CNI alerta: fim da escala 6x1 pode encarecer produtos, diz Alban
É o que disse Ricardo Alban, presidente da CNI, sobre a proposta de redução de jornada de trabalho. Ele afirmou ser a favor da medida
A redução da jornada de trabalho no Brasil e o fim da escala 6x1 criaria custos adicionais para empregadores, que repassarão o impacto para os preços ao consumidor, afirmou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.
Ele se diz pessoalmente a favor do regime de cinco dias de trabalho por dois de descanso, mas alerta que tal evolução comprometeria ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros, já afetada pela baixa produtividade.
O fim da escala 6x1 é uma das vitrines que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deseja apresentar na sua campanha à reeleição. “Nós não temos condições. Quem vai pagar a conta sabe quem é? É o consumidor de novo. Esse custo vai ser repassado”, afirmou ao canal C-Level Entrevista, da Folha de São Paulo.
Alban afirma ainda que a revisão jurídica do acordo entre União Europeia e Mercosul é uma oportunidade para discutir aprimoramentos e reduzir riscos futuros. Ele minimizou o risco de um impacto negativo da decisão tomada pelo Parlamento Europeu. “Nossa proatividade é muito importante no sentido de buscar soluções.”
O presidente da CNI também comentou sobre o acordo entre União Européia (UE) e o Mercosul, que sofreu um revés com a decisão do Parlamento Europeu de fazer uma revisão jurídica do tratado.
“Nós vencemos uma etapa de 30 anos. Isso tem que ser comemorado. Obviamente, a construção de convergências nunca é simples, mas tem que ser persistida. Essa dificuldade da judicialização era prevista, talvez até esperada. Acho que é mais uma oportunidade de a gente aprimorar (o acordo). Pode vir a ajudar a minimizar riscos futuros. Talvez alguns aperfeiçoamentos que gerem menos questiúnculas depois”, disse.
O Brasil passa a ter um período médio superior em oito anos para as adaptações das taxas em relação à União Europeia, de acordo com Alban.
“Significa que o Brasil terá oito anos a mais para atingir essas metas (de redução das alíquotas). O mundo está começando a exigir um conceito de complementariedade. As relações comerciais internacionais entre blocos, entre países, vão ser mais eficientes. É o ganha-ganha. Agregar valor em determinado país, em determinada nação, de acordo com suas vantagens competitivas”, detalhou.
Sobre as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contou que muito do setor industrial ainda está sofrendo com o tarifaço. “Máquinas, equipamentos, calçados, pescado, madeiras. É um grande desafio”.
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