Bancos dão descontos e negociam dívidas de mais de 560 mil clientes
Instituições financeiras oferecem descontos, fazem parcelamento em até 10 anos e preparam feirões para atender os clientes
Dívidas com bancos, cartões e financeiras são motivo de preocupação para 568 mil moradores do Espírito Santo que entraram para a lista de inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência do Serasa Experian, marca brasileira de análises e informações para decisões de crédito.
Feirões de negociação e alternativas diretas com as instituições financeiras, como Caixa, Banco do Brasil, Banestes, Itaú e Bradesco, são uma alternativa viável para limpar o nome, com descontos que chegam a 100% de juros de mora, correção e multa.
Essa é a condição apresentada pelo Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), que ainda possibilitar o parcelamento da dívida em até 120 meses — ou seja, em até 10 anos.
O banco já prepara, para março, a próxima edição do Feirão Zera Dívida Banestes, embora mantenha os atendimentos de forma constante, durante todo o ano, nas agências em todo o Estado.
“O feirão é destinado tanto para Pessoas Físicas (PF) com dívidas de até R$ 500 mil quanto para Pessoas Jurídicas (PJ) com dívidas de até R$ 1 milhão. É importante destacar que os descontos são maiores para aqueles que optam pelo pagamento à vista”, diz, em nota.
Para participar da renegociação, segundo a instituição, os clientes devem ter um atraso superior a 60 dias, e os débitos podem estar judicializados ou não.
Descontos e parcelamentos em até 72 vezes também são oferecidos pelo Itaú Unibanco. Para saber mais detalhes, o banco privado orienta acessar o aplicativo ou canais digitais, como o número (11) 4004-4828 no mensageiro “WhatsApp” e o site “www.renegociacao.itau.com.br/”.
A Caixa Econômica Federal afirma oferecer aos clientes condições disponíveis “conforme perfil e enquadramento do contrato”. Para isso, é preciso acessar o site “www.caixa.gov.br/negociar”.
Já o Banco do Brasil orienta que os clientes busquem a renegociação das dívidas pelos telefones “4004-0001” ou “0800 729 0001”, e também pelo mensageiro WhatsApp, em (61) 4004-0001. É possível ainda usar o autoatendimento em “www.bb.com.br/solucaodedividas” ou ir a uma agência.
Gerenciar dívidas é um dos problemas, diz economista
A oferta de crédito para pessoas endividadas e o despreparo para gerenciar a crise financeira têm provocado um efeito problemático em relação à inadimplência no Brasil, avalia o economista Antônio Marcus Machado.
O especialista comenta que, embora os dados de inadimplência estejam em queda, o comportamento do brasileiro tem sido pagar contas atrasadas contraindo empréstimos — alternativa que limpa o nome no primeiro momento, mas vira uma “bola de neve” logo em seguida.
“Não é porque a pessoa teve mais emprego e ganhou mais, e sim porque ela teve acesso a mais crédito para cobrir crédito anterior. Ela fica com o nome limpo e pode consumir, o que o comércio agradece, já que vai gerar emprego e renda. Mas isso não acontece da forma como deveria ser, de forma sustentável”, comenta.
Para 2026, Machado acredita que a situação pode ser ainda mais grave, uma vez que não há mudança na política de concessão de crédito. “As famílias se endividando mais ainda e assumindo crédito, e eventualmente ficando inadimplentes”, diz.
Os números
72 vezes pode chegar o parcelamento no caso do Itaú Unibanco
100% desconto de juros de mora, correção e multa no caso de renegociação do Banestes
Saiba Mais
Esperar feirões vale a pena?
Os feirões de renegociação de dívidas podem ser uma excelente oportunidade para começar a negociar os débitos, mas não são a única opção.
O conselho de especialistas em finanças é tentar resolver a situação o mais breve possível, para não ficar sujeito aos temidos juros compostos que incidem sobre parcelas não pagas.
Quanto de desconto buscar?
O percentual pode variar bastante, e depende da instituição financeira credora, do tipo de dívida e do histórico de pagamento do devedor.
Em feirões de negociação, os descontos podem atingir até 90%.
Qual dívida negociar?
Quando o endividamento se estende para diferentes linhas de crédito, o ideal é priorizar as dívidas com taxas de juros maiores.
Se alguém possui uma dívida de R$ 5.000 no cartão de crédito e paga juros de 10% ao mês, por exemplo, verá o débito saltar para R$ 13.000 em um ano. Com isso, é mais vantajoso renegociar essa dívida primeiro, para evitar que o montante cresça ainda mais.
Devo usar o 13º salário?
A avaliação é que utilizar o 13º para quitar as dívidas mais perigosas é um bom ponto de partida, desde que o endividado não comprometa suas necessidades básicas.
Se possuir uma dívida de R$ 3.000 no cartão de crédito e com o 13º salário de R$ 2.000 consegue negociar um desconto de 30%, poderá quitar a dívida por R$ 2.100, liberando espaço no orçamento e evitando juros altos no futuro.
Como consultar dívidas?
Existem algumas possibilidades de consulta utilizando o Cadastro da Pessoa Física (CPF) para saber se existe alguma dívida registrada.
Sites de órgãos de proteção ao crédito como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e o Serasa também podem ser utilizados.
É possível ainda acessar a ferramenta gratuita Registrato, oferecida pelo Banco Central. Ela permite consultar diversos relatórios com informações pessoais ou de uma empresa, utilizando o login da conta do “gov.br” para acessar.
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