Obama e Clinton defendem direito de manifestação após 2ª morte por agentes
A morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado ao menos dez vezes em menos de cinco segundos por um agente federal no sábado, 24, impulsionou uma onda de protestos contra as ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis e em outras partes do país.
As manifestações tiveram início no começo deste mês, após a morte da poeta Renée Good, de 37, baleada na cabeça por um agente do ICE, mas ganharam força no último fim de semana. Os atos foram defendidos pelos ex-presidentes dos EUA Bill Clinton e Barack Obama, que também criticaram as recentes ações dos agentes de imigração.
Por sua vez, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que enviará o czar da fronteira da Casa Branca, Tom Homam, para Minnesota nesta segunda-feira, 25, em publicação na Truth Social.
"Tom não tem experiência nessa região, mas conhece e gosta de muitas pessoas de lá. Ele é rigoroso, mas justo, e se reportará diretamente a mim", escreveu o presidente na postagem.
Crescimento dos protestos
As primeiras manifestações ocorreram logo após a morte de Renée, em 7 de janeiro. A poeta tentava manobrar seu carro em um bairro residencial de Minneapolis quando foi abordada e baleada na cabeça por um agente do ICE. Desde então, milhares de moradores foram às ruas contra a truculência das ações dos agentes de imigração.
Na última sexta-feira, 23, cerca de 100 manifestantes foram presos durante um protesto no Aeroporto Internacional de Minneapolis-St. Paul, o maior aeroporto de Minnesota. Segundo o porta-voz da Comissão Aeroportuária Metropolitana, Jeff Lea, o grupo foi intimado por invasão de propriedade e desobediência a um agente de segurança e, posteriormente, liberado.
Já no sábado, Pretti foi morto ao tentar proteger uma mulher que foi atingida pelo spray de pimenta de um policial durante um protesto. Apesar de autoridades federais afirmarem que o enfermeiro tinha a intenção de "massacrar" os agentes, as imagens mostram que, ao se aproximar dos policiais da Patrulha de Fronteira, ele segurava apenas o celular em uma das mãos e nada na outra. Ainda assim, Pretti foi derrubado no chão e baleado. Ele carregava uma arma, mas o objeto só foi encontrado depois que ele já estava ferido.
Em entrevista à emissora Fox News, a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, afirmou que ninguém "deveria aparecer com armas" em uma manifestação, posição também defendida pelo diretor do Departamento Federal de Investigação (FBI), Kash Patel.
Os protestos cresceram com a morte de Pretti. Na noite de domingo, 25, um grupo de manifestantes tentou invadir o hotel Home2 Suites by Hilton, em Minneapolis, onde acreditavam que agentes do ICE estavam hospedados. Segundo a Fox News, os cidadãos usaram uma pá para remover cartazes do hotel e tentaram entrar à força no local.
O Departamento de Segurança Pública de Minnesota afirmou, em publicação no X, que agentes da Patrulha Rodoviária do Estado e do Departamento de Recursos Naturais foram acionados para ajudar devido a danos na propriedade. "Enquanto trabalhavam em conjunto para cercar o grupo e efetuar prisões, visto que a manifestação não era pacífica, agentes federais chegaram sem comunicação prévia e utilizaram agentes químicos irritantes, dispersando o grupo", disse a pasta. Não há informações até o momento sobre presos ou feridos.
Apoio de ex-presidentes
Em comunicado divulgado no domingo, Obama afirmou que os agentes federais parecem estar usando táticas "projetadas para intimidar, assediar, provocar e colocar em perigo" os moradores de Minnesota. A mensagem destaca que o atual presidente dos EUA e outros integrantes do governo "parecem ansiosos para agravar a situação".
"Cabe a cada um de nós, como cidadãos, manifestar-nos contra a injustiça, proteger as nossas liberdades fundamentais e responsabilizar o nosso governo", escreveu.
Já Clinton classificou os episódios como inaceitáveis e afirmou que autoridades federais têm recorrido a métodos cada vez mais agressivos. Ele defendeu o direito da população de protestar e disse que as mobilizações expressam a insatisfação com a condução das políticas migratórias.
"Ao longo de uma vida, enfrentamos apenas alguns momentos em que as decisões que tomamos e as ações que realizamos moldarão nossa história por anos vindouros. Este é um desses momentos. Se abrirmos mão de nossas liberdades após 250 anos, talvez nunca as recuperemos", afirmou.
Pedidos de investigação por republicanos
Trump disse que a morte de Renée e Pretti é "resultado do caos provocado pelos democratas". No entanto, os episódios também geraram questionamentos entre republicanos, que iniciaram uma pressão por uma investigação mais aprofundada sobre as táticas dos agentes de imigração em Minnesota.
O presidente do Comitê de Segurança Interna da Câmara, o republicano Andrew Garbarino, solicitou depoimentos de líderes do ICE, da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS). "Minha principal prioridade continua sendo manter os americanos em segurança", disse Garbarino.
Outros republicanos do Congresso, como o deputado Michael McCaul e os senadores Thom Tillis, Bill Cassidy, Susan Collins e Lisa Murkowski, também pressionaram por mais informações.
Do outro lado, senadores democratas afirmaram que irão se opor a um projeto de lei de financiamento para o Departamento de Segurança Interna. A recusa já era especulada desde a morte de Renée, mas se tornou mais firme após a morte de Pretti.
Apesar de Trump já ter sancionado seis dos 12 projetos de lei de gastos anuais para 2026, a outra metade ainda aguarda votação no Senado. Caso não tomem uma decisão até sexta-feira, 30, o financiamento da pasta e de suas agências será suspenso.
*Com informações das agências internacionais.
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