Timothée Chalamet movido a ambição em “Marty Supreme”
Na Nova Iorque do pós-guerra, nos anos 50, o personagem leva o patriotismo para partidas de tênis de mesa e crê estar destinado a ser o maior de todos
Enquanto a disputa pelo Oscar se aproxima, “Marty Supreme” revê outra competição. Isso porque a abertura do filme que pode premiar Timothée Chalamet como melhor ator retrata uma corrida entre espermatozoides. Eles disparam rumo ao óvulo e, como o protagonista, sequer cogitam a derrota.
Embora use óculos e lentes de contato – o que, segundo Chalamet, prejudicou sua visão no set –, Marty vê seu percurso com clareza. Na Nova Iorque do pós-guerra, nos anos 50, o personagem leva o patriotismo para partidas de tênis de mesa e crê estar destinado a ser o maior de todos.
Se para o judaísmo – elo que une o diretor Josh Safdie e seu protagonista – a derrota nazista ilustrou a força de um povo, para os Estados Unidos, ela alimentou o sonho americano. Mas a exaltação do esforço individual, apesar de ser mote do atual governo deste império, mostra suas falhas até mesmo no ping pong.
Após uma simbólica derrota para um jogador do Japão – nação até então oponente dos Estados Unidos no xadrez geopolítico –, Marty encontra seu nêmesis e decide que terá de vencê-lo numa revanche, custe o que custar.
Na corrida por dinheiro para realizar seu objetivo, o personagem engana amigos, dá golpe em criminosos e foge de empresários poderosos. A moral duvidosa, típica dos filmes de Safdie, alimenta a ansiedade do espectador – conflitos se acumulam, personagens correm sem parar e não há tempo para respirar.
Além de ser a produção mais cara da A24, “Marty Supreme” já é a maior bilheteria da produtora nos Estados Unidos, onde estreou no final de dezembro; esgotou quinquilharias personalizadas e trouxe Timothée Chalamet à CCXP, em São Paulo, quando mergulhou nos braços da multidão, dançou num salão lotado e declarou sua paixão pelo País com um look verde e amarelo.
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