Bebê que nasceu com 655 gramas tem alta com festa
Jade Moura do Carmo da Silva ficou cinco meses internada, passou por cirurgia cardíaca e agora está em casa com a família
A pequena Jade Moura do Carmo da Silva, que nasceu como prematura extrema, com 655 gramas e 26 semanas de gestação, teve alta do Hospital Estadual Infantil Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) ontem pela manhã.
A bebê estava internada desde que nasceu, em 8 de agosto de 2025. Para comemorar a conquista, funcionários do Himaba fizeram um “corredor de alta”.
Com muita festa, palmas e balões, Jade e a mãe, a estudante Jennifer de Moura Santos Silva, 26 anos, foram acolhidas pela equipe do hospital para se despedirem de todos que as atenderam nesses últimos cinco meses.
“A comemoração foi linda, eu chorei de emoção junto do meu marido, que passou esse sufoco comigo. Agradeci a Deus esse resultado”, celebrou Jennifer.
Ela estava grávida de gêmeos, mas uma emergência médica a levou ao hospital. Jade nasceu de parto cesariana, mas o outro bebê morreu, contou o pediatra neonatologista e coordenador médico da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Himaba, Lincoln Bertholi Rohr.
“Aconteceu uma transfusão feto-fetal, que ocasiona uma troca desigual de sangue, o que coloca em risco os dois bebês. A equipe optou por fazer uma cesariana para tentar salvar um dos bebês, e a Jade sobreviveu”, explicou o médico.
Durante a internação, Jade passou por ventilação pulmonar mecânica, tratamento a laser para retinopatia da prematuridade e até cirurgia cardíaca para correção de canal arterial.
Atualmente, a menina pesa aproximadamente 3,7 quilos e já se alimenta normalmente via oral, mas seguirá em acompanhamento ambulatorial. “É importante seguir cuidando do bebê com muita atenção mesmo após a alta médica”, explica a médica neonatologista Geisa Barros.
“O bebê precisa evitar contato com muitas pessoas, que podem trazer viroses, o que para um prematuro pode gerar infecções respiratórias, que podem se tornar um desafio muito grande”, disse.
Jennifer de Moura Santos Silva, estudante: “Agora estou em paz, quero aproveitar minha filha”
A Tribuna Como foram os cinco meses de internação?
Jennifer Silva: Foi um sufoco, cheguei a perder a cabeça. Mesmo eu tendo feito o acompanhamento pré-natal e sabendo dos riscos, nunca pensei que viveria isso. Eu não me sentia mãe, não podia ficar junto da minha filha direito. Meu marido trabalha, então só conseguia ir para a UTI nas folgas.
Ela precisou passar por cirurgias. Qual foi a mais complicada?
O procedimento no coração. Ela precisou passar por isso quando tinha acabado de nascer, na mesma semana em que perdi meu outro bebê. Eu só conseguia pensar nela saindo de lá.
E como foi a comemoração da alta médica?
Quando saí da internação com ela, me senti realizada. A equipe nos emocionou bastante com essa festa que fizeram no corredor do hospital.
A Jade vai precisar de acompanhamento médico?
Sim, de fonoaudiólogo, pneumologista e vários outros. Agora todo cuidado é pouco, porque qualquer deslize e ela volta para o hospital, e não queremos isso de jeito nenhum.
Quais os planos com a Jade agora?
Ficar ao lado dela o tempo todo. Vou ser uma mãe coruja, uma mãe babona. Quando eu vi ela entrando em casa, meu coração se encheu de felicidade. Agora estou em paz, minha mente está tranquila, quero aproveitar minha filha.
Fique por dentro
Parto prematuro
Bebês que nascem com menos de 37 semanas de gestação são considerados prematuros.
Entre 36 e 37 semanas o bebê é considerado prematuro tardio.
Até 30 semanas é um caso de prematuro extremo.
Riscos para o bebê
Depende da condição do parto, mas de modo geral, há risco de retinopatia, dano que afeta a retina dos olhos, e displasia pulmonar, uma doença crônica que causa inflamação dos pulmões e dificulta a respiração.
Imunodeficiente é a condição na qual todo bebê prematuro nasce. Por ter menos contato com a mãe, e precisar de remédios constantes, além de acesso venoso no hospital, o bebê tem baixa resistência a ataques ao sistema imunológico.
Acompanhamento médico
A puericultura deve ser observada intensamente após a alta e durante o primeiro ano de vida do bebê.
O termo é usado na pediatria para a avaliação mensal da criança, em que são avaliados o peso, o desenvolvimento cognitivo do bebê e as vacinas que recebeu.
O pulmão do bebê prematuro é extremamente sensível a infecções. Portanto, é necessário manter vigilância constante e evitar contato com muitas pessoas, que podem trazer infecções virais ou bacterianas.
Fonte: Especialistas entrevistados.
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