Brasília: cerimônia marca despedida de Raul Jungmann nesta segunda-feira (19)
Familiares e amigos próximos se reuniram no Cemitério Campo da Esperança para o último adeus ao ex-ministro
A tarde desta segunda-feira (19) foi de despedida para Raul Jungmann em Brasília. O velório do ex-ministro ocorreu no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em uma cerimônia restrita a familiares e ao círculo de amigos mais próximos. O rito fúnebre na capital federal encerra o ciclo público do político pernambucano, que morreu aos 73 anos, deixando um histórico de atuação direta no núcleo do poder nacional.
Articulador de crises entre civis e militares
No tabuleiro político, Jungmann era visto como um operador de bastidores capaz de transitar em terrenos áridos. Foi o escolhido para pastas de alta voltagem, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário no governo FHC, e a Defesa e Segurança Pública na gestão de Michel Temer (MDB). Sua habilidade em dialogar com a caserna, em momentos de tensão, é apontada por observadores políticos como sua principal marca na Esplanada.
Das bases do PCB ao distanciamento do bolsonarismo
A trajetória de Jungmann começou na resistência à ditadura militar, militando no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) — o "Partidão". Com a redemocratização, tornou-se um quadro técnico-político de confiança, passando pelo PPS e consolidando-se como um reformista de centro.
Apesar de ter sido o primeiro Ministro da Segurança Pública do país, cargo criado por Michel Temer, Jungmann manteve-se como uma voz crítica ao governo de Jair Bolsonaro. Em análises e entrevistas, ele frequentemente alertava para o risco de politização das Forças Armadas e das polícias, posicionando-se como um defensor do controle civil sobre as instituições de força.
Jungmann também exerceu mandatos como deputado federal: entre 2003 e 2006 pelo PMDB, de 2007 a 2010 pelo PPS e de 2015 a 2018 novamente pelo PPS.
O embate das armas e o plebiscito de 2005
Um dos episódios mais divisivos de sua trajetória foi a liderança na campanha pelo "Sim" no referendo sobre o desarmamento, em 2005. Jungmann foi um dos principais articuladores da proibição da comercialização de armas de fogo e munições no Brasil. A derrota nas urnas — quando a maioria da população votou pela manutenção do comércio — não o fez recuar da pauta. Anos depois, já como Ministro da Segurança Pública, ele enfrentou críticas de setores armamentistas ao manter o discurso de que o controle rigoroso de armas era o único caminho para reduzir os índices de violência urbana.
Transição para o setor mineral e o fim da jornada
Desde 2022 até sua morte, Jungmann presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), onde aplicava a experiência política para mediar os interesses do setor produtivo com as exigências ambientais e regulatórias. A cerimônia de hoje, no coração de Brasília, simbolizou o recolhimento final de um personagem que, por décadas, esteve sob os holofotes das grandes decisões do país.
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