Muita poesia e poucos diálogos em “Hamnet”
Chloé Zhao aposta em sensibilidade e espiritualidade para marcar seu retorno ao cinema com “Hamnet”
Em novembro passado, quando a première de “Hamnet” tomou conta do maior cinema do Museu da Academia, em Los Angeles, a diretora Chloé Zhao, ganhadora do Oscar por “Nomadland”, em 2021, teria tudo para ficar nervosa.
Ali, no coração de Hollywood, ela apresentava seu primeiro longa desde o fracasso de crítica e público de “Eternos”, da Marvel. Diante de mil convidados, Zhao não pareceu sentir qualquer pressão.
Em vez de palavras de agradecimentos a executivos e ao elenco, ela fez o inesperado – começou a comandar um longo exercício de meditação para todo o cinema.
Com uma voz suave e tranquila, quase hipnótica, a cineasta chinesa pediu para cada espectador fechar os olhos, pensar em um ponto de tensão, respirar fundo e saber que não precisava carregá-lo sozinho. “Temos uns aos outros nesta noite”, disse ela.
A atitude zen budista foi essencial para a condução de “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, que venceu diversos prêmios de público em festivais, levou os troféus do Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama e de Melhor Atriz para Jessie Buckley no último domingo (11), e é sério candidato ao Oscar deste ano.
Chloé Zhao foi a primeira escolha da produtora Liza Marshall quando ela adquiriu os direitos do livro homônimo de Maggie OFarrell sobre Agnes, uma misteriosa mulher que lida com a morte do filho pequeno, Hamnet, de uma forma diferente do marido, um professor de latim que escreve uma peça chamada “Hamlet” para lidar com sua dor. Mas a cineasta só toparia se a autora também participasse do roteiro.
O estilo sensorial, poético e viajado de Zhao, que não passa muitos diálogos para seus atores, mas estimula uma interpretação mais livre, quase levou o elenco e a equipe aos limites.
Assista ao trailer oficial de “Hamnet”
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