google
A queda acentuada de cabelo, que por anos foi disfarçada nos palcos e nas aparições públicas, virou tema de um relato honesto da cantora sertaneja Maiara. Aos 38 anos, a artista usou as redes sociais para falar abertamente sobre a alopecia androgenética, condição que enfrenta há anos e que impactou sua autoestima ao longo da carreira. Médicos ouvidos pela reportagem de A Tribuna explicaram que o problema enfrentado pela cantora é a calvície.
Segundo Maiara, que faz dupla com a irmã Maraisa, os procedimentos capilares feitos desde os 14 anos, quando começou a carreira, prejudicaram a saúde dos fios.
Hoje, ela usa lace (tipo de peruca feita de fio a fio em uma tela de microtule) para proteger os fios, mas a cantora revelou que já fez progressiva, usou fita e amarração, procedimentos que, segundo os médicos, pioram ainda mais a condição da queda de cabelo.
A dermatologista Karina Mazzini destaca que procedimentos químicos, como alisamentos e escovas progressivas, também prejudicam a saúde capilar.
“Essas técnicas causam perda de proteína da haste do cabelo, levando à quebra dos fios e piorando a alopecia androgenética em pessoas que já têm predisposição genética”.
Maiara também perdeu muito peso devido à bariátrica, o que, segundo Karina, pode agravar a queda de cabelo, já que a cirurgia compromete a absorção de nutrientes.
“Esse déficit nutricional pode levar ao eflúvio telógeno pós-emagrecimento, caracterizado por uma queda abrupta e intensa dos fios”.
A dermatologista Oliete Guerra destaca ainda que, apesar de a alopecia androgenética afetar mulheres, não leva à calvície total.
“O cabelo fica mais fino, especialmente na região frontal e superior da cabeça. Quanto mais cedo o tratamento começa, melhores são os resultados, pois alguns folículos podem atrofiar”.
A médica Renata Melo ressalta que a condição não tem cura, mas é possível tratá-la. “Entre os tratamentos contamos com a tricoscopia digital, exames laboratoriais e anamnese completa para identificar a causa da queda. Após essa etapa é analisado o tratamento adequado. Temos opções como a microinfusão de medicamentos na pele, o laser fracionado, a terapia com exossomos capilares e lasers”.
Entenda o caso
Alopecia androgenética
Alopecia androgenética, ou calvície, é uma forma de queda de cabelos geneticamente determinada. É relativamente frequente na população.
Homens e mulheres podem ser acometidos pelo problema, que, apesar de se iniciar na adolescência, só é aparente após algum tempo, por volta dos 40 ou 50 anos.
Apesar de o termo “andro” se referir ao hormônio masculino, na maioria das vezes os níveis hormonais se mostram normais nos exames de sangue.
A doença se desenvolve desde a adolescência, quando o estímulo hormonal aparece e faz com que, em cada ciclo do cabelo, os fios venham progressivamente mais finos.
Tem forte componente hereditário, mas também pode surgir sem histórico familiar.
Sintomas
A queixa mais frequente na alopecia androgenética é a de afinamento dos fios. Os cabelos ficam ralos e, progressivamente, o couro cabeludo mais aberto.
Nas mulheres, a região central é mais acometida. Pode haver associação com irregularidade menstrual, acne, obesidade e aumento de pelos no corpo. Porém, em geral, são sintomas discretos. Nos homens, as áreas mais abertas são a coroa e a região frontal (entradas).
Alopecia adquirida
Esse tipo é causado por emagrecimento acelerado ou procedimentos químicos, como progressivas e alisamentos.
Essas técnicas causam perda de proteína da haste do cabelo, levando à quebra dos fios e piorando a alopecia androgenética em pessoas que já têm predisposição genética.
O uso de mega hair, que traciona os fios, também pode causar inflamação do folículo e levar à alopecia. Segundo a dermatologista Karina Mazzini, estudos também indicam que a cola utilizada nesses procedimentos pode contribuir para a queda capilar.
Outros fatores
Além da genética, contribuem para a alopecia: estresse elevado; uso de hormônios e suplementos; alimentação com agrotóxicos e hormônios; alterações hormonais; anemia e doenças da tireoide.
Tratamento
Envolve: reposição de vitaminas, medicamentos tópicos e orais (como minoxidil), antiandrógenos, quando indicados; tecnologias como laser, microinfusão de medicamentos na pele e medicina regenerativa, como os exossomos capilares; e transplante capilar.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários