Blitz com mais tecnologia vai flagrar carros clonados
Um scanner e um aparelho de raio-X são capazes de identificar alterações invisíveis a olho nu, revelando até peças irregulares
Os novos equipamentos de fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) – o scanner e o raio-X – foram utilizados ontem pela primeira vez em uma blitz.
Eles são capazes de identificar alterações invisíveis a olho nu, revelando a existência de peças irregulares na composição do carro e se o número de identificação dele foi adulterado. A Tribuna havia antecipado o assunto em reportagem especial publicada no último dia 5.
A primeira fiscalização com os equipamentos teve como objetivo também capacitar agentes e policiais. Givaldo Vieira, diretor-geral do Detran-ES, explicou que a novidade reforça a segurança viária.
“Os scanners são tablets altamente sofisticados que se conectam à parte eletrônica do veículo e captam toda a informação dos componentes. É possível verificar se uma peça ou algum componente não for daquele veículo”.
O sistema é integrado, e consegue identificar peças de veículos que foram furtados ou roubados, inclusive, em outro estado. “Eles se conectam à parte eletrônica do veículo e captam todas as informações dos seus componentes”.
Os sargentos Jacymar Sperandio Júnior e Hilton Júnior Vasconcelos, do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), receberam orientações de Rodrigo Galski, gerente técnico comercial da Regula, empresa responsável pelo desenvolvimento e aplicação dos equipamentos.
Regis Ramalho, perito em identificação veicular da empresa Regula, explica que, com o auxílio de uma fita metalográfica e de um cursor, o raio-X consegue identificar possíveis adulterações no número identificador do veículo.
“Consegue ver se tem marca de abrasivo, lixamento, sobreposição ou amassamento na chapa. Tudo o que tiver de irregular, a gente consegue visualizar e registrar”.
No Estado, de acordo com o Detran-ES, foram registrados, desde 2023, 45 veículos com placas clonadas.
O tenente Lucas Gabriel Lourenço, chefe da Comunicação Social do BPTran, comemora a novidade. “Muitas vezes o veículo passa por um processo de adulteração muito específico, muito detalhado, que não é possível de ser identificado a olho humano. Então, esse equipamento vem justamente para suprir essa dificuldade e fortalecer a fiscalização.”
Fique por dentro
Scanner eletrônico
Foram adquiridos cinco equipamentos de scanner Guardian Pro Safe S1. Com ele, é possível conferir, após conexão no módulo dos veículos, se há alguma peça roubada na composição do carro.
Como funciona
O scanner é conectado ao módulo eletrônico do veículo, conhecido como OBD2, geralmente localizado abaixo do volante.
A partir dessa conexão, o equipamento faz a leitura de todos os componentes eletrônicos e identifica se alguma peça não corresponde ao veículo original, indicando possível clonagem ou adulteração.
Vistoria eletrônica
O scanner faz uma vistoria eletrônica completa, acessando o chamado “chassi digital”, presente em dezenas de centrais eletrônicas do veículo.
Sistemas como freio, motor, transmissão, painel, multimídia, frenagem autônoma, teto solar, aquecimento de bancos, entre outros, podem ser analisados.
Abrangência
O equipamento pode ser usado tanto em carros quanto em motos mais modernas, que contam com módulos eletrônicos.
Raio-X veicular
O equipamento portátil analisa a superfície metálica onde está gravada a numeração do chassi.
Com capacidade de verificação em camadas, identifica adulterações mesmo quando os sinais foram ocultados ou não são visíveis a olho nu. Pode ser usado em carros, motos e outros veículos que possuam chassi.
Análise profunda
Permite identificar lixamento, abrasão, sobreposição de numeração, tratamento químico e até a marcação original do veículo, mesmo abaixo de camadas de metal.
O equipamento reconhece rastros industriais deixados no processo de fabricação, impossíveis de serem reproduzidos após adulteração.
Tecnologias portáteis
Tanto o scanner quanto o raio-X são equipamentos móveis, transportados em maletas. Isso permite que a verificação seja feita no local da abordagem sem necessidade de remover o veículo ou depender apenas da análise visual do agente.
Mais precisão
Antes, a identificação de veículos adulterados dependia quase exclusivamente da experiência do agente, adquirida ao longo de anos. Com os novos equipamentos, a análise passa a ser técnica, automatizada e eletrônica, reduzindo falhas e aumentando a precisão das fiscalizações.
Integração de dados
As informações coletadas são cruzadas com bases nacionais e integradas, permitindo identificar peças pertencentes a outros veículos, registro de furto ou roubo em qualquer estado e divergência entre módulos eletrônicos.
Fiscalização
Os equipamentos passam a ser usados em blitze integradas, quando há suspeita de adulteração ou clonagem de veículo. Além disso, poderão ser utilizados na triagem dos pátios do Detran, especialmente em veículos que podem ser destinados a leilão.
Quando há irregularidade
Se forem identificados indícios de adulteração, o veículo é removido.
O condutor é encaminhado à delegacia para os procedimentos legais e os veículos adulterados são retirados de circulação.
Fiscalização
Ação aprovada
Uma ação de fiscalização aconteceu em Jardim da Penha, Vitória, debaixo do viaduto após a Ponte da Passagem. O empresário Josias Cabrini estava passando pelo local e foi parado. Ele gostou da novidade.
“Para nós, empresários do ramo de veículos, é muito importante. Além disso, vai auxiliar no trabalho da polícia. O dono do veículo também sai ganhando. Ou seja, é bom para todos”, destacou.
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