2026: produzir bem não basta, precisamos entregar bem
Investimentos portuários e recuo do La Niña moldam cenário para café e commodities, enquanto mercado exige rastreabilidade e eficiência
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
Nós entramos em 2026 com três perguntas simples, vai chover, vai custar quanto, e por onde vamos embarcar.
Em Davos, o sinal mais importante não foi uma frase de efeito. Foi a soma de três preocupações na mesma mesa: comércio mais difícil, tecnologia como ganho de produtividade e clima como restrição econômica real. Quando o encontro se organiza em torno de “diálogo”, é porque a coordenação ficou mais cara e mais rara.
Do lado de cá, isso chega como custo e oportunidade.
O mercado projeta um 2026 de crescimento moderado no Brasil, com inflação ainda sensível, o que mantém juros e câmbio no centro da decisão de plantar, estocar e vender. Ao mesmo tempo, os serviços meteorológicos indicam enfraquecimento da La Niña e provável transição para neutralidade ao longo do trimestre, sinal de que o risco climático segue alto, só muda de endereço e de forma.
O ponto menos observado é que o acordo União Europeia e Mercosul virou mais processo do que manchete. Avanços foram impedidos com novas travas jurídicas no parlamento europeu, esticando o calendário e aumentando a exigência por rastreabilidade, padrões e previsibilidade. Nesse intervalo, quem reduzir atrito ganha mercado, mesmo sem fogos de artifício diplomáticos.
É aí que o Espírito Santo entra com força. Investimentos em infraestrutura portuária e logística, com projetos em Aracruz e no litoral sul, reposicionam o agro capixaba para disputar frete, prazo e regularidade, exatamente o que compradores valorizam num mundo mais fragmentado.
Para o café, o recado é o mesmo.
Com preços internos se estabilizando após topos históricos e volatilidade mercadológica elevadas em momentos do ciclo, planejamento de fluxo, qualidade e contratos ganham peso. Tecnologia de manejo, irrigação e assistência técnica deixam de ser modernidade e viram seguro de receita, especialmente no conilon capixaba.
O horizonte à frente pede serenidade e disciplina. Em 2026, vamos ser cobrados menos por discursos e mais por entrega, evidência e consistência.
Quem alinhar clima, caixa e logística atravessa qualquer incerteza com competitividade.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães