Luto por pets pode ser pior do que a perda de parentes
Pesquisa aponta que muitos consideram a morte do animal a mais difícil. Transtorno do luto prolongado também atinge tutores
Que a morte de um animal de estimação cause tristeza em seus tutores não é uma novidade. Mas você acredita que a perda de um animal pode levar a um caso de luto, podendo até ser mais profundo que a morte de um parente?
Essa é a conclusão de um novo estudo publicado ontem. A pesquisa indica que a morte de um animal de estimação pode levar ao transtorno do luto prolongado, algo que contraria diretrizes de agências especializadas.
O luto prolongado compreende viver o sentimento de morte de forma intensa, persistente e incapacitante. A condição consta tanto nas últimas edições da Classificação Internacional de Doenças, da OMS (Organização Mundial da Saúde), quanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da APA (Associação Americana de Psiquiatria).
A morte de um animal não é encarada como um evento que pode causar esse transtorno. No entanto, o novo estudo veiculado na revista científica Plos One defende a importância de revisar essa diretriz.
A pesquisa partiu de um grupo inicial de 975 adultos do Reino Unido que forneceram informações on-line sobre diferentes lutos vividos.
Da amostra total de integrantes, 295 relataram que já passaram por perda tanto de entes queridos quanto de animais de estimação. Ao serem questionados sobre qual luto foi mais doloroso, 21% desses participantes afirmaram que foi a morte de um animal a mais difícil.
Somente a morte de um pai ou mãe apresentou um percentual maior que esse: 42% do total das respostas. De acordo com os dados do estudo, a morte de um amigo próximo, parceiro ou irmãos foi mencionada menos vezes que a perda de um animal de estimação.
O estudo também levou em consideração o transtorno de luto prolongado — no caso, 84 pessoas dentro do total de participantes se enquadraram no diagnóstico. Entre aqueles que perderam animais de estimação, 7,5% desenvolveram a condição de viver o luto de forma persistente e incapacitante.
A taxa é a menor quando se compara com a perda de humanos, mas ela não difere muito para alguns casos. Por exemplo, 7,8% dos participantes que vivenciaram a morte de um amigo próximo passaram pelo transtorno, enquanto essa taxa foi de 8,9% para um irmão.
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