João Campos fala em "perseguição" no caso da investigação de secretário
Prefeito do Recife exige explicações sobre procedimentos, segundo ele, sem respaldo judicial e promete levar caso à Justiça
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), criticou o que chamou de "uso político" da Polícia Civil, a qual teria realizado ações sem ordem judicial, e cobrou explicações sobre quem autorizou o monitoramento de um secretário municipal. O posicionamento foi feito na noite desta segunda-feira (26), após a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) negar qualquer espionagem e afirmar que o acompanhamento ocorreu dentro de procedimentos considerados padrão.
Em pronunciamento público, nas redes sociais, o prefeito afirmou que não questiona o papel investigativo da polícia, mas a forma como a estrutura do Estado teria sido utilizada fora dos parâmetros legais.
“O que está em jogo não é a polícia investigar, mas é fazer isso da forma certa. Eu não tolero corrupção, mas eu também não tolero perseguição”, declarou.
João Campos disse que as informações reveladas pela imprensa apontam para a adoção de medidas sem respaldo formal, como investigações sem inquérito, sem boletim de ocorrência e sem autorização judicial. Para ele, houve uma instrumentalização política da estrutura policial.
“Foi revelado que inquéritos foram desarquivados por interesse eleitoral. Perseguição sem ordem judicial, sem inquérito, sem BO, sem nenhuma formalidade”, afirmou.
O prefeito citou ainda a denúncia de instalação de rastreador em veículo oficial da Prefeitura do Recife, também sem decisão judicial.
“Rastreador sendo colocado no carro oficial da prefeitura sem ordem judicial. Isso é criminoso, isso é um absurdo”, disse, ressaltando o papel da imprensa na revelação do caso.
“Se não fosse a imprensa livre denunciando isso, onde é que isso ia parar?”, questionou.
Ao comentar a nota divulgada pela Secretaria de Defesa Social, que informou o arquivamento da apuração por ausência de indícios, João Campos voltou a cobrar formalidade e transparência nos procedimentos.
“Depois que saiu a notícia, a SDS disse que foi arquivado e que nada foi encontrado. Cadê a formalidade disso tudo? Porque na polícia e na política não vale tudo não. Tem regra, tem lei, tem que ser cumprida para todo mundo”, afirmou.
O prefeito também contextualizou o episódio dentro do cenário eleitoral de 2024, quando disputava a reeleição. Segundo ele, denúncias já apuradas e arquivadas teriam sido reabertas durante o período eleitoral sem a identificação de novos fatos.
“Foi desde 2024, quando eu disputava a reeleição. Foi feita uma denúncia sobre creches, foi investigado, o delegado responsável investigou, não encontrou nenhum problema, nenhum crime, arquivou”, relatou.
De acordo com João Campos, mesmo após o arquivamento, a investigação teria sido retomada por determinação superior, com justificativa relacionada ao calendário eleitoral.
“Aí vem um delegado dando ordem superior e manda investigar novamente, durante o período eleitoral, dizendo que era importante pelo período eleitoral. Depois da eleição, arquiva de novo”, disse.
O prefeito criticou ainda a atuação de policiais em um grupo informal de WhatsApp, citado na denúncia, envolvendo delegados e agentes, sem respaldo legal.
“Aí vem uma ação absurda como essa, três delegados, sete agentes, num grupo informal de WhatsApp. Quem é que deu a ordem para formar esse grupo? Para tomar essas medidas ilegais e criminosas?”, questionou.
Apesar das críticas, João Campos ressaltou que não se trata de um ataque à instituição Polícia Civil, que classificou como histórica e relevante, mas de questionamento sobre quem estaria por trás das decisões.
“Não vale tudo dentro de uma instituição tão séria como é a Polícia Civil, com mais de 200 anos”, afirmou.
O prefeito associou o caso a um ambiente de ataques após o pleito municipal, citando disseminação de desinformação e tentativas de desgaste político.
“Depois da eleição, em 2024, foi construída uma grande rede de ódio. Disseminação de mentira, ataque à honra, fake news, injúria, difamação”, declarou.
Ao final do pronunciamento, João Campos afirmou que o episódio não ficará sem resposta e que irá acionar a Justiça para apurar responsabilidades.
“Tudo isso não vai ficar impune. Não vai. Porque não vale tudo para disputar uma eleição”, disse.
“Eu vou tomar todas as medidas cabíveis na Justiça Brasileira, porque isso não vai passar impune. A democracia brasileira não permite e nem permitirá nenhum arroubo autoritário”, concluiu.
CONFIRA O POSICIONAMENTO DO PREFEITO JOÃO CAMPOS :
O QUE DIZ A ASSESSORIA DO GOVERNO DO ESTADO
Procurado, o governo estadual através da assessoria de imprensa, respondeu que todas as informações já foram detalhadas pela Secretaria de Defesa Social através de coletiva de imprensa.
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