FBI concluiu que Epstein não geria rede de tráfico sexual, diz agência
Documentos analisados pela agência de notícias mostram que o FBI analisou em detalhes evidências que indicassem potenciais suspeitos
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Memorandos do FBI e outros arquivos policiais e de procuradores dos Estados Unidos, que fazem parte da base de documentos liberada pelo Departamento de Justiça sobre o caso Jeffrey Epstein, mostram que a polícia federal americana concluiu que o financista não geria uma rede de tráfico sexual para poderosos.
A agência de notícias Associated Press analisou uma série desses documentos para destrinchar o caminho das investigações do FBI sobre o caso, que terminou por não encontrar evidências suficientes para realizar acusações adicionais a Epstein e seus associados, além de pessoas influentes que tiveram relações com o financista.
A investigação começou em 2005, quando os pais de uma menina de 14 anos relataram que ela foi abusada na casa de Epstein em Palm Beach, na Flórida.
Com ao menos 35 casos similares relatados, procuradores federais processaram o financista e alguns de seus assistentes pessoais. Epstein conseguiu um acordo judicial para se declarar culpado e reduzir sua pena; ele ficou 18 meses na prisão e a deixou em 2009.
O criminoso condenado foi novamente preso em julho de 2019, após novas reportagens na imprensa americana serem o gatilho para que procuradores federais de Nova York voltassem ao caso. Epstein morreu na prisão em agosto daquele ano —Ghislaine Maxwell, sua ex-companheira, foi acusada em 2020 por recrutar vítimas do financista e foi presa um ano depois.
Documentos analisados pela agência de notícias mostram que o FBI analisou em detalhes evidências que indicassem potenciais suspeitos, inclusive denúncias aparentemente absurdas ou incompreensíveis feitas por telefone.
A polícia federal americana também fez uma série de entrevistas com vítimas de Epstein. Um caso que ilustra essa dificuldade de encontrar evidências que fossem além de Epstein, Maxwell e cúmplices mais próximos é o de Virginia Giuffre.
Investigadores concluíram que ela foi sexualmente abusada por Epstein, mas não puderam confirmar outras partes da acusação da vítima, segundo a agência. Giuffre teria sido abusada também pelo então príncipe Andrew, da realeza britânica.
Duas outras vítimas de Epstein que Giuffre afirmou terem sido, como ela, cedidas a homens poderosos, afirmaram não ter tido experiência similar, segundo um memorando interno do FBI de 2019 analisado pela AP.
"Nenhuma outra vítima descreveu ter sido expressamente direcionada por Maxwell ou Epstein para se envolver em atividades sexuais com outros homens", segundo o memorando.
Ainda de acordo com investigadores, Giuffre mudou declarações em diferentes depoimentos e fez acusações em público "que incluíram caracterizações sensacionalistas de suas experiências, quando não comprovadamente incorretas". Giuffre defendeu a veracidade de suas acusações em livro de memórias lançado após ela cometer suicídio, em 2025.
Outro documento analisado, um email da ex-procuradora assistente Maurene Comey ao FBI, afirmou que não havia evidências em fotos e vídeos apreendidos no caso implicando qualquer outro adulto além de Epstein e Maxwell em contatos sexuais com mulheres nuas.
Procuradores também escreveram que, embora investigadores tenham encontrado pagamentos a mais de 25 mulheres que aparentavam ser modelos nos registros financeiros de Epstein, não havia evidências de que ele estava de fato prostituindo essas ou outras mulheres.
Pessoas muito próximas a Epstein também ficaram sem acusações com base na falta de evidências suficientes entre as coletadas do FBI, segundo a AP.
Procuradores, por exemplo, concluíram que uma assistente próxima de Epstein foi ela mesma vítima de abuso sexual e manipulação do financista, embora potencialmente soubesse dos abusos de outras mulheres, inclusive menores de idade. Essa assistente, que a AP não nomeia, não foi acusada por nenhum crime.
Pilotos dos aviões de Epstein e amigos e clientes de longa data, como o bilionário Les Wexner, também foram alvo da investigação, logo após a prisão de Epstein em 2019. "Há evidência limitada sobre o envolvimento dele [de Wexner]", escreveu um agente do FBI em agosto de 2019.
Uma suposta lista de clientes de Epstein foi amplamente debatida nas redes sociais e na imprensa, mas o FBI nunca encontrou o material, ainda segundo documentos.
Em fevereiro de 2025, por exemplo, a secretária de Justiça do governo Trump, Pam Bondi, afirmou em entrevista à rede Fox News que tinha a suposta lista de clientes "na mesa dela". Dois dias antes, no entanto, um agente do FBI escreveu, em documento, que investigadores não haviam encontrado material semelhante durante as apurações.
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