Após atropelamento com morte, moradores pedem mais radares na Praia de Camburi
Uma das vozes à frente dessas reivindicações é o corretor de imóveis André Rato, uma das lideranças comunitárias da Mata da Praia
A morte da turista mineira atropelada por uma motocicleta na avenida Dante Michelini, em Camburi, na noite de segunda-feira (19), reacendeu o debate e a cobrança de alguns moradores para a instalação de radares na via.
Uma das vozes à frente dessas reivindicações é o corretor de imóveis André Rato, uma das lideranças comunitárias da Mata da Praia. Ele afirma que o acidente foi “uma tragédia anunciada” e defende que a prefeitura faça um estudo técnico para instalar equipamentos de controle de velocidade e avanço de sinal.
“Eu enviei o pedido para a prefeitura. Atravessar a Dante Michelini é uma aventura hoje. Os carros passam mesmo após o sinal já estar vermelho”, afirmou.
De acordo com André, além do excesso de velocidade, há registros de motoristas avançando o sinal, fazendo desvios por dentro de estacionamentos e ultrapassando o limite permitido na orla. “Tem gente passando ali a 120, 140 km/h. É um absurdo”, relatou.
O morador também sugere a instalação de câmeras nos cruzamentos da avenida e que os radares contemplem avanço de sinal e parada sobre faixa de pedestre.
No grupo de mensagens do bairro, muitos moradores defenderam a instalação de radares. Outros afirmaram que seria “uma indústria de multas”.
Para André Rato, se houver transparência, o sistema poderia aumentar a segurança na região.
A advogada Fernanda Couta, 44 anos, mora na Mata da Praia e estava na casa de amigos, de frente para o local do acidente, na hora do atropelamento do casal de turistas.
“Quando desci, vi a gravidade. Infelizmente foi uma fatalidade. Muitas pessoas falam da necessidade do radar, mas a região tem semáforo e faixa de pedestre. O que deveria ser feito é a conscientização para travessia no local certo”.
A Prefeitura de Vitória informou que o município encerrou o ano de 2025 com uma redução de 30% no número de mortes no trânsito em comparação com o ano anterior.
Além da presença nas ruas, a Guarda de Vitória conta com 1.156 câmeras espalhadas pela cidade.
Disse, ainda, que nas vias de Vitória a instalação de radares de velocidade não é prevista, e os motivos são técnicos.
Segundo a nota, considerando a Resolução 798 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), as vias municipais não atendem às especificações para o recebimento deste tipo de fiscalização.
Saiba Mais
Estudo para viabilizar radares na avenida
Alguns pedidos
Estudos de viabilidade para instalação de radares em cruzamentos perigosos na avenida Dante Michelini, que monitorem não apenas o excesso de velocidade, mas também o avanço de semáforos.
Mais câmeras em cruzamentos ao longo de avenidas.
Fiscalização de condutas, como o uso de “bolsões” de estacionamento para “cortar” caminho e desviar de semáforos.
O que diz a prefeitura
A Prefeitura de Vitória informou que encerrou 2025 com redução de 30% nas mortes no trânsito em comparação com o ano anterior.
Disse que os resultados são trabalho da Guarda Civil Municipal com patrulhamento preventivo, apoio à mobilidade urbana e fiscalização.
Além disso, a Guarda conta com a Central Integrada de Operações e Monitoramento, com 1.156 câmeras.
Segundo a prefeitura, pelas regras do Contran, as vias municipais não atendem às especificações para o recebimento de radares.
Salientou que nenhuma via tem limite superior a 60 km/h, sendo que esse tipo de fiscalização costuma ser indicado para vias de tráfego rápido ou trechos de riscos elevados.
Outro fator é que os estudos de engenharia de tráfego não apontam pontos críticos com alto índice de acidentes graves motivados por excesso de velocidade.
Fotógrafo é atingido por caminhão
Um dia após o acidente com o casal de turistas mineiros na Avenida Dante Michelini, em Vitória, o fotógrafo de A Tribuna Leone Iglesias também levou um susto no local, na tarde da última terça-feira (20).
Um caminhão freou bruscamente no semáforo e a traseira derrapou para o lado, atingindo-o na calçada.
No momento, ele fotografava o corretor de imóveis André Rato — justamente para a reportagem sobre a defesa da instalação de radares nos semáforos da avenida.
Leone teve escoriações nos pés e nas costas com a queda. Foi atendido em um hospital, onde passou por raio-x, recebeu medicamentos e foi liberado.
Ele contou que estava no calçadão, próximo ao semáforo, junto com André Rato.
“O sinal fechou e um veículo que estava na frente do caminhão freou. O caminhão que vinha atrás precisou frear também, mas a traseira derrapou e veio na minha direção. O pneu não chegou a subir na calçada, mas parte da carroceria me atingiu e eu caí no chão.”
Segundo Leone, o acidente evidenciou um problema recorrente na região. “Quando o sinal fica amarelo, muitos veículos aceleram para passar. Alguns já passam no vermelho. Com a velocidade, nem sempre dá tempo de frear se alguém na frente parar. A pista molhada agravou o problema.”
A Guarda Civil Municipal de Vitória esteve no local.
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